Indicador ambiental - conceito

Indicador ambiental - conceito
BIOLOGIA
Um indicador ambiental pode ser entendido como a representação de um conjunto de dados, informações e conhecimentos acerca de determinado fenômeno urbano/ambiental capaz de expressar e comunicar, de maneira simples e objetiva, as características essenciais (como ocorrência, magnitude e evolução, entre outros aspectos) e o significado (como os efeitos e a importância socioambiental) desse fenômeno aos tomadores de decisão e à sociedade em geral. Sua adoção envolve a perspectiva de ser utilizado no acompanhamento de cada fenômeno urbano/ambiental ao longo do tempo, no sentido de avaliar o progresso ou retrocesso em relação ao meio ambiente.

Em 2010, 28 cientistas de renome internacional reuniram-se em Estocolmo, Suécia, para aprimorar o diagnóstico da crise ambiental da atualidade. O resultado foi a identificação de nove ameaças ao planeta (SOFFIATI, 2012):

Mudanças climáticas: Geradas pela emissão de gases do efeito estufa, notadamente o CO2, o aquecimento global está provocando uma rápida mudança no clima podendo comprometer a agricultura, pecuária e urbanização.

Esgarçamento da camada de ozônio: Apesar de revertido o processo de desgaste da camada de ozônio por meio de novas técnicas e tecnologias, não se resolveu de todo o processo de corrosão da camada de ozônio, escudo fundamental para a continuidade das formas de vida mais complexas no planeta.

Acidificação dos oceanos: Mais que as florestas, os oceanos cumprem o papel ecológico de absorver o dióxido de carbono existente na atmosfera e produzir oxigênio. Contudo, muito gás carbônico e muita absorção dele pelos mares levam à acidificação dos oceanos e à destruição de ecossistemas fundamentais, como os bancos de corais e os animais com carapaça, por exemplo.

Água doce: O planeta é composto por 2/3 de água, mas muito pouco dela é doce, fundamental à agricultura, à pecuária e à humanidade. A água doce está sendo desperdiçada ou utilizada para o lucro.

Biodiversidade: Apesar do errôneo entendimento de muitos que pensam que os que a defendem gostam de plantinhas e bichinhos, é a biodiversidade que garante o equilíbrio dos processos biológicos essenciais do planeta.

Ciclos do nitrogênio e do fósforo: O processamento de nitrogênio e fósforo é muito maior que aquele feito pela natureza, aumentando, assim, os processos de eutrofização das águas doces e salgadas.

Uso da terra: A conversão de metade das florestas, principalmente tropicais, em lavouras e pastagens, quebra a capacidade do planeta em exercer suas funções vitais de equilíbrio.

Cargas de partículas na atmosfera: Atualmente, o lançamento de partículas na atmosfera dobrou desde a revolução industrial. Elas são extremamente nocivas à vida.

Poluição química: Cerca de 100.000 diferentes compostos químicos produzidos pelo sistema industrial está sendo aplicado em todo o mundo atualmente, o que vai afetar os seres vivos e a humanidade.

Os princípios de base dos sistemas de indicadores ambientais são os seguintes:

• Comparabilidade: os indicadores devem permitir estabelecer comparações e apontar as mudanças ocorridas em termos de desempenho ambiental;
• Equilíbrio: os indicadores ambientais devem distinguir entre áreas problemáticas (mau desempenho) e áreas com perspectivas (bom desempenho);
• Continuidade: os indicadores devem assentar em critérios similares e em períodos ou unidades de tempo comparáveis;
• Temporalidade: os indicadores devem ser atualizados com a regularidade necessária para permitir a adoção de medidas;
• Clareza: os indicadores devem ser claros e inteligíveis.

Teoricamente, faltam indicadores que possam ser expressos nas mesmas unidades para mensurar o desenvolvimento sustentável. Renda per capita, parâmetros sociais, indicadores físico-químicos e biológicos são mensuráveis em seus próprios termos, mas não podem ser conversíveis em outros termos.

O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UICN/PNUMA/WWF, 1991) adotou dois índices para medir o desenvolvimento humano ou a qualidade de vida humana: O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH - Human Development Index) e o Índice de Liberdade Humana (IFH - Human Freedom Index)

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): é uma medida comparativa que engloba três dimensões: RIQUEZA, EDUCAÇÃO, ESPERANÇA E MÉDIA DE VIDA. É uma maneira padronizada de avaliação e medida do bem-estar de uma população.

O índice foi desenvolvido em 1990, pelos economistas Amartya Sem e Mahbubul Hag, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no seu relatório anual.

O Índice de Liberdade Humana (IFH) é uma modificação do Guia Mundial dos Direitos Humanos (World Human Rights Guide) (UICN/PNUMA/WWF, 1991), que usa 40 indicadores para medir a liberdade. A pontuação “1” é indicada para cada direito de liberdade que é protegido, e a pontuação “0” para cada direito de liberdade que é violado.

O índice que está causando sucesso atualmente é o Índice de Felicidade Interna Bruta (FIB). O cálculo do FIB considera nove dimensões: 1) bom padrão de vida econômica, 2) boa governança, 3) educação de qualidade, 4) boa saúde, 5) vitalidade comunitária, 6) proteção ambiental, 7) acesso à cultura, 8) uso equilibrado do tempo, e 9) bem-estar psicológico. Existe até uma fórmula para o FIB:

Sachs (1997) já havia proposto algumas dimensões, tais como alimentação sadia, saúde preventiva acima da curativa, habitação condigna, trabalho socioambientalmente útil, educação renovada, vestimenta e lazer. A felicidade ficaria a critério de cada um a partir desta base.

A conservação dos sistemas de sustentação à vida necessita da conjugação dos itens de prevenção da poluição, recuperação e manutenção da integridade dos ecossistemas do planeta, e do desenvolvimento de um sistema abrangente de áreas protegidas. A conservação da biodiversidade requer a adoção dessas medidas, além da ação para recuperar e manter as espécies e os patrimônios genéticos. Os indicadores primários medem as condições do ecossistema ou da espécie em questão. Os indicadores secundários medem os impactos humanos. Os indicadores terciários medem as ações para reduzir os impactos.

Na relação de indicadores abaixo, o número entre parênteses aponta se o indicador é primário (1), secundário (2) ou terciário (3):

Progresso na prevenção da poluição

• Emissões anuais de dióxido de carbono, metano, CFCs, óxido de enxofre, óxido de nitrogênio: total per capita e por unidade de PIB (2)
• Qualidade dos rios: oxigênio dissolvido e concentração de nitrato (1)
• Tratamento de águas servidas: porcentagem de população servida por estações de tratamento de esgoto (3)
• Acidentes industriais: quantidade, número de mortes, por unidade de PIB (2)

Progresso na recuperação e manutenção da integridade dos ecossistemas


• Porcentagens de área de terra natural, modificada, cultivada, construída e degradada (1)
• Porcentagem dos ecossistemas naturais e modificados, ou tipos de vegetação em áreas maiores do que 10.000 hectares (1)

Progresso no desenvolvimento de um sistema abrangente de áreas protegidas

• Percentagem de cada região ecológica que é coberta por áreas protegidas (3)

Progresso na recuperação e manutenção de espécies e patrimônios genéticos


• Número de espécies e percentual ameaçado por extinção, erradicação, percentual de populações estáveis, crescentes e em decréscimo significativo (1)
• Número e percentual de espécies endêmicas ameaçadas por extinção (1) e em áreas protegidas (3)
• Percentual de espécies ameaçadas com populações viáveis em instalações ex-sito (3)
• Índice de diversidade de espécies domesticadas (1)
• Índice de variedades domesticadas (1)
• Índice de uniformidade de cultura e de criação (1)
• Percentual de variedades tradicionais em coleções ex-sito (3)
• Índice de situação de bancos de genes (3)

Os indicadores seguintes fariam a medição da eficácia das ações, para reduzir o consumo e estabilizar o crescimento populacional:

• Consumo per capita de alimentos, água, madeira e minérios
• Uso per capita de energia
• Uso de energia por unidade de PIB
• Geração de resíduos municipais, per capita e por unidade de PIB
• Geração de resíduos industriais, per capita e por unidade de PIB
• Geração de resíduos nucleares descartados, por unidade de PIB e por unidade de energia
• Tendência populacional
• Taxa de Fertilidade Total
• Densidade populacional.

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