Doenças ocupacionais do trabalho: Dort e L.E.R.

Doenças ocupacionais do trabalho: Dort e L.E.R.
ENFERMAGEM
As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Doenças Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) ou Afecções Musculoesquelético Relacionadas ao Trabalho (AMERT) são definidas como um conjunto de doenças do trabalho, que acometem tendões, sinovias, músculos, nervos, fáscias e ligamentos, de forma isolada ou associadamente, com ou sem degeneração de tecidos, atingindo não somente os membros superiores, mas principalmente a região escapular e o pescoço.

Essas doenças são típicas do trabalho intenso e repetitivo e são causadas por diversos tipos de pressões existentes no trabalho, que atacam as pessoas tanto física quanto psicologicamente.

Na idade média era conhecida como a "Doença dos Escribas", que nada mais era do que uma tenossinovite, praticamente desaparecendo depois da invenção da imprensa por Gutemberg.

Ramazzini (o pai da medicina do trabalho), em 1700, também descreve a doença dos escribas e notórios. Em 1895 o cirurgião suíço Fritz de Quervain descrevia o "Entorse das Lavadeiras", atualmente conhecida como Tenossinovite de DeQuervian, um tipo de doença causada por esforço repetitivo.

Mais tarde aparece como "doença das tecelãs" (1920) ou "doença das lavadeiras" (1965).

O problema se amplia a partir da década de 80, quando a doença torna-se um fenômeno mundial, devido a grande evolução do trabalho humano e o aumento do ritmo na vida diária. A LER, entretanto, acentuou-se demasiadamente na década de 1990, com a popularização dos computadores pessoais.
Atualmente, a síndrome que é mais associada ao trabalho informatizado, já representa quase 70% do conjunto das doenças profissionais registradas no Brasil.

A prevenção foi e continua sendo a melhor forma de combate a este tipo de patologia, pois a adoção de posturas e ritmos de trabalho mais adequados são fundamentais.

Quando existe uma suspeita de lesão, o acompanhamento de um profissional torna-se primordial para a correta avaliação e tratamento do funcionário.

A LER também é conhecida como lesão por trauma cumulativo (LTC). Podemos ainda defini-la como um conjunto de doenças que atingem principalmente os membros superiores, atacam músculos, nervos e tendões provocando irritações e inflamação dos mesmos.

A LER é geralmente causada por movimentos repetidos e contínuos com consequente sobrecarga do sistema musculoesquelético. O esforço excessivo, má postura, stress e más condições de trabalho também contribuem para aparecimento da LER.

Em casos extremos pode causar sérios danos aos tendões, dor e perda de movimentos. A LER inclui várias doenças entre as quais podemos citar:

• Tenossinovite;
• Tendinites;
• Epicondilite;
• Síndrome do túnel do carpo;
• Bursite;
• Dedo em gatilho;
• Síndrome do desfiladeiro torácico;
• Síndrome do pronador redondo.
Dentre os mais importantes fatores no desenvolvimento da patologia, observam-se:

• A prolongada posição de segmentos corporais em tensão estática;
• A manutenção de postura inadequada;
• A pressão desencadeada pelo processo de trabalho;
• Uso de ferramentas inadequadas;
• Pausas inadequadas e horas extras de trabalho.

Há diversos relatos que relacionam também lesões em membros superiores com esforços continuados e repetitivos empregados em uma série de tarefas executadas nas indústrias de alimentação, montagens de aparelhos eletroeletrônicos, automóveis, nas empresas de serviços controlados por terminais computadorizados, operadores de telemarketing, entre outros.

Esta doença é a maior e incontrolada fonte de incapacidade na indústria e no comércio e tem consequências sociais e econômicas consideráveis. O custo total do tratamento e afastamento de um caso de LER sem complicações é estimado em US$ 500, e quando há tratamento cirúrgico, em US$ 24.48, sendo que na ocorrência de incapacidade funcional crônica, o custo eleva-se para US$ 80 a 100 mil (YENG, TEIXEIRA e BARBOSA, 1998).

Nos EUA custam bilhões de dólares anualmente. É uma das principais doenças do trabalho. Os americanos chegaram à conclusão de que a solução, também para estes casos, é a prevenção, muito mais “barata” para todos.

Se compararmos a produtividade de um trabalhador estressado, com ambiente de trabalho inadequado, sem conforto, com má postura, que toma duas a três conduções diárias, sem pausas, sem exercícios físicos com um trabalhador em condições opostas veremos que esse último rende muito mais no trabalho.

Segundo estudos da FUNDACENTRO (1991), um de cada três acidentes do trabalho localiza-se nas mãos, sendo responsável por ¼ das jornadas perdidas de trabalho; um de cada dez acidentes na mão conduz à invalidez parcial, representando 1/3 das indenizações de invalidez.

Isso gera um enorme prejuízo ao país, especialmente se adicionarmos à diminuição da produtividade, o pagamento mensal de salários a partir de 160 dias de inatividade por incapacidade total temporária, e os gastos com exames complementares, medicamentos e outros.

Dos pacientes diagnosticados como portadores de LER, a grande maioria é representada por quadros indeterminados de dor regional ou difusa, sendo que apenas uma pequena parcela dos casos apresenta alguma evidência histopatológica de “lesão tecidual’’.

Os termos “esforço” e “repetitivo” pressupõem que uma possível lesão foi causada por forças mecânicas repetitivas aplicadas aos tecidos. Entretanto, não existe uma base convincente para afirmar que os fatores mecânicos compõem a causa primária dos quadros dolorosos e evidenciados, nem existe informação suficiente a respeito da frequência, duração, velocidade, magnitude, ou outras características dessas supostas forças que comprovem sua nocividade.

De acordo com o Código Internacional de Doenças - CID, a doença ocupacional LER, codificada como 727.0/2 pela revisão de 1975, é classificada como Sinovite e tenossinovite, ou seja, inflamação de tecidos sinoviais, termo de ampla abrangência, aplicável a todo e qualquer local do corpo, com ou sem degeneração tecidual.

O diagnóstico não é simples e deve ser investigado o processo de trabalho que resulta no desenvolvimento de tal patologia. Para maior parte dos casos, o termo LER contraria princípios básicos de taxionomia, a ciência das classificações, pois existem situações em que não existem quaisquer alterações morfológicas, bioquímicas ou eletrofisiológicas detectáveis.

Alguns profissionais da saúde parecem acreditar que os pacientes estejam simulando a doença para obter ganhos secundários. Para empresários, até pouco tempo, LER era algo a ser negado por todos os meios possíveis, mas para os sindicatos de trabalhadores, as doenças evidenciam-se como algo a ser explorado com o objetivo de forçar mudanças que melhorem a qualidade de vida dos trabalhadores.

Alguns sociólogos e psicólogos acreditam que LER é a manifestação somática das angústias do nosso tempo, uma espécie de histeria coletiva desencadeada pela organização do trabalho moderno, em pessoas com perfil emocional suscetível (NICOLETTI, 1996).

Para a maioria dos trabalhadores, LER continua sendo fonte de dor e sofrimento, de angústia e de medo sobre o presente e sobre o futuro de sua capacidade de ganhar o seu salário. Considerando, portanto, a importância que essa manifestação patológica apresenta na situação atual, torna-se vital ter uma melhor compreensão de tal ocorrência.

As principais vítimas são digitadores, publicitários, jornalistas, bancários e todos os profissionais que têm o computador como companheiro de trabalho. Ela não é uma doença contagiosa, pois não é causada por bactérias, fungos ou vírus, mas sim por movimentos repetitivos.

Portanto, relembrando a LER é a designação de qualquer doença causada por esforço repetitivo enquanto DORT é o nome dado as doenças causadas pelo trabalho. Alguns especialistas e entidades preferem, atualmente, denominar LER por DORT ou ainda LER/DORT.

As possíveis causas são:

• Posto de trabalho inadequado e ambiente de trabalho desconfortável;
• Atividades no trabalho que exijam força excessiva com as mãos;
• Posturas inadequadas e desfavoráveis às articulações;
• Repetição de um mesmo padrão de movimento;
• Tempo insuficiente para realizar determinado trabalho com as mãos;
• Jornada dupla ocasionada pelos serviços domésticos;
• Atividades esportivas que exijam grande esforço dos membros superiores;
• Compressão mecânica das estruturas dos membros superiores;
• Ritmo intenso de trabalho;
• Pressão do chefe sobre o empregado;
• Metas de produção crescente e preestabelecidas;
• Jornada de trabalho prolongada;
• Falta de possibilidade de realizar tarefas diferentes;
• Falta de orientação de profissional de segurança e ou medicina do trabalho;
• Mobiliário mal projetado e ergonomicamente errado;
• Postura fixa por tempo prolongado;
• Tensão excessiva e repetitiva provocada por alguns tipos de esportes;
• Desconhecimento do trabalhador e ou empregador sobre o assunto.

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