Saúde Pública e Meio Ambiente

Saúde Pública e Meio Ambiente
BIOLOGIA
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde não apenas como a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social. A VIII Conferência Nacional de Saúde Pública, realizada em 1986, marco importante na discussão no Brasil da relação saúde/doença, ampliou esse conceito, incluindo na definição de saúde o acesso a condições de vida e trabalho, bem como o acesso igualitário de todos aos serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde, colocando como uma das questões fundamentais a integridade da atenção à saúde e a participação social.

Nos últimos anos, tem-se observado que a finalidade dos projetos de saneamento tem saído de sua concepção sanitária clássica, recaindo em uma abordagem ambiental, que visa não só promover a saúde do homem, mas, também, a conservação do meio físico e biótipo. Com isso, a avaliação ambiental dos efeitos dos sistemas de saneamento nas cidades consolidou-se como uma etapa importante no processo de planejamento, no que se refere à formulação e seleção de alternativas e à elaboração e detalhamento dos projetos selecionados.

A compreensão dessas diversas relações revela-se um pressuposto fundamental para o planejamento dos sistemas de saneamento em centros urbanos, de modo a privilegiar os impactos positivos sobre a saúde pública e sobre o meio ambiente. Ressalta-se que o conceito de saneamento compreende os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, a coleta e disposição de resíduos sólidos, a drenagem urbana e o controle de vetores.

O planejamento e gerenciamento do conjunto de sistemas que compõem o saneamento do meio devem cumprir com objetivos sanitários o atendimento a padrões de potabilidade da água distribuída à população; coleta, tratamento e destinação de resíduos com eficiência que atenda a padrões legais, evitando, desse modo, riscos de agravo à saúde e à qualidade de vida, e proteção ambiental.

Os objetivos estéticos também devem ser observados, uma vez que a poluição dos ecossistemas poderá interferir nos usos desejáveis, impedindo atividades de lazer, circulação, trabalho e habitação, por exemplo.

As questões ambientais e de saúde conhecem novos desafios em função dos avanços da humanidade engendrados pelo desenvolvimento, que impacta de maneira importante o ecossistema e a qualidade de vida das pessoas nacional e internacionalmente. Essas alterações, que encontram correspondência na dimensão individual (com implicações significativas nas condições de saúde), vêm imprimindo estilos de vida com baixa sustentabilidade para comportamentos considerados saudáveis.

Cada vez mais organismos multilaterais, cientistas e militantes de movimentos ecológicos alertam para a tendência mundial de agravamento dos riscos ambientais, evidenciando que a produção e a distribuição dos riscos ampliam as vulnerabilidades da espécie humana. Apesar destas visões, persiste uma situação crítica que coloca em risco a saúde da população, com comprometimento da qualidade da água e ar associados a processos contínuos de desequilíbrio do ecossistema.

       

O informe da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o ano de 2002, intitulado Reducir los riesgos y promover una vida sana, mostra um paradoxo mundial do consumo, acentuando a clivagem entre países ricos e pobres.

Muitos dos riscos examinados nesse informe são produzidos pelo paradoxo do consumo insuficiente entre os pobres e excessivos no caso dos privilegiados. Principalmente nos conglomerados urbanos persiste a manifestação de um quadro de enfermidades não transmissíveis associadas aos maus hábitos e aos alimentos, coexistindo com a desnutrição em áreas mais pobres.

Segundo a OMS (2002), pode-se considerar estes os dez riscos regionais e mundiais mais importantes para a falta da saúde: insuficiência ponderal, práticas sexuais de risco, hipertensão arterial, tabagismo, alcoolismo, água insalubre, saneamento e higiene insuficientes, carência de ferro, fumaça de combustíveis sólidos em espaços fechados, hipercolesterolemia e obesidade.

Juntos, estes fatores são responsáveis por mais de um terço de toda mortalidade mundial. A maioria dos fatores de risco examinados nesse informe guarda estreita relação com os hábitos de vida, e em particular com o consumo excessivo ou insuficiente. No extremo oposto da pobreza se encontra a sobrealimentação, qualificada como sobreconsumo.

Na esteira dessa realidade observa-se que os riscos comuns relacionados às sociedades ricas (tais como hipertensão arterial, hipercolesterolemia, tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e sedentarismo) e enfermidades associadas predominam em todos os países de ingressos medianos e altos. Mais dramático ainda é o quadro prevalente nos países periféricos, com nítida acumulação epidemiológica, onde se origina uma dupla carga ao somar-se às enfermidades infecciosas, com maior incidência nestes países, as não transmissíveis produzidas pelas novas condições de produção e consumo do mundo moderno.

Em relação a esta última tendência, o que se pode observar é que ainda persiste uma expansão rápida de epidemias relacionadas a tais enfermidades que provocam em torno de 60% da mortalidade mundial e que, por sua vez, guarda uma relação manifesta com a evolução dos hábitos alimentares, com o consumo constante de alimentos industrializados, com alto teor de gorduras, salgados ou açucarados.

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