Maca (Lepidium meyenii)

Maca (Lepidium meyenii)
NUTRICAO
Também conhecida popularmente como maca andina, maca peruana, peruvian maca, maca lepidium, planta maca, maca powder maca ginseng e maca root, seu nome científico é Lepidium meyenii.


A planta cresce em altitude acima de quatro mil metros na Cordilheira dos Andes, com temperaturas que oscilam entre 20ºC positivos e 25ºC negativos, de acordo com o período e época do ano. Após o plantio, demora de 7 a 9 meses para a colheita.


Pertence à família das crucíferas, apresentando talo curto, folhas medindo aproximadamente entre 6 e 9 cm e flores pequenas. Há três tipos diferentes de maca: amarela, preta e vermelha. Sua raiz é facilmente seca ao sol e mantém suas qualidades nutritivas.


A raiz é constituída por água (68,7%), carboidratos (23%), lipídios (0,6% - ácido linoleico, palmítico e oleico), fibras, fitoesteróis (antioxidantes que combatem os radicais livres), vitaminas (ácido ascórbico, carotenos, tiamina e riboflavina) e minerais (cálcio, ferro, zinco, selênio e fósforo). Também possui os aminoácidos (mg/g de proteína): 91mg de leucina, 99,4mg de arginina, 54,3mg de lisina, 55,3mg de fenilalanina, 68,3mg de glicina, 63,1mg de alanina, 79,3mg de valina, 47,4mg de isoleucina, 156,5mg de ácido glutâmico, 50,4mg de serina, 91,7mg de ácido aspártico, 21,9mg de histidina, 33,1mg de treonina, 30,6mg de tirosina, 28mg de metionina e 0,5mg de prolina.


Pode ser consumida em cozida ou transformada em pó para ser adicionada a saladas, bebidas, vitaminas, frutas e outras preparações. A maca também é popularmente usada na elaboração de uma bebida fermentada doce chamada “maca chica”


Benefícios à saúde:

Libido, hormônios sexuais e espermatogênese

Fitoquímicos presente na raiz possuem características semelhantes aos hormônios sexuais (testosterona, estrogênios e prostaglandinas), auxiliando a regular o ciclo menstrual (redução dos fogachos) e disfunções sexuais (exemplos: aumento do desejo sexual em homens e mulheres; maior contagem de espermatozoides e motilidade espermática ao analisar o sêmen de homes que consumiram a raiz por quatro meses).


Vitaminas contidas na raiz também podem auxiliar: a vitamina E participa da produção de hormônios sexuais; o magnésio e a vitamina B1 favorecem a sinapse (transmissão das informações de um neurônio para outro), causando a sensação de prazer; o selênio participa na produção de espermatozoides; e o zinco estimula a síntese de testosterona e modula a ovulação.


A maca preta tem melhores efeitos sobre a contagem de espermatozoides, quando comparada com a amarela que tem efeitos mais moderados. A maca vermelha, contudo, não tem efeitos na produção de esperma, porém demonstrou resultados interessantes na redução do tamanho da próstata.

Cansaço
Pesquisadores relatam que os fitoquímicos presentes no tubérculo atuam no hipotálamo e nas glândulas suprarrenais, conferindo-lhes efeitos estimulantes e sendo indicada para combater o cansaço, estresse e depressão.


Os aminoácidos fenilalanina, tirosina e histidina também contribuem para a síntese de neurotransmissores (dopamina e a noradrenalina) responsáveis pela transmissão sináptica propagando impulsos nervososcomportamentais.


Como possui carboidratos complexos e vitaminas do complexo B, fornecem energia e disposição ao organismo.


Anemia
Em 100g de pó de maca peruana há 16,6 mg de ferro. Contudo, para otimizar a absorção é necessário consumir um alimento rico em vitamina C na mesma refeição (exemplo: suco de acerola ou limão), porque o ferro presente na raiz é do tipo não-heme.


A absorção do ferro não-heme (proveniente de cereais, leguminosas e vegetais) é de cerca de 1 a 5%, enquanto que 15 a 35% do ferro heme (presente nos alimentos de origem animal) é absorvido pelo intestino.


Doenças cardiovasculares

Apesar de possuir ácido palmítico (saturado), as raízes contem o ácido linolênico (ômega 3). O ácido linolênico é precursor do ácido eicosapentaenóico (EPA) e do ácido docosahexaenóico (DHA). O EPA relaciona-se com a proteção da saúde cardiovascular (efeito vasodilatador, auxiliando na redução da pressão arterial e ainda regularizando as concentrações de colesterol), e o DHA é considerado fundamental para o desenvolvimento cerebral e condução dos impulsos nervosos. Também está presente na raiz o ácido oleico (ômega 9), que auxilia na redução do colesterol LDL e eleva o HDL colesterol.


Alguns aminoácidos também auxiliam na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares: a lisina está envolvida na síntese de L-carnitina (substância que auxilia no controle de dislipidemias); a arginina é precursora do óxido nítrico, substância com efeito vasodilatador, auxiliando na redução da pressão arterial.


Osteoporose

Durante a menopausa, há redução do estrogênio, o que pode ocasionar a osteoporose. Estudos em animais mostraram que o extrato etanólico, presente na maca, impede a perda óssea, ativando os receptores de estrogênio.
Diabetes tipo 2
A grande quantidade de fibras solúveis reduz a absorção de glicose intestinal e o extrato hidroalcoólico da maca negra inibe a ação de enzimas que atuam no processo de digestão, evitando a liberação de grandes quantidades de insulina o que desencadeia a resistência celular ao hormônio.


Imunidade

Os fitosteróis (sitosterol e campesterol) auxiliam no fortalecimento da imunidade.

A arginina atua na divisão celular e a lisina está relacionada à inibição da proliferação viral.

A vitamina C atua na reconstituição dos leucócitos, aumentando a resistência a infecções.


Conclusões:
Ainda não há um consenso sobre os benefícios da maca peruana, necessitando de estudos com melhores metodologias.


A planta faz parte da dieta diária de muitos peruanos, não tendo sido relatada toxicidade. Contudo, indivíduos com doenças crônicas só devem utilizar a maca com recomendação médica.



Referências:


• Dini A, et al. Food Chem 1994;49:347.

• Gonzales C, et al. Forsch Komplementmed 2010;17(3):137-43.

• Gonzales GF, et al. J Endocrinol 2003;176:163-8

• Sandoval M, et al. Food Chem 2002;79:207-13.

• Vecera R, et al. Plant Foods Hum Nutr 2007;62(2):59-63.

• Zhang Y, et al. J Ethnopharmacol 2006;105(1-2): 274-9

Débora Lopes Souto
Doutora em Ciências Nutricionais (2012-2015) e Mestre em Nutrição Humana (2010-2011) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especialista em Nutrição Clínica (Associação Brasileira de Nutrição). Autora de livro, artigos científicos e trabalhos publicados em anais de eventos. Atende em consultório particular e atua como pesquisadora no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ).
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