Diferentes formas de obtenção de alimentos - Uma questão de sobrevivência

Diferentes formas de obtenção de alimentos - Uma questão de sobrevivência
BIOLOGIA
Resumo

Este estudo demonstra que animais de diferentes espécies necessitam alimentar-se, para assim, extrair nutrientes, a fim de permitir a sua sobrevivência. O regime alimentar dos animais recebem três denominações: carnívoro, herbívoro e omnívoro. Enquanto o conjunto de ações que promovem a procura, captura e consumo de alimentos se denomina comportamento alimentar. Características próprias foram adquiridas por cada grupo, com diferentes regimes de alimentação. No grupo dos carnívoros os grandes felinos apresentam normalmente, pescoços curtos e fortes, os maxilares são poderosos, com dentes incisivos pequenos e caninos compridos, curvos e afiados, que servem para capturar e matar as presas. Nos herbívoros destaca-se o sistema digestivo um tanto mais longo e complexo, por se alimentar de folhas e outros alimentos ricos em fibras e pobre em energia, esta característica se faz necessária para melhor absorção dos nutrientes. Os animais omnívoros buscam seus alimentos em diferentes ambientes, como o terrestre e aquático. Neste grupo, o homem contou com seu desenvolvimento intelectual, que determinou diferenças em relação a outros animais para a captura de alimentos.

Introdução

A alimentação é uma das atividades importante de qualquer organismo vivo. Os animais necessitam de energia para desenvolver-se, para movimentar-se, para localizar os seus parceiros e se reproduzirem e para restabelecer-se de doenças ou ferimentos. Pelos alimentos os seres vivos adquirem a energia necessária à sua sobrevivência.

Conforme descreve Reis, “cada animal passa grande parte do seu tempo a comer ou a procurar alimento e possui um processo próprio para capturá-lo. O conjunto de ações que permitem que um animal procure, capture e consuma o alimento designa-se por comportamento alimentar. [...]. O comportamento alimentar de cada animal, tal como o seu regime alimentar, depende não só dos órgãos de captura ou de recolha de que dispõe, mas também das suas preferências alimentares, visto que apenas escolhe, usando os órgãos dos sentidos, determinados alimentos, de entre os disponíveis. Por vezes, existem espécies diferentes, com o mesmo tipo de órgãos de captura e recolha, mas que apresentam diferentes regimes alimentares, o que significa que possuem diferentes preferências alimentares”.

No entanto, os animais não se alimentam todos de forma idêntica e os alimentos que comem são muito variados. É por este motivo que se diz que existem diferentes regimes alimentares e formas de captura de alimentos.

Segundo Boos Junior, Roussenq Neto e Mello Junior (2007, p.47), “a captura seria a forma de como os animais irão adquirir e ingerir o alimento o que requer por parte dos animais algumas estratégias. Os animais adquirem o alimento do meio através de grande diversidade de métodos mecânicos. Essa diversidade irá determinar na prática, o tipo de alimento que uma espécie animal poderá obter e utilizar”.

Os animais podem ter três tipos de regimes alimentares: ser carnívoros, herbívoros ou omnívoros e promover diversas formas de captura e consumo de alimentos.
Captura e a base alimentar do grupo carnívoros

Na busca de alimentos que garanta a energia necessária a sua sobrevivência, diferentes espécies e grupos de animais tais como: mamíferos, répteis, anfíbios e aves têm no seu regime alimentar a ingestão de carne para atender suas necessidades nutricionais.

Os mamíferos muito conhecidos por serem carnívoros são os grandes felinos, que como características e adaptações apresentam normalmente, pescoços curtos e fortes. Os seus maxilares são poderosos, com incisivos menores e caninos longos, curvos e afiados, que permitem capturar e matar as presas. Outras adaptações foram necessárias para tornarem-se grandes caçadores no ambiente em que vivem e assim terem alimentos para sua sobrevivência. A cor facilita-lhes a camuflar-se, a audição e a visão são sentidos muito aguçados, a estrutura muscular é muito desenvolvida, permitindo-lhes corridas velozes, as garras são muito resistentes, curvadas e afiadas, possibilitando-lhes enormes probabilidades para capturar as presas e subir nas árvores.

A maioria dos répteis e anfíbios é carnívora, que buscam os seus alimentos na água, no solo e até nas árvores. Vários répteis possuem dentes (como o jacaré), usados para capturar e matar as presas, mas nunca para mastigá-las, pois comumente engolem-nas inteiras ou em grandes pedaços. Os dentes podem também estar transformados para inocular veneno, como ocorre no caso das serpentes que usam veneno para neutralizar ou matar os animais de que se alimentam. Os anfíbios possuem dentes muito pouco desenvolvidos e muitos utilizam somente a língua como mecanismo de captura. É o caso da rã, que lança a língua para capturar insetos, que permanecem colados nas substâncias adesivas que ela contém.

Já as aves de rapina, como as águias e os falcões, têm bicos robustos, curvos, pontiagudos e unhas afiadas para capturar e dilacerar a carne de suas presas. Outras espécies de ave como a garça e o alfaiate têm patas muito longas, para caminharem em águas rasas, onde capturam os animais pequenos de que se alimentam.

Captura e a base alimentar do grupo herbívoros

Os herbívoros não têm dentes caninos ou quando possuem são muito pequenos, porque estes não são necessários para a captura dos alimentos indispensáveis a sua dieta alimentar. Porém, em sua dentição os incisivos são desenvolvidos para cortar as plantas, e molares grandes e ásperos, já que os produtos vegetais precisam ser bem triturados por serem fibrosos e difíceis de digerir.

Uma das características dos herbívoros é possuir o sistema digestório mais longo e complexo comparado ao dos carnívoros, por se alimentar de folhas e outros alimentos ricos em fibras e pobre em energia, este maior tamanho se faz necessário para uma melhor eficácia na absorção dos nutrientes.

O grupo dos herbívoros é formado por dois subgrupos: animais ruminantes e os monogástricos (não ruminantes). Os mamíferos que se alimentam de matéria vegetal dependem, para a sua digestão, de populações microbianas que se encontram no aparelho digestivo. Esta população formada por bactérias e protozoários em perfeita simbiose quebra as moléculas de celulose e a transforma em glicose, e nas mitocôndrias através de reações de oxirredução em energia, necessária a sua sobrevivência.

O subgrupo dos ruminantes (ovelhas, bois, veados, camelos) se caracteriza por possuir um aparelho digestivo dividido em quatro compartimentos: rúmen, retículo, omaso e abomaso. O processo de digestão do alimento consiste inicialmente na ingestão e mais tarde o mesmo ser regurgitado. Outra vez na boca, o alimento vegetal é mastigado e reduzido a partículas menores que serão fermentadas pelas populações microbianas existentes num dos compartimentos, o rúmen. Ao método de mastigação do alimento após a primeira ingestão dá-se o nome de ruminação. Após esta primeira etapa os alimentos passam para os outros compartimentos existentes para serem processados e absorvidos os nutrientes. O subgrupo dos não ruminantes (cavalos, jumentos, muares), a digestão dos alimentos também será subsidiada pela ação de microrganismos (bactérias, protozoários), mas o método é um pouco diferente. Conforme descreve Boos Junior, Roussenq Neto e Mello Junior (2007, p.57), “certos animais irão apresentar um estômago grande e com diversos compartimentos. Com isso, o processo digestivo irá assemelhar-se aos dos ruminantes, porém, em outros animais, a fermentação do bolo alimentar à base de celulose se dará em uma porção inicial dilatada denominada ceco”.

Captura e a base alimentar do grupo omnívoros

Há um grupo de animais que tanto se alimentam de produtos de origem animal, como de produtos de origem vegetal, são os omnívoros, como o porco, o urso e o próprio homem. Os animais omnívoros podem buscar seus alimentos em diferentes ambientes, como o terrestre e aquático.

As adaptações evolutivas a fim de melhorar a captura de alimentos, tal como ocorreu nos carnívoros, os mamíferos omnívoros apresentam uma dentição completa. Os seus caninos são geralmente menores do que os dos carnívoros e os molares trazem constituições intermediárias entre os molares dos carnívoros e os dos herbívoros. Trata-se de uma dentição apropriada para um regime alimentar misto, constituído por animais e vegetais. Assim, também seu intestino terá um tamanho médio (comparado ao maior tamanho dos herbívoros e o menor dos carnívoros) capaz de extrair os nutrientes necessários a sua sobrevivência das várias fontes de alimentos.

Dentro do grupo dos omnívoros, o homem como qualquer outro ser vivo, desde a origem, sempre lutou pela sua existência. No entanto, na luta pela sobrevivência, o ser humano contou com seu crescimento intelectual, que produziu diferenças em relação a outros animais para a captura e consumo de alimentos. A fabricação e o aperfeiçoamento de ferramentas, o incremento da agricultura e pecuária, bem como de técnicas cerâmicas e metalúrgicas, nasceram do empenho de grupos humanos para garantir sua sobrevivência.

Conclusão

Diante do exposto, fica clara a necessidade dos seres vivos, indiferentemente das espécies, de alimentar-se para garantir a sua sobrevivência. Em busca destes alimentos cada grupo com características próprias, cria um conjunto de ações que permite a procura, captura e consumo de alimento inerente a seu comportamento alimentar.

Estas diferentes formas de se obter os alimentos faz com que se criem grupos alimentares, que às vezes utilizando-se do mesmo alimento tenha uma forma diferente de ingestão e extração dos nutrientes. Devido à complexidade do assunto, do enorme número de animais existentes não relatados neste trabalho, e de forma que o objetivo da proposta seja amplamente pesquisado, recomenda-se que façam novos estudos sobre o tema.

Referências

BOOS JUNIOR, Harry; ROUSSENQ NETO, Júlio; MELLO JUNIOR, Leonidas J. Fisiologia. 2. ed. Indaial: Asselvi, 2007.

REIS, Maria Carlos. O comportamento alimentar. Disponível em: http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=2401&iCanal=1&iSubCanal=3194&iLingua=1 Acesso em: 28 mar. 2008.

Edilson Wisenfad
Graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário do Vale do Itajaí. Especialização em Meio Ambiente e Conservação de Recursos Naturais; Faculdade de Ensino Superior Dom Bosco.
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