Crianças e novas tecnologias - os perigos para o desenvolvimento saudável

Crianças e novas tecnologias - os perigos para o desenvolvimento saudável
PEDAGOGIA
Sabemos como o avanço da tecnologia e dos ciberespaços tem modificado a cultura da sociedade globalmente. A relação interpessoal e as formas de comunicação estão cada vez mais virtuais para os adultos, adolescentes e muitas crianças, é o que aponta, por exemplo, a pesquisa Tic Kids Online 2012, realizada com 1.580 crianças de adolescentes entre 9-16 anos, e executada pelo Cetib.br (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação). O resultado mostrou que 47% dos entrevistados ficam online todos os dias, 68% disseram acessar redes sociais, 70% tem perfil em alguma mídia, 29% são seguidos por mais de 100 pessoas e 86% exibem sua foto de rosto.


O que assusta é saber como essas influências boas e ruins passam de pais para filhos, e desde a mais tenra idade. Assim como os adolescentes e os adultos não conseguem distinguir vida real e vida virtual, as crianças também são conduzidas pelo mesmo caminho, muitas vezes da pior forma possível, haja vista como é crescente o quantitativo de crianças com os seus Smartphones e Tablets plugados na rede sem qualquer parcimônia.


Os pais, por sua vez, estão perdendo (ou querem mesmo perder) a sua responsabilidade enquanto educador dos seus filhos, fazendo com que estes fiquem horas a fio diante de uma tela de computador, celular ou televisão, com programas que nada enriquecem o seu desenvolvimento cognitivo, emocional, psicomotor e social. Mas, e o que há de errado nisso? Tudo. O resultado de pesquisa realizada nos Estados Unidos divulgou que é cada vez maior o número de crianças menores de 2 anos que usam Tablets e/ou Smartphones (38%). (Fonte: Globo - Bom Dia Brasil). Isso é preocupante já que essas crianças estão sendo privadas das brincadeiras tradicionais, do convívio com outras crianças - que é fundamental para o desenvolvimento humano - a sociabilidade e a interação com o mundo real.


Percebam que são crianças com até 2 anos de idade que estão sendo "acalmadas", "entretidas" e “educadas” com as tecnologias. A culpa? É do adulto, lógico. É ele o responsável por avaliar os malefícios que o uso contínuo poderá causar no desenvolvimento dessa criança. Portanto, troquem os aparelhos digitais pelas brincadeiras saudáveis realizadas em casa ou ao ar livre com os seus filhos ou parentes. Experimente contar histórias infantis, fazer brincadeiras de rua, criar brinquedos com sucatas e descartáveis, fazer passeios ou piquenique, andar de bicicleta, passear pelas ruas do seu bairro/cidade ensinando cultura pra essas crianças.


Enfim, a lista é infindável para que pais e filhos tenham uma vida saudável, sustentável e rica em imaginação, criatividade, interação e alegrias no mundo real. Pois além da consciência contra o consumismo vocês estarão conduzindo essa criança para o seu melhor desenvolvimento bio-psico-social na sua vida real, e não virtual. Afinal, é preocupante pensar como essa cultura tecnológica deixará as crianças cada vez mais vulneráveis nos ciberespaços, como o uso da rede social Facebook e WhatsApp por exemplo.

Infelizmente, muitos pais e responsáveis não acompanham os caminhos pelos quais os filhos estão se relacionando virtualmente: sites de pornografias, jogos, amizades escusas, pedofilias, compartilhamento de fotos e vídeos, abertura pra o mundo do crime, das drogas, dos insultos digitais que geralmente são realizados contra outras pessoas ou grupos, acesso a propagandas eróticas e apelo ao consumismo, manipulação e tudo aquilo que pode perverter a qualidade de vida emocional, espiritual, moral, social, mental e até física de uma criança e de um adolescente ainda em formação.


Outra área que também é prejudicada é a aprendizagem. Isso porque a tecnologia causa dependência, e quando não usada moderadamente trará prejuízos nos estudos e nas relações sociais destas crianças. Já parou para pensar como atualmente as crianças, os jovens e os adultos se relacionam? Embora conectados na rede ou até mesmo convivendo no mesmo espaço, muitas vezes vivem isolados em seu próprio mundo virtual em oposição à vida real. As relações de amizade, família, amorosa e profissional estão com ar de indiferença e superficialidade. As pessoas já não se tocam, não se olham, não trocam palavras verbalmente – tudo é virtual, distante, superficial.


Diante deste cenário é importante que os adultos estejam cada vez mais presentes na educação doméstica dos seus filhos, tendo o senso crítico sobre possibilidades e limites, sempre aconselhando, corrigindo e ensinando o melhor caminho na vida dentro e fora do espaço virtual. Afinal, sabemos com as crianças e os adolescentes ainda são vulneráveis em seus pensamentos e atos. E para os educadores, é importante também que eles estejam atentos a todo e qualquer comportamento impróprio. São ações aparentemente difíceis no momento, mas que serão válidas para a formação e o futuro saudável dessa geração cada vez mais conectada neste mundo virtual e globalizado.

Joelma de Medeiros Ramos
Pedagoga, com especializações em Educação a Distância e Psicopedagogia. É curiosa por assuntos sobre desenvolvimento e comportamento humano, aprendizagem, tecnologias na educação, educação a distância e gestão de pessoas e, por isso, criou o Blog Caminhos para Desenvolver - http://caminhosparadesenvolver.blogspot.com.br/
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