Citocinas

Citocinas
BIOLOGIA
A resposta inflamatória é um mecanismo corporal de combater agentes infecciosos e corpos estranhos, como vírus, bactérias e outros elementos não próprios do organismo. A inflamação, no entanto, não está apenas associada às infecções, mas a diversos processos que ocorrem no organismo e acarretando outras doenças de caráter não-infeccioso, como a aterosclerose, hipertensão, diabetes mellitus e doença renal crônica, por exemplo. Esse processo ocorre em cascata, visando o reparo tecidual e a homeostase, eliminando a causa inicial da lesão bem como as células e tecidos necróticos que resultam do insulto original.


Diversas modificações ocorrem no sistema vascular, sendo a primeira delas a vasodilatação e consequente mudança na permeabilidade vascular. Esse aumento permite a chegada de células do sistema imunológico inato, como neutrófilos e macrófagos; e do sistema imune adquirido, como linfócitos B e T. Além disso, outras moléculas como citocinas desempenham um papel muito importante na comunicação celular dentro do processo inflamatório. Essas citocinas são polipeptídeos ou glicoproteínas hidrossolúveis, produzidas por diversos tipos celulares (imunes e não-imunes), desde macrófagos e neutrófilos até células do epitélio gastrointestinal, permitindo a comunicação entre células. Sua atividade pode ser endócrina, como hormônios, que caem na corrente sanguínea e provocam efeitos biológicos em células-alvo distantes de onde essa citocina foi produzida; pode ser autócrina, quando ela atua sobre a própria célula onde foi produzia; e parácrina quando atua sobre células vizinhas.


O mecanismo de ação das citocinas é o mesmo. Elas se ligam à um receptor de membrana, ligado à mensageiros intracelulares que levam a cascatas dentro da célula, interferindo na expressão gênica. Citocinas podem ser classificadas de diversas maneiras: pró-inflamatórias e anti-inflamatórias, de acordo com sua atividade, em qual tipo de resposta imunológica (inata ou adquirida) está envolvida ou atividade celular (interleucinas e quimiocinas) A classificação das citocinas segundo sua atividade, seria: pleitrópicas quando uma citocina atua em diferentes tipos celulares; redundantes quando citocinas diferentes tem o mesmo efeito; sinérgicas quando duas ou mais citocinas produzem juntas um efeito maior do que seria produzido se atuassem separadamente; e antagônicas quando duas ou mais citocinas atuam de maneira contrárias, uma inibindo e outra ativando determinados processos.


Citocinas pró-inflamatórias atuam promovendo o processo inflamatório, garantindo que as reações ocorram e o insulto inicial seja eliminado. As anti-inflamatórias atuam como um freio desse processo, impedindo uma resposta exacerbada e que possivelmente produza efeitos indesejáveis da própria inflamação e do processo de cicatrização. Entre as citocinas mais conhecidas e usadas na pratica clínica e experimental, estão as interleucinas (IL), as quais estão envolvidas na progressão ou terapia de diversas doenças, principalmente a hipertensão arterial e diabetes. As interleucinas atuam entre leucócitos ativando ou inibindo processos celulares, como proliferação, diferenciação, produção de moléculas e desenvolvimento de células hematopoiéticas. Alguns exemplos de IL são; fator de necrose tumoral, interferons e aproximadamente 25 tipos de IL.


Outro tipo de citocina essencial à resposta inflamatória são as quimiocinas, as quais além das funções básicas de citocinas, elas interferem na angiogênese (formação de novos vasos), recrutamento, quimiotaxia e diapedese de leucócitos. Atualmente as interleucinas e quimiocinas são consideradas potenciais alvos para fármacos e terapias para tratamento de doenças inflamatórias como artrite reumatoide entre outras.

Fernanda Florencia Fregnan Zambom
Bacharel em Ciências Biológicas na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Realizou estágio no laboratório de Biologia Celular do Instituto Butantã, com Toxicologia de Anfíbios, em 2012. No mesmo ano, estagiou no Laboratório de Raiva do Centro de Controle de Zoonoses, até agosto de 2013. Atualmente é aluna de mestrado do Laboratório de Fisiopatologia Renal da FMUSP.
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER