Relação entre Espécies

Relação entre Espécies
BIOLOGIA

A sobrevivência e reprodução determinam as taxas de crescimento populacional e o ajustamento evolutivo de indivíduos dentro das populações. E dependem de quão bem o indivíduo lida tanto com os fatores biológicos quanto com os fatores físicos de meio ambiente. Para reproduzir, os indivíduos devem obter recursos suficientes para defender territórios, atrair parceiros, produzir ovos e acumularem descendentes. Para sobreviver, eles devem tolerar o estresse físico do ambiente e também evitar a detecção e captura pelos predadores e a infecção pelos organismos patogênicos.

As plantas e os animais utilizam diversas estruturas e comportamentos para obter comida e evitar que sejam comidos ou parasitados. De fato, essa diversidade é uma das mais marcantes características da vida. Cada tipo de organismo tem seu lugar próprio na natureza. Muito dessa diversidade resultou da seleção natural agindo nos caminhos através dos quais os vegetais e os animais procuram recursos e escapam da predação. A marca nas asas que fazem com que a mariposa se confunda com o fundo de seus locais de repouso durante o dia as capacitam a escapar de serem notadas pela maioria dos predadores. Por suas persistentes cores e fragrâncias, as flores chamam a atenção para si e atraem os insetos e pássaros que carregam o pólen de uma flor para outra efetuando a fertilização.

Os agentes cuja influência tem formado essas adaptações são biológicos, e seus efeitos diferem daqueles dos fatores físicos de duas maneiras. Primeiro, os fatores biológicos trazem à tona atributos interativos; o predador forma a adaptação de sua presa para a fuga, mas a sua própria adaptação para a perseguição e captura é formada, exatamente como se esperaria, pela presa. Segundo, os fatores biológicos tendem a diversificar as adaptações mais do que promover similaridade. Em resposta ao estresse físico do ambiente, muitos tipos de organismos chegam a soluções semelhantes. Deste modo, a maioria das plantas do deserto reduziu ou dividiu finamente as folhas para minimizar o estresse por calor e a perda de água. Mas, em resposta aos fatores biológicos em seus ambientes, cada organismo se especializa, perseguindo um sortimento diferenciado de presas, esforçando-se para evitar um conjunto de predadores e organismos patológicos, e engajarem-se em arranjos cooperativos com um único conjunto de polinizadores, dispersores de sementes, ou microorganismos intestinais.

Tipos de interação entre Espécies

As relações entre as espécies caem convenientemente em três grandes categorias definidas pelo efeito de interação em cada um dos grupos. Eles estão resumidos abaixo.

Categorias de relacionamento entre espécies
Efeito da interação

Tipo de interação Espécie 1 Espécie 2
Competição Negativo (-) Negativo (-)
Consumidor-recurso Positivo (+) p/ o consumidor Negativo (-) p/ o recurso
Mutualismo Positivo (+) Positivo (+)

O consumo cobre todos os tipos de interações, incluindo aquelas entre herbívoros e plantas e aquelas entre os parasitos e os seus hospedeiros. Estas são as mais fundamentais interações na natureza porque tudo deve comer, e a maioria dos organismos arrisca-se a ser comida. As relações predador-presa, herbívoro-planta, e parasito-hospedeiro são todas casos especiais de relações consumidor-recurso, que organizam as comunidades biológicas numa série de cadeias de consumidores. Nós as vimos antes sob o ponto de vista de cadeias alimentares. Em todas as interações, consumidor-recurso, se por um lado o consumidor se beneficia podendo sua população aumentar, por outro lado os recursos sofrem, tanto no nível individual como no populacional. Deste modo, enquanto a energia e os nutrientes movem-se na cadeia alimentar para cima, os mecanismos de controle populacional e a seleção natural exercem sua influência em ambas as direções.

O mutualismo e a competição assemelham-se um ao outro somente pelo fato de que os efeitos de populações que interagem são mais ou menos recíprocos. Os mutualistas se beneficiam uns aos outros. O fungo do micorrizo extrai do solo nutrientes inorgânicos que a planta pode usar, e a planta supre o fungo com carboidratos para a energia do metabolismo; a flor proporciona a abelha suprimento de néctar, e a abelha carrega o pólen entre as plantas executando a fertilização. Na maioria das casos, cada membro da associação mutualista é especializado para executar uma função complementar com o outro. No líquens, uma alga fotossintética se junta a um fungo que pode obter nutrientes de substratos difíceis, tais como cascas de árvores ou superfícies rochosas. Tais associações íntimas, nas quais os membros formam uma entidade distinta, são denominadas simbioses (mutualismo, protocooperação e comensalismo), literalmente, "viver junto".

A competição acontece quando muitas espécies procuram pelos mesmos recursos, e o efeito depressor que cada um tem na disponibilidade dos recursos comuns arena adversamente os outros. Esta relação surge sempre que duas cadeias de consumidores se encontram. Usualmente, os indivíduos competem indiretamente através de seus efeitos mútuos nos recursos compartilhados. Menos freqüentemente, quando os consumidores podem proveitosamente defender seus recursos, os competidores podem interagir diretamente através de vários comportamentos antagônicos. Os beija-flores atacam outros beija-flores, para não mencionar abelhas e borboletas, em arbustos floridos. Esponjas incrustadas usam substâncias químicas venenosas para dominar outras espécies de esponjas à medida que se expandem preenchendo o espaço aberto em superfícies rochosas.

Em todo o caso, as interações entre espécies envolvem adaptações de cada grupo para reduzir os efeitos negativos da interação e para aumentar seus efeitos positivos. No caso do mutualismo, os participantes cooperam, e podemos esperar um razoável grau de coordenação mútua de suas estruturas e funcionamento. No caso de predador e presa, cada um , cada um compete para tirar vantagem do outro, e novas adaptações continuamente surgem para inclinar a balança em favor de um ou de outro. Este jogo evolutivo para trás e para frente tem gerado um conjunto de mecanismos fascinantes para "comer" e para evitar "ser comido".

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