(1)
(20)
8 de julho de 2009
A tabela abaixo ilustra a variação dos preços internacionais da tonelada de diferentes tipos de carne entre os anos de 2001 e 2003:
|
|
O consumo anual per capita de carne ovina no Brasil está estimado em 0,7 kg, muito abaixo do consumo das carnes bovina, aves e suína que são de 36 kg, 24 kg e 10 kg respectivamente. No entanto, mesmo apresentando este consumo irrisório de 0,7kg / cabeça / ano, grande parte da carne ovina consumida no Brasil ainda é importada, o que demonstra também o grande potencial do mercado interno para este alimento.
A próxima tabela ilustra a variação da quantidade de carne ovina importada em diferentes formas pelo Brasil entre os anos de 1992 e 2000
|
|
Esse grande potencial de mercado é evidente e tem gerado algumas iniciativas em vários pontos do país. Hoje, já se tem vários frigoríficos com linha de abate de ovinos, além de associações e cooperativas por todo o Brasil. Para ilustrar este fato, recentemente, no interior de São Paulo, o grupo Marfrig inaugurou uma planta com capacidade de abate para 1000 ovinos por dia. Já em Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, está sediada a Procordeiro – Cooperativa Mineira dos Produtores de Cordeiro, que funciona há cerca de 5 anos, realizando abates frequentes e distribuindo seus produtos no mercado regional da grande Belo Horizonte. Iniciativas semelhantes ocorrem também no Sul, Centro Oeste e Nordeste.
Além destas questões de mercado, a ovinocultura apresenta algumas peculiaridades que podem ser consideradas “vantagens” principalmente quando comparada a outras atividades pecuárias. Veja a lista a seguir:
1. Viabiliza-se em áreas menores, principalmente quando comparada à bovinocultura de corte;
2. Giro mais rápido do capital: no manejo adotado na maior parte do país, ocorre uma venda de animais para abate pelo menos a cada 8 meses ;
3. Melhores preços de venda da carne;
4. Tendência a melhores resultados por hectare.
A tabela a seguir mostra dados comparativos entre o confinamento de bovinos e ovinos, ilustrando em números os resultados obtidos com bovinos e ovinos confinados durante o mesmo período de tempo e consumindo alimento com custos iguais por unidade:
|
|
Atualmente, muitos confinamentos de bovinos não se viabilizam durante o período de confinamento, ou seja, o ganho de peso dos animais, muitas vezes, não paga o custo total do confinamento. Nestes casos, muitas vezes o confinamento se torna viável devido à possibilidade de liberar a pastagem para novos animais, permitindo ao pecuarista trabalhar com uma maior carga animal na sua fazenda, abater animais mais precocemente e obter um giro mais rápido do capital.
Já no caso dos ovinos, além dos benefícios de permitir maior carga animal na fazenda, abate mais precoce de animais e giro mais rápido do capital, o confinamento em si já é viável, pois o ganho de peso dos animais, associado ao preço de venda pagam o custo total do confinamento.
Logicamente, da mesma forma que ocorre com bovinos, no confinamento dos ovinos os detalhes também fazem a diferença. Uma boa separação de lotes, um bom controle sanitário, uma dieta bem balanceada e uma boa estrutura física do confinamento são fundamentais para garantir o resultado, caso contrário, mesmo o confinamento de ovinos pode se tornar inviável.
Se fizermos a comparação baseada no consumo diário de matéria seca por bovinos e ovinos, chegamos aos seguintes dados:
|
|
Aliado ao grande potencial de mercado e às características peculiares dos ovinos há uma forte aptidão do Brasil para produção agrícola. Assim, temos tudo o que é necessário para produzir ovinos de forma competitiva no mercado internacional. O rebanho ovino brasileiro atual, comparado aos grandes produtores de ovinos no mundo é muito pequeno, o que mais uma vez demonstra o potencial para a atividade.
|
|
Hoje, o Brasil já possui conhecimento técnico e genética de ponta, dois ingredientes fundamentais para o sucesso do negócio. As iniciativas estão surgindo e o mercado está aquecido. Temos a faca e o queijo na mão, portanto, vamos ao trabalho!!!
* O autor do texto, o veterinário Juarez Simões, é também facilitador da Pós-graduação em Ovinocultura de corte do ReHAgro.
Comentários
(1)
(20)