Atividade de Lacase de Pleurotus Ostreatus em meio amiláceo

Atividade de Lacase de Pleurotus Ostreatus em meio amiláceo
BIOLOGIA
Introdução:
Pleurotus ostreatus, é um fungo basidiomiceto de alta rusticidade, naturalmente encontrado em substratos lignocelulósicos, cultivado em diferentes subprodutos agrícolas. A rusticidade desse fungo está associada a sua capacidade de produzir diferentes enzimas como lacases, lignina peroxidase e celulases (MILES; CHANG, 1997).

A lacase é uma enzima oxidativa que hidrolisa compostos fenólicos como a lignina (GIANFREDA et al., 1999), aumentando a exposição dos nutrientes e tornando-os mais biodisponíveis (D'AGOSTINI et al., 2011). Os meios amiláceos promovem o rápido crescimento micelial, sendo assim potenciais para a produção de biocompostos enzimáticos.

Objetivo:
Avaliar a atividade de lacase de Pleurotus ostreatus crescido em meio de cultivo amiláceo.

Materiais e métodos:

O meio de cultivo foi composto por milho e farelo tostado de soja na proporção de 62,63% de milho quebrado (canjica) e 37,37% de farelo tostado de soja. Os meios de cultivo foram autoclavados a 121ºC por 3 h. Posteriormente, foram inoculados com 20 discos de Agar extrato de malte (três mm) contendo micélio crescido de Pleurotus ostreatus (U2-11), pertencente à micoteca do Laboratório de Biologia Molecular da UNIPAR.

O crescimento do fungo foi realizado a 25ºC, no escuro por 30 dias. A atividade enzimática de lacase foi medida pela mistura de 400 µL do extrato enzimático, 1400 µL de água, 900 µL de tampão acetato de sódio (0,1 M, pH 5,0) e 300 µL de 2,2-azino-bis (3-etilbenzotiazolino) 6-ácido sulfônico (ABTS) 1mM. A mistura foi mantida a 30ºC por 10 min em banho-maria, sendo a reação paralisada com a adição de 100 µL de ácido tricloroacético (5%). Após, o volume foi ajustado para 10mL e a absorvância medida a 420 nm.
Resultados e Discussão:
P. ostreatus apresentou atividade enzimática (p=0,05) de 30,4. No presente trabalho nota-se que houve atividade de lacase, no entanto foi menor quando comparada ao trabalho de D'Agostini et al. (2011) que observaram valores de lacase que variaram de 69,5 a 84,5 U/grama de meio de cultura seco. A menor atividade de lacase encontrada neste trabalho provavelmente se deve a composição dos meios de cultivo compostos por milho e farelo tostado de soja, ricos em carboidratos de fácil metabolização, enquanto que D'Agostini et al. (2011) trabalhou com casca de soja, composta em sua maioria por lignina e celulose.

Assim, a vantagem do rápido crescimento do fungo em meios amiláceos deve ser utilizada com cuidado para a produção de enzimas, devendo-se desenvolver maiores estudos para o uso desta biotécnica.

Conclusão:
A atividade de lacase no meio composto por milho e farelo tostado de soja foi de 30,4 U/g de meio seco, sendo esta bem abaixo dos relatados na literatura.

Referências:

D'AGOSTINI, E. C.; MANTOVANI, T. R. D.; VALLE, J. S.; PACCOLA-MEIRELLES, L. D.; COLAUTO, N, B.; LINDE, G. A. Low carbon/nitrogen ratio increases lacase production fron basidiomycetes in solid substrate cultivation. Scientia Agricola, v. 68, (no prelo), 2011.
GIANFREDA, L.; XU, F.; BOLLAG, J. Laccases: A useful group of oxidoreductives enzimes. Bioremediation Journal, Philadelphia, v. 3, n. 1, p. 1-26, 1999.
MILES, P. G.; CHANG, S. Mushroom biology: concise basics and current developments. 1997. 194 p.

Josue Silva
Acadêmico do curso de farmácia bioquímica pela Universidade Paranaense - Unipar, atuando como aluno de Iniciaçao cientifica no laboratorio de biologia molecular da UNIPAR, trabalha na área de Genética com ênfase em biologia molecular. atualmente participa de um projeto relacionado a caracterização de variedades de acerola do Instituto Agronomico do Paraná.
Seja um colunista
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER