"Aloe vera" - Princípios ativos e regulamentação

BIOLOGIA
Na sociedade, em geral, é possível identificar alguns hábitos passados de geração a geração. O uso de plantas medicinais para tratamentos de doenças e componentes de produtos estéticos é um deles. Destacamos, dentre esses, a "Aloe vera", popularmente conhecida como “babosa”.

Segundo dados extraídos de uma pesquisa da conceituada Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP): "A partir da extração das suas folhas, duas frações podem ser obtidas: um exsudato amargo e um gel mucilaginoso. O primeiro é considerado pelas farmacopeias como a droga Aloe, líquido extraído das células do periciclo, de coloração amarelo-avermelhada, rico em compostos antracênicos.

O segundo provém do parênquima da folha (McKeown, 1987), com aspecto de gel incolor (mucilagem) e que tem sido utilizado para curar queimaduras, cicatrizar feridas, aliviar dores, além de ser um poderoso agente hidratante (Grindlay, 1986).

Por sua fama de “planta da imortalidade”, conhecida desde os egípcios, a babosa tornou-se cada vez mais comum, existindo, assim, diversos ramos em que se pode ressaltar seu uso e sua eficácia, além de serem garantidos por diversas pesquisas e testes.

Há muitos anos a "Aloe vera" vem sendo utilizada para diversos fins medicinais, como problemas de pele dos quais podemos destacar a acne, queimaduras, psoríase, hanseníase e outras. Reconhecida como um poderoso regenerador e antioxidante natural, possui também propriedades antibacteriana e cicatrizante, capacidade de reidratar o tecido capilar ou dérmico danificados por queimaduras ou outras afecções.

O consumo dessa planta pode reduzir os índices do "mau" colesterol (LDL), além de ajudar na terapêutica da dissolução de pedras nos rins e proteção contra cristalização dos oxalatos, como os presentes no café e em alguns chás. Ainda a babosa, quando aplicada sobre uma queimadura, ajuda comprovadamente a retirar a dor pelo seu efeito reidratante.

De acordo com estudos realizados em animais de teste “... a aplicação simultânea de Aloe vera e microcorrente foi eficaz para o tratamento de feridas abertas potencializando a cicatrização das feridas.” (Scientific Circle, Efeitos da aplicação de Aloe vera (L.) e microcorrente na cura de feridas induzidas cirurgicamente em ratos Wistar. Acta Cir Bras).

Assim como anteriormente citado, o uso desta planta excede o campo medicinal e chega até aos braços da estética, onde podemos encontrar diversos produtos que a tem como base.

Atualmente, tanto mulheres quanto homens estão cada vez mais preocupados com suas aparências, fazendo o possível para se encaixarem nos padrões de beleza que lhe são impostos. Desse modo, a procura pela "Aloe vera" em cosméticos é muito comum, por trazerem, por exemplo, grandes benefícios devido a ação capilar no combate a alopécia (redução parcial dos cabelos), sebo do couro cabeludo ou caspa. Por isso, é geralmente incorporada à composição de shampoos e condicionadores.

Acima de tudo, a "Aloe vera" é um rico alimento para a pele, considerada ideal para o tratamento da oleosidade e/ou rugas, sendo útil, inclusive, para o fechamento dos poros e melhora na firmeza do tônus facial. Ainda, por agir como um potente anti-inflamatório e estimulante do crescimento de novas células, é altamente aplicada à Dermatologia, ajudando, também, no tratamento de estrias, a qual é uma das grandes preocupações estéticas da atualidade.

Não obstante, mesmo diante de tantos benefícios como os vistos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão brasileiro vinculado ao Ministério da Saúde; regulador de questões sanitárias e derivados, como medicamentos, alimentos, cosméticos e afins; recentemente divulgou um informe técnico sobre esclarecimentos da comercialização de Aloe vera no Brasil.

Este alegava que "produtos a base de Aloe vera não possuem tradição de consumo no país como alimento e, portanto, devem ser avaliados quanto a sua segurança de uso na categoria de novos alimentos" (Informe Técnico no. 47, 2011). Ao contrário do citado no informe, TAKAYAMA, C. et al do Departamento de fisiologia e biofísica da Universidade Estadual de Campinas define que a 'Aloe sp' "são utilizadas para o tratamento de várias doenças desde a antiguidade, sendo que a investigação fitoquímica e farmacológica aumentou nas últimas décadas, oferecendo avanços importantes no tratamento de várias doenças, como a úlcera gástrica".

Assim, o argumento de que certos medicamentos não possuam tradição em determinado país parece não justificar a impossibilidade de comercialização deles, já que, partindo da premissa de que os medicamentos permitem a promoção do bem-estar em oposição às doenças, não seria uma atitude em prol da saúde da nação brasileira.

Thales Skaff da Matta
Estudante de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Ex-bacharelando em Química com Atribuições Tecnológicas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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