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Função tireoideana no cão


29 de outubro de 2010


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Talvez umas das doenças endócrinas de mais difícil confirmação laboratorial, seja a mais comum delas: o hipotireoidismo. A afirmação precisa de que existe uma situação real de hipofunção tireoidiana, pode ser extremamente desafiadora, especialmente pela facilidade de obtenção de falsos positivos nas investigações, e a possibilidade de alguns cães apresentarem anti-corpos anti-tireoidianos que levam a obtenção de resultados falso negativos em teste de rotina.

Para fugir destes viézes de aferição e interpretação, é importante que o clínico esteja familiarizado com os testes disponíveis para avaliar a função da tireóide, bem como os processos patológicos envolvidos na doença, e como outras entidades podem afetar os testes de função tireoidiana. Neste sentido, além de um adequado conhecimento sobre o hipotireoidismo canino, o clínico antes de solicitar uma avaliação de tireóide, deve fazer uma boa anamnese e exame físico onde busque tantas evidências a favor tanto contra a presença da doença forem possíveis.

A síndrome do eutireoideo doente é o principal ponto a ser lembrado, e que mesmo utilizando técnicas mais específicas como o T4 livre por diálise ou T4 livre bifásico, o clínico não esta livre de um falso-positivo caso colha sangue durante o curso de alguma doença sistêmica ou cutânea mais intensa; o que faz com que a convicção clínica do diagnóstico passe a ter uma importância adicional. Da mesma forma, uma adequada investigação quanto a exposição do paciente a drogas como corticóides, sulfonamidas, anti-inflamatórios não esteroidais, diuréticos, furosemida deve ser cautelosamente realizada para evitar interferência de drogas na avaliação da função da tireóide.

Na abordagem do cliente, é importante salientar estas interferências, além da possibilidade de falso-negativo na presença de anticorpos anti-hormônios tireoidianos, para justificar o porque da necessidade de aplicação de técnicas específicas de dosagem, como radioimunoensaio e as técnicas que utilizam diálise da amostra pré-mensuração, que frequentemente são mais caras. Dependendo da localização geográfica os custos podem ser bastante elevados, uma vez que poucos laboratórios no país oferecem estes exames. Uma adequada abordagem do cliente neste sentido faz a diferença entre ele aceitar ou não arcar com um teste honeroso. O preço, dependendo da condição do proprietário, normalmente não é o mais importante na escolha por um serviço, mas sim aspectos como confiabilidade e precisão. No entanto para tal, é preciso expor isto de forma adequada para não criar no cliente uma idéia de que o objetivo é lucrar em cima dos exames, mas sim de oferecer o melhor em termos de diagnóstico para o paciente.

Outra situação desafiadora é o paciente que chega com um diagnóstico anterior de hipotireoidismo, já em tratamento, e que na história clínica do mesmo, avaliação dos exames que determinaram o diagnóstico, e histórico de resposta ao tratamento, fica sugerido que houve um erro de diagnóstico, e que possivelmente o animal esta sendo suplementado com tiroxina desnecessariamente. Nestes casos, convém eticamente explicar ao cliente os viézes de aferição e interpretação que possam ter estado envolvidos no presente caso, e sugerir uma retirada lenta e gradual da suplementação para confirmação do diagnóstico. Quanto mais tempo o paciente estiver sendo suplementado, mais tempo deve demorar esta retirada gradual, mas jamais menos de 6 semanas de redução. Após completa retirada da tiroxina, deve-se aguardar ainda um período de recuperação da glândula, e um novo teste não deve ser realizado antes de 6 semanas da retirada completa da tiroxina.

Autor: Prof. Dr. Álan Gomes Pöppl

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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