A ATUAÇÃO DO CCDS NAS AÇÕES CULTURAIS COMO ELEMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

A ATUAÇÃO DO CCDS NAS AÇÕES CULTURAIS COMO ELEMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
ADMINISTRACAO

Joana Rodrigues Alexandre Figueiredo*

Resumo

Este artigo aborda a questão social e cultural. Apesar de estar adquirindo visibilidade atualmente, é um conceito que está sendo conhecido na teoria, mas pouco praticado. Nesse contexto, pretende-se avaliar esse projeto como um processo de participação cultural, com foco no social, na cidadania participativa e no voluntariado. Procura-se compreender todo o processo, por meio da análise da sua fundação e funcionalidade; e, verificar a importância do trabalho voluntário no Projeto Conselho Comunitário de Defesa Social do bairro Pio XII em Juazeiro do Norte. No tocante a obtenção dos dados, dois momentos foram estabelecidos: dados secundários (acompanhamento das ações, fotos); e dados primários (informações e entrevistas). O trabalho caracteriza-se como um estudo descritivo, pois envolve coleta de dados (primários e secundários). A coleta de dados ocorreu através da observação participante e aplicação de entrevista, com perguntas aos coordenadores, voluntários e usuários do CCDS. Os resultados apontam para um processo de gestão social e cultural, com a atuação ativa e solidária nas demandas e desenvolvimento dos trabalhos. Na cidadania deliberativa destacam-se a presença do diálogo, da participação igualitária e liberdade de expressão no efetivo exercício de direitos e deveres. E, na realização do trabalho voluntário, identifica-se a satisfação pautada nos valores do bem comum, com impactos no coletivo. Observa-se que, a visão da prática da gestão no Programa CCDS pode ser visivelmente entendida através da participação intensa de seus atores sociais (gestores e voluntários) na resolução de suas dificuldades, deixando de lado sua atitude outrora passiva da sociedade civil, não mais aguardando que o Estado resolva seus problemas.

 

Palavras-chave: Conselho Comunitário de Defesa Social, Projeto social, Voluntariado.

Introdução

A desresponsabilização do Estado com as questões sociais, confiando à sociedade, atividades, gerenciamento e captação de recursos para o atendimento efetivo ao público, abriu um movimento de mobilização organizado, com o intuito de gerar condições de acesso a direitos humanos e pelo exercício da cidadania.

As necessidades e carências sociais não assistidas pelo poder público, em termos de amplitude e de atingimento aos grupos sociais vulneráveis da sociedade,

 

___________________________________________________________________________*Voluntária no CCDS do bairro Pio XII em Juazeiro do Norte, Ceará.

transparecem nas ações de mobilização da própria sociedade, com o intuito de solucionar/minimizar as demandas sem respostas do Estado.

Isto tem sido entabulado por intermédio do voluntariado, como alternativa capaz de desenvolver e programar ações efetivas de preenchimento dos espaços não ocupados pelo poder público, e sem interesse pelas organizações privadas.

As organizações sociais se diferenciam pela autonomia de decisão, são procedentes do apoio da sociedade, estão posicionadas fora do comando do Estado, não têm vínculo com sindicatos e partidos políticos, se dedicam a causas e dificuldades sociais, não objetivam o lucro e visam o bem estar social.

Os processos gerenciais adotados pelas organizações sociais estabelecem-se sob a forma de gestão social, na qual as decisões são compartilhadas entre sujeitos, num espaço em que todos têm direito a voz, sem coerção. Esta forma de gestão valoriza a concordância, em que o outro deve ser incluído e a solidariedade a sua motivação. Além disso, a gestão social caracteriza-se pelo seu caráter coletivo, enquanto a gestão estratégica, pelo caráter individual, ou seja, baseado no monólogo e no indivíduo,Tenório (2008).

Para dar forma ou fazer esse processo de inserção social e cultural, das camadas que estão em situação de risco e vulnerabilidade, ter sua efetiva realização, há o agente social, que está representado pelo voluntariado. Este modelo se sustenta em motivações e preferências pessoais, sendo uma forma de participação ativa do cidadão na vida das comunidades, o que se traduz em ação ou movimento organizado. Isto contribui para dar respostas aos principais desafios da sociedade, com vistas a um mundo justo e pacífico, com desenvolvimento econômico, social e cultural equilibrado, para a criação de uma comunidade ativa e conhecedora dos elementos culturais e educacionais, para a melhoria da qualidade de vida, concretização pessoal e máximo proveito coletivo.

Este estudo parte do Objetivo Geral, que é analisar o Projeto CCDS como um processo de gestão, com foco no processo de gestão social e cultural, na cidadania deliberativa e no voluntariado, buscando compreender o processo de gestão social, por meio da análise da literatura e Verificar a importância do trabalho voluntário no Projeto CCDS do bairro Pio XII em Juazeiro do Norte.

O estudo compõem-se de etapas sucessivas que abordam a Gestão Social, Voluntariado, Metodologia, Caracterização do Projeto CCDS, Apreciação das Informações e por fim, Considerações Finais.

Fundamentação teórica

Servindo de base para a fundamentação teórica do estudo, aborda-se a seguir alguns conceitos sobre gestão social, e voluntariado segundo seus principais autores.

Gestão Social

A Constituição de 1988, conhecida como “constituição cidadã”, embora tenha firmado muitas conquistas sociais, não foi suficiente para superar suas contradições. A década de 1980 foi identificada pelo pacto social, que em conjunto com os movimentos sociais e classistas culminaram na realização e promulgação da Constituição de 1988.

Os anos de 1990 foram marcados pela hegemonia neoliberal e o Consenso de Washington, favorável a um programa de privatizações, redução de tarifas alfandegárias e de isenções fiscais, corte de gastos públicos, dentre outros.

A conquista de visibilidade da gestão social, nos últimos anos, tem se identificado com as mais variadas práticas sociais, não apenas as exercidas pelo Estado, mas também, as das organizações não-governamentais (ONGs), associações, fundações e as iniciativas do setor privado como a responsabilidade social ou cidadania corporativa.

O termo gestão social, após a década de 1990, consolida a criação de projetos e programas orientados pela noção de gestão social. Entre os principais centros de pesquisa, publicações e atividades referentes ao estudo da gestão social, podem citar-se: Programa de Estudos em Gestão Social (PDGS-EBAPE/FGV), Programa de Gestão Pública e Cidadania (PGPC-EASP/FGV) e Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Terceiro Setor (Nipets/UFRGS), dentre outros.

Na contemporaneidade, o termo Gestão Social, se confunde com a gestão de demandas e necessidades, como uma atribuição do Estado, através da implementação das políticas públicas e sociais. No entender de França Filho (2008, p. 32),

“[...] o objetivo econômico aparece apenas como um meio para a realização dos fins sociais, que podem definir-se também em termos culturais (de promoção, resgate, etc.), políticos (luta por direitos, etc.) ou ecológicos (preservação e educação ambiental, etc.) dependendo do campo de atuação da organização”.

Verifica-se que a Gestão Social, ultrapassa seu modo de gerir, quando a sociedade organizada, toma para si, a gestão de demandas e necessidades, através de diversas formas e mecanismos de auto-organização e associativismo.

No entender de Tenório (2008, p. 39), pode haver gestão social em qualquer sistema social, inclusive na gestão pública. O que se analisa nesse estudo sob essa perspectiva como gestão social:

“[...] o processo gerencial dialógico onde a autoridade decisória é compartilhada entre os participantes da ação (pode ocorrer em qualquer tipo de sistema social – público, privado ou de ONGs). O adjetivo social qualificando o substantivo da gestão será entendido como um espaço privilegiado de relações sociais onde todos têm direito a fala, sem coação.

Para Tenório (2003, p. 25) “a Gestão Social se contrapõe à gestão estratégia, a medida que procura substituir uma gestão tecnoburocrática, por um gerenciamento mais participativo, mais dialógico, com um processo sucessório exercido por diferentes sujeitos sociais”. O que especifica a Gestão Social é a inversão de prioridades em relação à lógica da empresa privada. Na prática, a Gestão Social passa por desafios e dificuldades que lhe são impostos no seu decorrer.

De acordo com França Filho (2008) em alguns casos, o termo gestão social, diz respeito a duas tendências: uma, seria a da banalização, que quando este não se adéqua as novas práticas sociais, e não é gestão tradicional, ela passa a ser chamada de gestão social. A segunda tendência define que sua visibilidade, chama todos a uma discussão sobre o terceiro setor, que tem em sua atuação dentro das organizações privadas, o seu papel de agente público.

Para Gondim, Fischer e Melo (2006), a oposição da gestão social à gestão tradicional acontece com a distinção entre a racionalidade instrumental e a racionalidade substantiva. A racionalidade instrumental privilegia os meios para fins de acumulação, enquanto a racionalidade substantiva propõe uma satisfação pessoal, em valores morais do bem comum. As autoras citam ainda, que o agir intersubjetivo supera o agir estratégico, enquanto o primeiro visa o diálogo, o consenso, garantindo a cidadania deliberativa, o segundo tem como objetivo atender somente a interesses privados. Tem-se então, que a base da gestão social está na ação comunicativa das pessoas envolvidas.

Portanto, uma Gestão Social, que prima pela racionalidade comunicativa, seus sujeitos devem trabalhar as propostas, sem que haja imposição de ideias, todos os atores devem expressar suas opiniões e argumentações. Para tanto, nos diz Tenório (2008) “que a gestão social é um gerenciamento participativo, dialógico, em que seu processo decisório é exercido por diferentes sujeitos sociais”. Assim, a pessoa humana deve exercer sua função como sujeito social, dentro da organização, devendo atuar ativamente e solidariamente nos destinos de sua comunidade. Uma categoria intermediária entre a gestão estratégia e a gestão é social é a Cidadania Deliberativa. A gestão estratégia atua no mercado, primando pela competição e pelo lucro, já a gestão social é determinada pela solidariedade, e prima pela concordância, pela inclusão e pelo diálogo num trabalho coletivo.

Voluntariado

O movimento histórico-cultural do desenvolvimento das práticas dos voluntários na saúde teve seu início a partir da chegada dos portugueses ao Brasil, com a criação das Santas Casas de Misericórdias, ligadas à igreja, por mais de três séculos. Durante todo o período colonial até o início do século XIX predominou a associação entre Estado e igreja, no atendimento a questão social.

A regulamentação das organizações sem fins lucrativa apareceram em 1916 no Código Civil Brasileiro, mas todos ligados a instituições e empresas com caráter filantrópico. A normatização do Voluntariado deu-se através do decreto nº. 9.608/1998, materializando a prática do voluntariado de modo concreto no controle de suas ações, delimitando normas de criação, seu desenvolvimento, e institucionalização.

Diante da dificuldade do Estado no atendimento às necessidades e carências da sociedade, caracterizadas pelos direitos humanos em aspectos que vão desde as garantias mínimas de vida até aos direitos de cidadania, surge através do processo de mobilização da sociedade civil o voluntariado com o propósito de minimizar os impactos negligenciados pelo poder público. Originando, então, o terceiro setor que ocupa espaços não preenchidos pelo primeiro setor (Estado) Tachizawa, (2002). Para desenvolver esse trabalho do terceiro setor aparece o ator social voluntário.

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 e da Convenção sobre os Direitos da Criança de 1989, o voluntariado é baseado numa escolha e motivação

pessoal, livremente assumida, sendo uma forma de estimular a cidadania ativa e o envolvimento comunitário. É exercido em grupos, inseridos em uma organização, potencializando o ser humano, a qualidade de vida e a solidariedade, dando resposta aos grandes desafios que se colocam para a construção de uma sociedade melhor e mais pacífica, para um desenvolvimento econômico, social e equilibrado.

a) Características do Voluntário

Tomam-se as características da Carta Européia para os Voluntários e da Declaração Universal sobre Voluntariado aprovadas no Congresso Mundial de Paris, de 1990: (a) a gratuidade se dá pela doação de si mesmo e a consciência de ser para os demais aquilo que sustenta a sua concepção de vida; (b) a continuidade, já que não se podem criar necessidades naquelas pessoas que não estão dispostas a seguir ajudando; (c) a preferência vocacional do voluntário, já que cada um faz melhor aquilo de que gosta e o que está mais preparado; (d) a responsabilidade pessoal apoiada pela equipe que desenvolve o projeto da organização com a qual trabalha; e, (e) o conhecimento, respeito e valorização das diferentes pessoas ou povos que podem se encontrar na realização da sua tarefa.

b) Processo de Participação

O voluntariado traz como sentido a sensibilidade da pessoa interessada que é de participação. Neste estudo, a participação (que motiva os participantes de uma atividade comunitária qualquer) está presente na satisfação pessoal e íntima que, com freqüência, atinge outros resultados. Isto porque não está em pauta somente como instrumento para solução de problemas, e sim como uma necessidade humana, como são as necessidades primárias (alimentação, descanso, saúde etc.) (BORDENAVE, 1980).

Segundo Bordenave (1980), a participação é o caminho natural do ser humano para exprimir sua tendência inata de realizar, fazer coisas, afirmar-se a si mesmo e dominar a natureza e o mundo. Envolve a satisfação de interação com os demais indivíduos, autoexpressão, desenvolvimento do pensamento reflexivo, o prazer de criar e recriar coisas valorizar-se pelos outros. Nesta idéia o autor destaca duas bases complementares de participação: (i) base efetiva - participar porque sentimos prazer em fazer coisas com outros; e, (ii) base instrumental – participar porque fazer coisas com outros é mais eficientes e eficaz, que fazê-las sozinhos.

Estas duas bases, efetiva e instrumental, deveriam equilibrar-se, no entanto, entram em conflito, e uma delas passa a sobrepor-se a outra, resultando que a participação torna-se puramente consumatória, visando atingir resultados práticos, ou a participação é usada como instrumento para atingir objetivos.

Metodologia

Com base em Cooper & Schindler (2003), o trabalho como estudo descritivo tenta descobrir respostas para perguntas que envolvem - quem, o que, quando, onde, e, algumas vezes, como. Este tipo de estudo visa criar um perfil para determinado grupo de problemas ou pessoas ou eventos, envolvendo a coleta de dados, pelo pesquisador, sobre as variáveis ou características em questão. Para os autores (p.31), “o estudo descritivo é popular na pesquisa em administração em razão de sua versatilidade [...]”, sendo adequado para aplicação em organizações sem fins lucrativos, quando se deseja verificar situações relativas a parâmetros de eficiência, eficácia e adequação.

O trabalho, como estudo descritivo, envolve a aplicação de esforços em temas de interesse do Curso de Extensão de Gestores e Conselheiros para o Desenvolvimento do SNC nas Regiões do Sul e Centro-Sul do Ceará, Eixo 2. Os dados usados foram categorizados em: primários (entrevistas) e secundários (acompanhamento das ações, fotos).

A coleta de dados ocorreu através da observação participante (entender os comportamentos dos usuários e do ambiente físico) e aplicação de uma entrevista semi-estruturada (com abordagem direta, que proporciona melhor compreensão do contexto em estudo, pois se revelam pelo entrevistado ou tornam-se óbvios na entrevista). Ao trabalhar a abordagem direta utilizou-se a entrevista face a face com pessoas envolvidas no projeto (voluntários e usuários) obtendo-se informações, experiências pessoais e impressões particulares (MALHOTRA, 2001). Configurou-se um total de 8 (oito) entrevistas, sendo 6 (seis) com a diretoria, 1 (uma) com voluntários e 1 (uma) com usuários do projeto. Os entrevistados (voluntários e usuários) foram escolhidos aleatoriamente, nos dias 15, 16 e 17 de janeiro/2016. As informações secundárias foram obtidas de acompanhamento da trajetória e fotos, do Projeto CCDS.

Caracterização do projeto CCDS:

Como se cria um CCDS?

Para ser criado um Conselho é necessário que haja interesse dos representantes das diversas camadas sociais do bairro, ou seja: liderança comunitária, profissionais liberais, donas de casa, aposentados, entre outros, que se interessem e solicitem da SSPDS um representante para orientá-los na criação do Conselho Comunitário de Defesa Social. Como é formado o CCDS?

O Conselho é formado por uma diretoria eleita pela comunidade, para o mandado de 1 ano, assim constituída: Presidente, Primeiro Secretário, Segundo Secretário, Diretor de Direitos Humanos, Diretor de Relações Públicas e Diretor de Patrimônio. Por que a participação da Comunidade? * O artigo 144 da Constituição Federal diz: "Segurança Pública", dever do estado, direito e responsabilidade de todos". Assim, a comunidade, como responsável pela segurança pública, não poderia ficar de fora de qualquer entidade criada com o objetivo primordial de oferecer segurança, paz e tranquilidade. Sabemos ainda que é de vital importância para o êxito dos programas de segurança: despertar, fomentar e manter o interesse e a participação ativa dos cidadãos nos assuntos referentes a segurança pública. Como seria a participação da comunidade na execução de tão nobilitante tarefa, que é a segurança pública? Através do Teledenúncia 185 ou Denúncia Postal, qualquer cidadão poderá cumprir suas responsabilidades constitucionais, ajudando os órgãos de segurança denunciando todo e qualquer tipo de violência ou crime. Através de telefones, gratuitamente, qualquer pessoa poderá denunciar, anonimamente, marginais e criminosos que estejam perturbando a harmonia social. A participação da comunidade resume-se somente às denúncias telefônicas ou postais?

A comunidade, muitas vezes, conhece melhor a área do que a própria polícia e poderá indicar, até mesmo por meio dos Conselhos Comunitários de Defesa Social, às Unidades Policiais locais os pontos de intranquilidade social, pontos críticos de criminalidade, bem como o mais eficaz tipo de policiamento para o seu bairro: se motopatrulha, radiopatrulha, cavalaria, a pé, misto, entre outros. Portal da Secretaria de Segurança Pública e Defesa social (SECRETARIA DA DEFESA PÚBLICA E DEFESA SOCIAL).

Objetivos do Projeto

São objetivos do Projeto CCDS:

Quais os benefícios trazidos para o bairro com a criação do CCDS?

* Trabalhar em prol da segurança dos moradores, auxiliando a Polícia na manutenção da ordem pública, com o objetivo de oferecer a tão almejada paz e tranquilidade no bairro.

* Organizar os moradores do bairro com vistas à defesa de seus interesses junto aos poderes públicos, no campo da Segurança Pública, garantindo assim a satisfação dos anseios e necessidades existentes.

* Incentivar o bom relacionamento da comunidade e lideranças com a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil.

* Desenvolver um trabalho auxiliar de combate as causas da violência, criminalidade, prostituição, uso e tráfico de drogas e quaisquer atividades que venham a perturbar o equilíbrio da segurança pública naquele local.

* Promover e requerer, se necessário, junto à SSPDS, orientação para palestras, conferências, fóruns de debates, campanhas educativas e culturais que orientem a comunidade na prevenção da autodefesa (SECRETARIA DA DEFESA PÚBLICA E DEFESA SOCIAL).

Apreciação das informações

A entrevista realizada com o presidente do CCDS do Pio XII, Ricardo Pereira, apresenta lucidez à índole do projeto. Vale destacar, como se manifestam as relações de gestão no Projeto CCDS, com a participação dos voluntários nas decisões, através de reuniões mensais, fortalecendo seu caráter da cidadania deliberativa.

Segundo informou, o início do funcionamento do CCDS do Pio XII foi um tanto cheio de dificuldades. As ações e reuniões se davam em quintais da comunidade, e a cada dia numa residência diferente. Até conseguirem se estabelecer numa sede, muitos foram os problemas enfrentados.

No relato do Presidente do CCDS do Pio XII, afirma que não há hierarquia, ou melhor, existe uma hierarquia horizontal, onde a diretoria é uma facilitadora do método de gestão. Salienta o presidente, que as relações sociais dentro do projeto têm oportunizado aos voluntários relacionar-se com pessoas dos mais diversos temperamentos, sendo, portanto uma experiência única a cada um. O CCDS do Pio XII teve sua criação em nível de estado no dia onze de novembro de 1988. A primeira grande dificuldade, foi a ausência de um espaço físico para as reuniões e execução das ações. Atualmente, O CCDS paga o aluguel de uma sede, e a dificuldade é manter a estrutura em pleno funcionamento, devido a grande quantidade de crianças e pré adolescentes que fazem parte da instituição (na faixa de 80); Tem aulas de capoeira, educação física, futsal, contação de histórias, musicalidade, aulas de campo, dinâmicas, competições, etc. Os usuários passam a ter um referencial, o estilo de vida modificado, uma mudança de pensamento.

Em 2016 O CCDS do PIO XII terá a parceria do SESC, com a administração dos cursos de teatro e artesanato, Da faculdade Leão Sampaio, com os alunos do curso de psicologia orientando os jovens, e da Faculdade Paraíso, com os alunos do curso de direito, prestando esclarecimentos na área jurídica para a comunidade. A formação do CCDS conta com dez membros da Diretoria e quatro membros executivos. O relacionamento entre todos no projeto é de total conformidade, fazendo questão de ressaltar que, o pagamento que todos ganham não é financeiro, mas sim a troca de conhecimentos, generosidade, amparo, e ao mesmo tempo em que é ofertado, é recebido.

Os voluntários contribuem com o seu conhecimento, boa vontade e participação. Dando aos usuários, nesse caso, as crianças e jovens do CCDS do Pio XII, suporte educacional, artístico e cultural. Se disponibilizam a instruir, formar, educar e fazer o acompanhamento de jovens que moram em áreas de risco e vulnerabilidade; propõem atividades extra escolares para os afastarem da rua e da ociosidade. E todo material utilizado em atividades, e a alimentação após as mesmas, são doados pelos próprios voluntários. É um trabalho sem fins lucrativos e não remunerado.

É um projeto tão envolvente e gratificante que chamou a atenção do SESC/CULTURA local, que propôs uma parceria com o CCDS do Pio XII, e oferecerá alguns cursos gratuitos, com certificados para os jovens, com duração de oito meses. E, também acompanhamento para os familiares da terceira idade, tanto social e culturalmente. Todos os cursos terão início em fevereiro de 2016.

No entender dos usuários do CCDS, é possível observar nas respostas dadas, sua satisfação em serem atendidos pelo projeto, e como fundamental em seu processo de evolução social. O trabalho do CCDS do Pio XII não se resume apenas aos cuidados com os jovens que moram em áreas de risco e vulnerabilidade, mas, também se preocupa com o bem estar da comunidade, e das comunidades circunvizinhas, pois, o bairro não é isolado do resto da população. A construção do túnel metroviário foi uma das maiores e melhores conquistas da comunidade, e foi um projeto do CCDS do PIO XII, pois, já era preciso há muito tempo, faltava ao bairro esse hiato, entre o interior da cidade e o centro. A academia popular, também é uma aquisição do CCDS do Pio XII, foi de interesse e persistência da comunidade, na busca de um melhor aproveitamento dos moradores desta localidade. E por último, o grande projeto do CCDS, que é muito bem fundamentado. Condiz com a necessidade de locomoção da população, com o escoamento de produção, enfim, é algo que virá em benefício de todos.

Rodovia do Centenário, ou Avenida do Centenário. Juazeiro do Norte e Missão Velha ligados pelo desenvolvimento.

 

Considerações finais

Ao término do trabalho, faz-se necessário ressaltar alguns aspectos que foram expressivos para a ampliação do estudo no Projeto CCDS, projeto este, estabelecido de formato coletivo pela sociedade civil e que oferece à comunidade dos bairros, oportunidades de lazer, diversão e cultura.

O empenho e a motivação de seus voluntários, bem como, o esforço de seus gestores, demonstram uma prática de gestão social, confirmando as conexões com propostas democráticas e enriquecedoras de cidadania, que exibe um entrosamento nas inclusões sociais, no trabalho grupal, na tomada de decisão e no método dialógico, rompendo com os moldes de gestão habituais.

 

É através da concepção de projetos como o Projeto CCDS, que a ação da gestão social se faz plausível. Ficando demonstrado que todo o ambiente democrático não depende apenas de direito a voz, mas deve vir seguido de disposições coletivas, livre de repressão e diálogo.

 

Concluindo, observa-se que, a visão da prática da gestão no Programa CCDS pode ser visivelmente entendida através da participação intensa de seus atores sociais (gestores e voluntários) na resolução de suas dificuldades, deixando de lado sua atitude outrora passiva da sociedade civil não mais aguardando que o Estado resolva seus problemas.

 

REFERÊNCIAS

 

BORBENAVE, Juan. O que é participação. 8ª ed. Brasília: Editora Brasiliense, 1980.

CONSELHO COMUNITÁRIO DE DEFESA SOCIAL. 1- Disponível em: <https://www.facebook.com/photo.php?fbid=710059832461786&set=a.710061859128250&type=3&theater> Acessado em 4/fev./2016.

2- Disponível em: <https://www.facebook.com/profile.php?id=100003733260745&sk=photos&collection_token=100003733260745%3A2305272732%3A5> Acessado em 4/fev./2016.

 

COOPER, D.R.; SCHINDLER, P.S. Métodos de Pesquisa em Administração. 7ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2003.

FRANÇA FILHO. Genauto Carvalho de. Gestão Social: práticas em debate, teorias em construção. In:Definindo Gestão Social. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2008.

GONDIM, S.; FISCHER, T. Marques; MELO V. Formação em gestão social: um olhar crítico de pós-graduação. In: Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração. 2006 Salvador: ANPAD, 2006.

MALHOTRA. N. K. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. 3ªed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

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TACHIZAWA, Takeshy. Organizações não Governamentais e terceiro setor: criação de ONGS e estratégias de atuação. 3ed. São Paulo: Atlas, 2002 p.18.

TENÓRIO, Fernando G. (Re)visitando o conceito de gestão. In: gestão social: praticas em debate, teorias em construção. Fortaleza: Imprensa Universitária, 2008 p. 39-59.

______. Um espectro ronda o terceiro setor, o espectro do mercado: ensaios de gestão social. IN: Gestão Social: uma perspectiva conceitual. 3ª ed. Ijuí: Ed. Unijuí, 2008. p. 192.

VOCÊ SABE O QUE É UM CCDS. Disponível em http://www.joanarodrigues.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=5240657 Acessado em 2/fev/2016.

 

http://www.joanarodrigues.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=5240657

Joana Rodrigues Alexandre Figueiredo
Profa. desde 1986.Graduada em Gestão de Recursos Humanos.Pós-graduada em Gestão do Trab.Pedagógico, Ext. Un. em Tecnologia Educacional,Cap.em Problemas Relacionados ao Uso de Drogas,cursos pelo Portal Educação: Como Produzir um Curso a Distância, Cultura e a Educação e Gêneros Literários.Curso de Aperf. para Gestores Públicos de Cultura.Delegada Cultural.Presidente pró-tempore da ALB-Ce-Juazeiro
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