Educação

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RECURSOS-HUMANOS
A educação social está condicionada pela sua história, mas parte dela realiza-se a partir das políticas sociais, próprias da sociedade de bem estar.

A maior dificuldade para definir o termo educação social encontra-se no fato de este conceito estar claramente ligado ao contexto social, às formas políticas dominantes, à cultura existente, ao modelo econômico, à realidade educativa e, tudo isto, como é lógico, em relação a um espaço e há um tempo concretos. Não existe, portanto, uma maneira equívoca de entender a educação social. Por isso existem diversas concepções sobre a mesma. No entanto, não se produziu uma evolução conceitual, mas antes formas distintas de interpretá-la.

Riera (1988), num esforço de conceitualização do termo, entende que a educação social não é uma ciência, mas deve estar sustentada numa disciplina científica que teorize e conceitualize, que investigue, organize, recopile e sistematize os conhecimentos com ela relacionados. Para, além disso, as intervenções não serão eficientes se não existirem teorias e modelos teórico-práticos nos quais se sustente a ação.

A pedagogia social cumpre todos esses requisitos e é a ciência da educação social. Para Ortega (1999), a Educação Social é, ou deve ser o seguinte: Uma progressiva e contínua configuração do indivíduo para alcançar o seu desenvolvimento e conseguir a participação na comunidade, o que deverá ajudá-lo a compreender o mundo e a si mesmo, ou seja, deverá ensinar a ser e a conviver. Neste sentido, deve dizer-se que o melhor e mais rendível do objetivo da educação é conseguir a convivência dos indivíduos, dos grupos e dos povos.

A educação é uma dimensão inseparável dos indivíduos e das comunidades e, por isso, a educação é ao longo de toda a vida, acompanha o homem do nascimento até a morte. Uma educação entendida ao longo da vida deve verificar-se em todo o espaço espacial e temporal e, por isso, a educação escolar será mais um aspecto da mesma, evitando centrar-se exclusivamente na transmissão de conteúdos instrutivos.

Toda educação é, ou deve ser, social, já que quando falamos de educação esta se faz na família, na escola, na comunidade e, inclusive, para a comunidade. Não pode existir uma autêntica educação individual se não se forma o indivíduo para viver e conviver em

Revista Lusófona de Educação, 7, 200 Soriano Diaz: Uma Aproximação à pedagogia – educação social

Comunidade. E educação social deve estar inserida no contexto da educação ao longo da vida, e também, às vezes, deve concretizar-se em espaços e tempos distintos dos da educação escolar.

Por último, Ortega (1999) afirma que a educação social é ou seria fundamentalmente a dinamização ativa das condições educativas da cultura, da vida social e dos seus indivíduos e a compensação, normalização ou, até, a reeducação da dificuldade e do conflito social. Portanto, uma educação social assim entendida promove e dinamiza uma sociedade que educa e uma educação que socializa, integra e ajuda a evitar, equilibrar e reparar o risco, a dificuldade ou o conflito social.

Diferentes perspectivas da Educação social: Petrus (1998) percorre as diferentes perspectivas sobre a educação social que foi elaborada a partir da cultura do bem-estar, sendo esta entendida dos seguintes modos:

- Como adaptação: entendida assim, e educação social consistiria na aquisição, por parte do indivíduo, das características intelectuais, sociais e culturais necessárias à sua adaptação e que lhe permitem viver num ambiente social concreto. Deve considerar-se que esta adaptação social se dá ao longo de toda a vida e não apenas em determinados momentos ou fases. A educação social adaptativa é um processo de contínuas adaptações do homem ao meio ambiente. A educação social seria, pois, a expressão do desenvolvimento adaptativo do educando, como ser vivo, às necessidades sociais em permanente mutação.

- Como socialização: A educação social é entendida, por alguns, como o processo que torna possível a integração social dos indivíduos, assimilando as normas, valores e atitudes que lhes permitem uma convivência normalizada. Nesta perspectiva, este tipo de educação consistia numa aprendizagem social que permitiria ao homem à mulher a entrada no grupo social. Cabe aqui falar de três tipos de socialização: a socialização primária é a que se produz, fundamentalmente, no núcleo familiar e refere-se à aprendizagem afetiva dos comportamentos do grupo; a socialização secundária é o resultado das interações que se produzem em nível do ecossistema, com grupos mais gerais e menos afetivos (escola) – com este tipo de socialização consegue-se interiorizar o sistema de valores que as instituições se encarregam de transmitir; por último, falamos de socialização terciária para nos referimos à ressociliação, reeducação social, etc., ou seja, o processo mediante o qual se pretende que um indivíduo se reintegre na

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Sociedade depois de ter revelado condutas anti-sociais, associais o dissociais.

- Como aquisição de competências sociais: A educação entendida deste modo é uma ação educativa que procura que os indivíduos pertencentes a uma determinada sociedade de formem e adquiram as habilidades e competências sociais, consideradas necessárias para alcançar a integração social.

Educar para a participação social implica, fundamentalmente, melhorar as relações em todos os âmbitos relacionais da pessoa, é preparar o homem para atuar com habilidade social no campo das relações laborais, é gerar mudanças de atitude, face à cultura e as outras culturas, é, finalmente, assumir os princípios básicos de uma justa convivência social. A educação social, não só deve dar resposta aos problemas da inadaptação, mas também, entre outras coisas, deve desenvolver e promover a qualidade de vida dos cidadãos, aplicarem estratégias para prevenir os desequilíbrios sociais, etc.

Torna-se assim claro que a função da educação social não se esgota no âmbito da inadaptação social, extra-escolar, no qual se informa o indivíduo. Nesta perspectiva, pode justificar-se a ideia de atender a educação social como paidocenosis, ou seja, como uma ação educadora da sociedade. Este tipo de educação converteu-se num instrumento da inclusão social, mas não deve limitar-se a isso, deve ser um recurso para melhorar a própria sociedade numa constante revisão dos princípios nos quais esta se apoia e a própria educação social, propugnando que uma e outra se fundamentem em princípios éticos e de eficácia.

- Como Educação extra-escolar: alguns autores defendem uma posição excludente relativamente à educação social e utilizam os termos de educação não formal para situá-la, isto é, recorrem ao conceito de extra-escolaridade.

- O âmbito sócio-educativo é o espaço disciplinar onde se realiza a práxis da educação social. Na perspectiva desta ação prima a dimensão social do sujeito, já que este não o é senão no contexto da sua presença na comunidade. Por seu lado, a ação sócio-educativa é entendida como ajuda social, e esta se formula desde o apoio e a mediação social. Aqui é onde entra a educação social que, do mesmo modo que outras disciplinas sociais exercem a mediação para prevenir as situações de escassez e garantir a promoção dos indivíduos.

- A Educação social pretende corrigir a concepção clássica de institucionalização. Nesta concepção, o que se faz é afirmar a ideia d que a educação social não se esgota no não-formal,

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Muito pelo contrário, deve abarcar todos os espaços e todos os momentos, já que o homem se aperfeiçoa em qualquer âmbito – formal ou não-formal e ao longo de sua vida. Na realidade, a educação social promove estratégias didáticas de caráter instrumentalista cujo meio é a autonomia pessoal, independentemente do contexto no qual se encontra o indivíduo.

- A Educação Social é uma prática social que medeia à socialização dos indivíduos. Para articular a sua prática educativa, a educação social obtém fundamentos científicos na pedagogia social. Esta, portanto, articula a intervenção sobre o seu objeto através da educação social, o que lhe confere

Uma natureza epistemológica de tecnologia sócio-educativa e, por seu lado, encontra as balizas científicas na pedagogia social. Assim, a função socializadora é em si mesma, o objeto de intervenção da educação social.

Quintina (1998) atribui à educação social o desenvolvimento da ação educativa que atua sobre a sociedade. A forma de materializar um dos objetivos que são específicos da pedagogia social é cuidar da correta socialização do indivíduo.

A educação Social propõe ações alheias ao subsidiário e ao assistencial. A dimensão educativa da educação social é a que traz qualidade de vida e bem-estar social ao indivíduo (Parcerisa, 199). À sua didática deve promover no indivíduo a sensibilização e tomada de consciência das suas necessidades não sentidas para que estas possam ser percebidas e procuradas (necessidades exprimidas).

A educação social deve intervir naquelas circunstâncias que geram situações de necessidade nas pessoas, sendo esta precisamente a função preventiva, a qual, logicamente, deve antepor-se à crucificação dos problemas.

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Referências Bibliográficas:

ORTEGA, J. (1999). Educación social especializada. Barcelona: Ariel.

PARCERISA, A. (1999). Didáctica en la educación social. Barcelona: Graó.

PETRUS. A. (1998). Pedagogía social. Barcelona: Ariel.

QUINTINA, J.M. 9(1998). Pedagogía social. Madrid: Dikynson

RIERA, J. (1998). Concepto, formación y profesionalización Del educador

Social, El trabajador social e el pedagogo social. Valencia: Nau libres.

Debora Vidal Ribeiro Coimbra
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