Tipos de Interação entre Duas Espécies

Tipos de Interação entre Duas Espécies
BIOLOGIA
Teoricamente, populações de duas espécies podem interagir de formas básicas que correspondem a combinações de 0, + e -, como se segue: 00, --, ++, +0, -0, e +-. Estas combinações resultam em nove interações importantes que têm sido demonstradas. Elas são as seguintes: (1) neutralismo, na qual nenhuma população é afetada pela associação com outra; (2) competição do tipo de inibição mútua, na qual as duas populações inibem ativamente uma à outra; (3) competição do tipo uso de recursos, na qual cada população afeta adversamente a outra, de forma indireta, na luta por recursos limitados; (4) amensalismo, no qual uma população é inibida e a outra não é afetada; (5) parasitismo e (6) predação, nos quais uma população afeta adversamente a outra através de um ataque direto, dependendo, entretanto da outra; (7) comensalismo, no qual uma população é beneficiada, enquanto a outra não é afetada; (8) protocooperação, na qual as duas populações são beneficiadas pela associação, embora as relações não sejam obrigatórias; e (9) mutualismo, no qual o crescimento e a sobrevivência das duas populações são beneficiados e nenhuma das duas consegue sobreviver em condições naturais, sem a outra.



Três princípios baseados nestas categorias são especialmente dignos de ênfase:

1- Interações negativas tendem a predominar em comunidades pioneiras ou em condições perturbadas, onde a seleção neutraliza uma alta mortalidade;

2- Na evolução e desenvolvimento dos ecossistemas, as interações negativas tendem a ser minimizadas em favor da simbiose positiva, que melhora a sobrevivência das espécies interativas;

3- Associações recentes ou novas têm maior probabilidade de desenvolver interações extremamente negativas do que associações mais antigas.


Uma população muitas vezes afeta o crescimento ou taxa de mortalidade de outra população. Assim, os membros de uma população podem alimentar-se de membros de outra população, competir por alimento, excretar dejetos nocivos ou interferir de alguma forma com outra população. Igualmente, as populações podem ajudar umas as outras, a interação sendo ou unidirecional ou recíproca.


Competição Interespecífica e Coexistência

No sentido mais amplo, a competição refere-se à interação de dois organismos que procuram a mesma coisa. A competição interespecífica é qualquer interação que afeta adversamente o crescimento e sobrevivência de duas ou mais populações de espécies. Ela pode existir em duas formas. A tendência de a competição provocar uma separação ecológica entre espécies estreitamente aparentadas ou que, por outros motivos, têm uma grande semelhança é denominado princípio da exclusão competitiva. Simultaneamente, a competição provoca muitas adaptações seletivas que facilitam a coexistência de uma diversidade de organismos numa dada área ou comunidade.

Os ecólogos geneticistas e evolucionistas já escreveram muito sobre a competição interespecífica. De um modo geral, utiliza-se a palavra "competição" em situações onde as influências negativas devem-se a uma escassez de recursos utilizados pelas duas espécies. As interferências recíprocas diretas tais como predação mútua ou a secreção das substâncias nocivas, podem ser colocadas em outra categoria, muito embora não haja em termo especial de uso consagrado para estes tipos de interação. Contudo a palavra alelopatia agora é geralmente usada para a secreção de mensageiros químicos (também chamados de substâncias aleloquímicas), que forneçam uma vantagem competitiva de uma espécie sobre a outra.


A interação competitiva muitas vezes envolve o espaço, o alimento, os nutrientes, a luz, os dejetos, suscetibilidade a carnívoros, doenças etc. e muitos outros tipos de interação mútua. Os resultados da competição são do máximo interesse, tendo sido estudados como um mecanismo da seleção natural. A competição interespecífica pode resultar em ajustamentos no equilíbrio pelas duas espécies ou, se for intensa, ela pode fazer com que a população de uma espécie substitua a outra ou force a outra a ocupar outro espaço ou utilizar outro alimento, dependendo da base da ação competitiva.


Organismos estreitamente aparentados, que possuem hábitos ou morfologia semelhantes, muitas vezes não ocorre nos mesmos lugares. Quando realmente ocorrem nos mesmos lugares, frequentemente eles exploram recursos diferentes ou são ativos em horas diferentes. A explicação pela separação ecológica de espécies estreitamente aparentadas (ou semelhantes por outros motivos) veio a ser conhecida como princípio de Gause, em homenagem ao biólogo russo que, em 1932, observou pela primeira vez essa separação em culturas experimentais, ou como princípio da exclusão competitiva.




Predação, Herbivoria, Parasitismo e Alelopatia (Antibiose)


A predação e o parasitismo são exemplos familiares de interações entre duas populações que resultam em efeitos negativos no crescimento e sobrevivência de uma população e em um efeito positivo ou benéfico na outra. Quando o predador é um consumidor primário (geralmente um animal), e a presa ou "hospedeiro" é um produtor primário (planta), a interação é denominada herbívora. Quando uma população produz uma substância prejudicial a uma população competidora, o termo alelopatia ou antibiose muitas vezes é usado para descrever a interação. Consequentemente, existe uma variedade de relações " + -".
Os efeitos negativos tendem a ser pequenos em termos quantitativos quando as populações interativas tiveram uma história evolutiva comum num ecossistema relativamente estável. Em outras palavras, a seleção natural tende a levar a uma redução nos efeitos prejudiciais, ou a eliminação total da interação, uma vez que a depressão intensa contínua de uma população de presa ou hospedeiro por parte da população do predador ou parasita só pode levar à extinção de uma ou de ambas as populações. Consequentemente, um grave impacto é observado mais frequentemente quando a interação é de origem recente (nos primeiros momentos da associação entre duas populações), ou quando ocorreram no ecossistema mudanças de larga escala ou repentinas (talvez temporárias) como poderiam ser produzidas pelo ser humano.
Interações Positivas: Comensalismo, Cooperação e Mutualismo.



Associações entre duas populações de espécies que resultam em efeitos positivos são muito difundidas e provavelmente são tão importantes quanto a competição na determinação da natureza das populações e comunidades quanto a competição, o parasitismo, etc., na determinação da natureza das populações e comunidades. Interações positivas podem ser consideradas convenientemente numa série evolutiva da seguinte maneira: comensalismo - uma população é beneficiada; protocooperação - as duas populações são beneficiadas; e mutualismo - as duas populações são beneficiadas, tornando-se totalmente dependentes uma das outra.



A larga aceitação da ideia darwiniana da "sobrevivência do mais apto" como meio importante de se realizar a seleção natural, dirigiu a atenção aos aspectos competitivos da natureza. Em consequência, a importância da cooperação entre as espécies na natureza foi subestimada. Até recentemente, as interações positivas não têm recebido tanto estudo quantitativo como as interações negativas. Seria lógico supor-se que as relações negativas e positivas entre populações tendem, no final, a se equilibrarem, os dois tipos sendo igualmente importantes na evolução das espécies e na estabilização do ecossistema.


O comensalismo representa um tipo simples de interação positiva, representando, talvez, o primeiro passo em direção ao desenvolvimento de interações benéficas. Ele é particularmente comum entre as plantas e animais sésseis, por um lado, e organismos móveis, por outro. O oceano é um lugar particularmente bom para se observar o comensalismo. Praticamente todo túnel de ventre, toda concha ou toda esponja contém vários inquilinos não convidados, organismos que precisam do abrigo do hospedeiro, sem retribuir com benefícios nem com prejuízos. As ostras, às vezes hospedam um pequeno caranguejo delicado na cavidade do manto. Estes caranguejos geralmente são comensais, embora, às vezes, abusem da sua qualidade de hóspede comendo os tecidos do hospedeiro.
Daqui falta um curto passo para uma situação em que dois organismos ganham com uma associação ou interação de algum tipo; esta relação chama-se protocooperação. Os caranguejos e celenterados muitas vezes associam-se com beneficio mútuo. Os celenterados vivem nas carapaças dos caranguejos (ou, às vezes, são plantados ali pelos caranguejos), fornecendo camuflagem e proteção (uma vez que os celenterados possuem células peçonhentas). Em troca, os celenterados são transportados e um lugar para outro, obtendo partículas de alimento quando o caranguejo captura e consome outro animal. No exemplo anterior, o caranguejo não depende totalmente do celenterado, nem vice-versa. Um passo a mais na cooperação ocorre quando cada população torna-se completamente dependente da outra.



Tais casos foram chamados de mutualismo ou simbiose obrigatória. Muitas vezes, tipos bem diversos de organismos associam-se. De fato, casos de mutualismo são mais prováveis de se desenvolverem entre organismos com necessidades bem diferentes. Organismos com necessidades semelhantes provavelmente originarão um competição. Os exemplos mais importantes de mutualismo desenvolvem-se entre autótrofos e heterótrofos, o que não é surpreendente, porque esses dois componentes do ecossistema devem, no final, atingir algum tipo de simbiose equilibrada. Exemplos que poderiam ser rotulados como mutualismo vão além desta interdependência comunitária geral, ao ponto de um determinado tipo de heterótrofo tornar-se completamente dependente de um determinado tipo de autótrofo para o seu alimento, este último tornando-se da proteção, ciclagem de minerais ou de alguma outra função vital fornecida pelo heterótrofo.



Os vários tipos de associação entre microrganismos fixadores de nitrogênio e vegetais superiores são um exemplo. O mutualismo também é comum entre microrganismos que conseguem digerir a celulose e outros resíduos vegetais resistentes e animais que não possuem os necessários sistemas enzimáticos para este processo. Como já foi sugerido, o mutualismo parece substituir o parasitismo à medida que os ecossistemas evoluem em direção à maturidade e parece ser especialmente importante quando algum aspecto limitante (solo infértil), tanto que a cooperação mútua tem uma forte vantagem seletiva. A maneira como estas relações mutuamente benéficas iniciam-se e fixam-se geneticamente no mundo da luta pela existência, no sentido de Darwin, é um assunto controverso da genética populacional.


Interações Positivas: Comensalismo, Cooperação e Mutualismo.

Associações entre duas populações de espécies que resultam em efeitos positivos são muito difundidas e provavelmente são tão importantes quanto a competição na determinação da natureza das populações e comunidades quanto a competição, o parasitismo, etc., na determinação da natureza das populações e comunidades. Interações positivas podem ser consideradas convenientemente numa série evolutiva da seguinte maneira: comensalismo - uma população é beneficiada; protocooperação - as duas populações são beneficiadas; e mutualismo - as duas populações são beneficiadas, tornando-se totalmente dependentes uma das outra.



A larga aceitação da ideia darwiniana da "sobrevivência do mais apto" como meio importante de se realizar a seleção natural, dirigiu a atenção aos aspectos competitivos da natureza. Em consequência, a importância da cooperação entre as espécies na natureza foi subestimada. Até recentemente, as interações positivas não têm recebido tanto estudo quantitativo como as interações negativas. Seria lógico supor-se que as relações negativas e positivas entre populações tendem, no final, a se equilibrarem, os dois tipos sendo igualmente importantes na evolução das espécies e na estabilização do ecossistema.


O comensalismo representa um tipo simples de interação positiva, representando, talvez, o primeiro passo em direção ao desenvolvimento de interações benéficas. Ele é particularmente comum entre as plantas e animais sésseis, por um lado, e organismos móveis, por outro. O oceano é um lugar particularmente bom para se observar o comensalismo. Praticamente todo túnel de ventre, toda concha ou toda esponja contém vários inquilinos não convidados, organismos que precisam do abrigo do hospedeiro, sem retribuir com benefícios nem com prejuízos. As ostras, às vezes hospedam um pequeno caranguejo delicado na cavidade do manto. Estes caranguejos geralmente são comensais, embora, às vezes, abusem da sua qualidade de hóspede comendo os tecidos do hospedeiro.



Daqui falta um curto passo para uma situação em que dois organismos ganham com uma associação ou interação de algum tipo; esta relação chama-se protocooperação. Os caranguejos e celenterados muitas vezes associam-se com beneficio mútuo. Os celenterados vivem nas carapaças dos caranguejos (ou, às vezes, são plantados ali pelos caranguejos), fornecendo camuflagem e proteção (uma vez que os celenterados possuem células peçonhentas). Em troca, os celenterados são transportados e um lugar para outro, obtendo partículas de alimento quando o caranguejo captura e consome outro animal. No exemplo anterior, o caranguejo não depende totalmente do celenterado, nem vice-versa. Um passo a mais na cooperação ocorre quando cada população torna-se completamente dependente da outra.



Tais casos foram chamados de mutualismo ou simbiose obrigatória. Muitas vezes, tipos bem diversos de organismos associam-se. De fato, casos de mutualismo são mais prováveis de se desenvolverem entre organismos com necessidades bem diferentes. Organismos com necessidades semelhantes provavelmente originarão um competição. Os exemplos mais importantes de mutualismo desenvolvem-se entre autótrofos e heterótrofos, o que não é surpreendente, porque esses dois componentes do ecossistema devem, no final, atingir algum tipo de simbiose equilibrada.
Exemplos que poderiam ser rotulados como mutualismo vão além desta interdependência comunitária geral, ao ponto de um determinado tipo de heterótrofo tornar-se completamente dependente de um determinado tipo de autótrofo para o seu alimento, este último tornando-se da proteção, ciclagem de minerais ou de alguma outra função vital fornecida pelo heterótrofo. Os vários tipos de associação entre microrganismos fixadores de nitrogênio e vegetais superiores são um exemplo. O mutualismo também é comum entre microrganismos que conseguem digerir a celulose e outros resíduos vegetais resistentes e animais que não possuem os necessários sistemas enzimáticos para este processo.


Como já foi sugerido, o mutualismo parece substituir o parasitismo à medida que os ecossistemas evoluem em direção à maturidade e parece ser especialmente importante quando algum aspecto limitante (solo infértil), tanto que a cooperação mútua tem uma forte vantagem seletiva. A maneira como estas relações mutuamente benéficas iniciam-se e fixam-se geneticamente no mundo da luta pela existência, no sentido de Darwin, é um assunto controverso da genética populacional.

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