Adipogênese

Adipogênese
BIOLOGIA
Na maioria das espécies, incluindo suínos, o tecido adiposo branco começa a ser formado ainda no final da fase fetal, expandindo-se rapidamente após o nascimento, em função da energia disponível e fatores regulatórios que acarretam o aumento do tamanho e número dos adipócitos. Contudo, esse potencial de gerar novas células não é perdido e persiste mesmo na fase adulta do animal (CRISTANCHO; LAZAR, 2011; FONSECA-ALANIZ et al., 2007; HAUSMAN et al., 2009). As células da linhagem adipocitária são geradas a partir de células-tronco multipotentes de origem mesodérmica por meio de um processo denominado adipogênese que envolve uma complexa integração da citoarquitetura, vias de sinalização e reguladores transcricionais e que pode ser dividido em duas fases distintas: a de comprometimento e a de diferenciação terminal (BAILE et al, 2010; CRISTANCHO; LAZAR, 2011; YARAK; OKAMOTO, 2010).

A primeira etapa da adipogênese envolve a diferenciação das células-tronco embrionárias em células-tronco mesenquimais multipotentes (MSCs) que, mediadas por fatores, ao perder a sua capacidade de se diferenciar em outras linhagens celulares, por exemplo, músculo, osso e cartilagem, "comprometem-se" com a formação de tecido adiposo branco, transformando-se em pré-adipócitos ou adipoblastos. Na presença de estímulos adipogênicos como glicocorticoides, insulina, IGF-1, o AMP cíclico, os pré-adipócitos formados podem então dar origem a adipócitos maduros (FERNYHOUGH et al., 2007; HAUSMAN et al., 2009; YARAK; OKAMOTO, 2010). Além desses reguladores, o destino das células precursoras de adipócitos também depende da convergência de outros fatores que incluem a adesão das células à matriz extracelular circundante (ECM) ou às células heterólogas e homólogas vizinhas, fatores de crescimento e endócrinos, impulsos nervosos, a disponibilidade de macro e micro nutrientes, além da presença de fatores de transcrição adipogênicos tais como PPAR?, SREBP-1c e as C/EBP (BAILE et al., 2010; CRISTANCHO; LAZAR, 2011; FONSECA-ALANIZ et al., 2007).

Hausman et al. (2006), em sua pesquisa com suínos, usando o gene microarray, verificaram por meio de abordagens proteômicas e análises convencionais de proteína, que o tecido adiposo de animais na fase fetal e em neonatos é capaz de expressar genes de uma série de fatores de crescimento e proteínas que podem influenciar a adipogênese nesses animais de forma parácrina ou autócrina. Adicionalmente, Poulos e Hausman (2006), estudando comparativamente as células do estroma vascular do músculo semitedinoso e do tecido adiposo subcutâneo de suínos tratadas com tiazolidinedionas, uma classe de agente usado no tratamento de diabetes tipo 2, verificaram que o aumento de pré-adipócitos formados no tecido adiposo destes animais foi acompanhado por um crescimento dos fatores de transcrição C/EBPa e PPAR, o que confirma estudos publicados por Lefterova et al. (2008); Queiroz et al. (2009); Siersbaek; Nielsen e Mandrup (2010) que mostram que esses fatores são essenciais na regulação da diferenciação dos adipócitos.

De acordo com Kokta et al. (2004), na fase inicial da diferenciação dos adipoblastos em adipócitos maduros ocorrem sucessivas replicações exponenciais nos pré-adipócitos. Posteriormente, sinais intracelulares indutores da diferenciação, por exemplo, a lipase lipoproteica (LPL) são expressos de forma que estas células iniciam a sua proliferação. Com o fim da fase proliferativa, é possível ser observada, nas células formadas, a expressão do GPDH (glicerol-3-fosfato desidrogenase) e FAS (ácido graxo sintetase) que marcam o final da fase de diferenciação. Nesse momento, os adipócitos formados já podem começar a acumular lipídeos em seu citosol, de modo que o núcleo é deslocado do centro para a periferia celular.
REFERÊNCIAS

1. BAILE, C. A. et al. Effect of resveratrol on fat mobilization. Annals of the New York Academy of Sciences, New York, v. 1215, p. 40-47, jan. 2010

2. CRISTANCHO, A. G.; LAZAR, M. A. Forming functional fat: a growing understanding of adipocyte differentiation. Nature reviews: Molecular cell biology, London, v. 12, n. 11, p. 722-734, sep. 2011

3. FERNYHOUGH, M. E. et al. PPARgamma and GLUT-4 expression as developmental regulators/markers for preadipocyte differentiation into an adipocyte. Domestic animal endocrinology, Auburn, v. 33, n. 4, p. 367-378, nov. 2007

4. FONSECA-ALANIZ, M. H. et al. Adipose tissue as an endocrine organ: from theory to practice. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 83, supl. 5, p. S192-203, nov./dez. 2007

5. HAUSMAN, G. J. et al. The biology and regulation of preadipocytes and adipocytes in meat animals. Journal of animal Science, Champaign, v. 87, n. 4, p. 1218-1246, apr. 2009

6. HAUSMAN, G. J. Secreted proteins and genes in fetal and neonatal pig adipose tissue and stromal-vascular cells. Journal of animal Science, Champaign, v. 84, n. 7, p. 1666-1681, jul. 2006

7. KOKTA, T. A. Intercellular signaling between adipose tissue and muscle tissue. Domestic animal endocrinology, Auburn, v. 27, n. 4, p. 303-331, nov. 2004

8. LEFTEROVA, M. I. et al. PPARgamma and C/EBP factors orchestrate adipocyte biology via adjacent binding on a genome-wide scale. Genes & development, Cold Spring Harbor, v. 22, n. 21, p. 2941-2952, nov. 2008

9. POULOS, S. P.; HAUSMAN, G. J. A comparison of thiazolidinedione-induced adipogenesis and myogenesis in stromal-vascular cells from subcutaneous adipose tissue or semitendinosus muscle of postnatal pigs. Journal of animal Science, Champaign, v. 84, n. 5, p. 1076-1082, may 2006

10. QUEIROZ, J. C. F. Controle da adipogênese por ácidos graxos. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, São Paulo, v. 53, n.5, p. 582-594, jul. 2009

11. SIERSBAEK, R.; NIELSEN, R.; MANDRUP, S. PPARgamma in adipocyte differentiation and metabolism--novel insights from genome-wide studies. FEBS Letters, Amsterdam, v. 584, n. 15, p. 3242-3249, aug. 2010

12. YARAK, S.; OKAMOTO, O. K. Células-tronco derivadas de tecido adiposo humano: desafios atuais e perspectivas clínicas. Anais Brasileiros de Dermatologia, Rio de Janeio, v. 85, n. 5, p. 647-656, sep./oct. 2010

Thiago Santos Araújo
Bacharel em Ciencias Biologicas pela UFPE e Mestre em Ciencias Veterinarias pela UFLA. Atualmente e pesquisador bolsista DTI-2 na UFLA. Tem experiencia nas areas de Fisiologia, Farmacologia e Bioquimica, com enfase em Metabolismo e Bioenergetica, atuando principalmente nos seguintes temas: Modulacao angiotensinergica, Metabolismo lipidico
Sucesso! Recebemos Seu Cadastro.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER