Mais de 900 cursos online com certificado em diversas áreas

esqueci minha senha
Sala de aula
Confira o regulamento Promoção do Mês

Artigos de Veterinária


Por que criar ovinos?


8 de julho de 2009


definir tamanho aA aA


 

A ovinocultura de corte tem aparecido nos noticiários agropecuários nos últimos anos como atividade rural promissora no Brasil. Tanto como atividade principal, quanto como atividade complementar, é fácil perceber que a ovinocultura tem ocupado lugar de destaque.

O aumento nacional do consumo da carne ovina acompanha uma tendência mundial. Além disso, em virtude deste aumento de consumo e pela lei da oferta e demanda, a carne ovina, comparativamente com outras carnes, tem apresentado maior aumento de preços por tonelada no mercado internacional, o que permite ao produtor maiores ganhos com este produto. Só para se ter uma idéia, no ano de 2001 a Austrália faturou US$ 1,4 bilhões referentes à venda de 641.400 toneladas de carne ovina, enquanto o Brasil, no ano de 2003, comemorou o posto de maior exportador de carne bovina com faturamento de US$ 1,4 bilhões para uma venda de 1,2 milhões de toneladas de carne. Ou seja, o ganho australiano por tonelada de carne ovina vendida foi praticamente o dobro do ganho da carne bovina brasileira. Logicamente, esta constatação não menospreza a vitória brasileira em relação ao mercado da carne bovina, mas serve para sinalizar o potencial do mercado da carne ovina que ainda é pouco explorado no Brasil.

A tabela abaixo ilustra a variação dos preços internacionais da tonelada de diferentes tipos de carne entre os anos de 2001 e 2003:

 

 

 O consumo anual per capita de carne ovina no Brasil está estimado em 0,7 kg, muito abaixo do consumo das carnes bovina, aves e suína que são de 36 kg, 24 kg e 10 kg respectivamente. No entanto, mesmo apresentando este consumo irrisório de 0,7kg / cabeça / ano, grande parte da carne ovina consumida no Brasil ainda é importada, o que demonstra também o grande potencial do mercado interno para este alimento.

A próxima tabela ilustra a variação da quantidade de carne ovina importada em diferentes formas pelo Brasil entre os anos de 1992 e 2000

                 

 

 
Esse grande potencial de mercado é evidente e tem gerado algumas iniciativas em vários pontos do país. Hoje, já se tem vários frigoríficos com linha de abate de ovinos, além de associações e cooperativas por todo o Brasil. Para ilustrar este fato, recentemente, no interior de São Paulo, o grupo Marfrig inaugurou uma planta com capacidade de abate para 1000 ovinos por dia.  Já em Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, está sediada a Procordeiro – Cooperativa Mineira dos Produtores de Cordeiro, que funciona há cerca de 5 anos, realizando abates frequentes e distribuindo seus produtos no mercado regional da grande Belo Horizonte. Iniciativas semelhantes ocorrem também no Sul, Centro Oeste e Nordeste.

Além destas questões de mercado, a ovinocultura apresenta algumas peculiaridades que podem ser consideradas “vantagens” principalmente quando comparada a outras atividades pecuárias. Veja a lista a seguir:

1. Viabiliza-se em áreas menores, principalmente quando comparada à bovinocultura de corte;
2. Giro mais rápido do capital: no manejo adotado na maior parte do país, ocorre uma venda de animais para abate pelo menos a cada 8 meses ;
3. Melhores preços de venda da carne;
4. Tendência a melhores resultados por hectare.

A tabela a seguir mostra dados comparativos entre o confinamento de bovinos e ovinos, ilustrando em números os resultados obtidos com bovinos e ovinos confinados durante o mesmo período de tempo e consumindo alimento com custos iguais por unidade:

 



O custo total de um confinamento é formado por diversos itens além da alimentação. No entanto, é conhecido também que tanto no confinamento de bovinos quanto de ovinos, a alimentação representa a maior porcentagem deste custo total, de maneira que mesmo estando resumida, a tabela acima nos mostra a grande diferença de resultados obtidos entre bovinos e ovinos confinados. Em virtude da melhor conversão alimentar e do menor preço de venda, os resultados no confinamento de ovinos tendem a ser melhores do que no confinamento de bovinos.

 

Atualmente, muitos confinamentos de bovinos não se viabilizam durante o período de confinamento, ou seja, o ganho de peso dos animais, muitas vezes, não paga o custo total do confinamento. Nestes casos, muitas vezes o confinamento se torna viável devido à possibilidade de liberar a pastagem para novos animais, permitindo ao pecuarista trabalhar com uma maior carga animal na sua fazenda, abater animais mais precocemente e obter um giro mais rápido do capital.

Já no caso dos ovinos, além dos benefícios de permitir maior carga animal na fazenda, abate mais precoce de animais e giro mais rápido do capital, o confinamento em si já é viável, pois o ganho de peso dos animais, associado ao preço de venda pagam o custo total do confinamento.

Logicamente, da mesma forma que ocorre com bovinos, no confinamento dos ovinos os detalhes também fazem a diferença. Uma boa separação de lotes, um bom controle sanitário, uma dieta bem balanceada e uma boa estrutura física do confinamento são fundamentais para garantir o resultado, caso contrário, mesmo o confinamento de ovinos pode se tornar inviável.
Se fizermos a comparação baseada no consumo diário de matéria seca por bovinos e ovinos, chegamos aos seguintes dados:

 



Esta tabela nos mostra que um boi confinado consome por dia 10,5 kg de matéria seca de alimento, enquanto um cordeiro consome por dia 0,95 kg de matéria seca de alimento. Portanto, baseados no consumo de matéria seca, podemos dizer que um boi consome por dia a mesma quantidade de matéria seca que seria consumida por 11,05 cordeiros. Se analisarmos o ganho de peso diário dos cordeiros de 250 gramas e multiplicarmos pelo número de cordeiros que 1 boi representa, encontraremos um ganho de peso diário equivalente a 2,8 kg, o que nos mostra que a conversão alimentar dos cordeiros em confinamento é muito melhor que dos bovinos.

 

Aliado ao grande potencial de mercado e às características peculiares dos ovinos há uma forte aptidão do Brasil para produção agrícola. Assim, temos tudo o que é necessário para produzir ovinos de forma competitiva no mercado internacional. O rebanho ovino brasileiro atual, comparado aos grandes produtores de ovinos no mundo é muito pequeno, o que mais uma vez demonstra o potencial para a atividade.

 

                      

 

Hoje, o Brasil já possui conhecimento técnico e genética de ponta, dois ingredientes fundamentais para o sucesso do negócio. As iniciativas estão surgindo e o mercado está aquecido. Temos a faca e o queijo na mão, portanto, vamos ao trabalho!!!

* O autor do texto, o veterinário Juarez Simões, é também facilitador da Pós-graduação em Ovinocultura de corte do ReHAgro.


Rehagro
Autor: Juarez Simões - Médico Veterinário
Some Rights Reserved

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

Comentários


Voltar para Veterinária

Escolha sua área do conhecimento