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quinta-feira, 18 de junho de 2009 - 14:49

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Peritonite em cães

por: Colunista Portal - Educação

A peritonite em cães ainda é caracterizada como uma severa complicação de afecções na cavidade abdominal.
Define-se a enfermidade como uma inflamação do peritônio, na maioria das vezes com prognóstico reservado, e que pode ser fatal. Ela se apresenta de diferentes formas, sendo a séptica a mais comum, em que microorganismos patogênicos proliferam rapidamente, e determinam processo infeccioso grave. Devido à importância da peritonite em cães, são abordados a etiopatogenia, os métodos diagnósticos e a conduta terapêutica mais apropriada. Para um prognóstico favorável, o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz são fundamentais.

A peritonite é responsável por complicações graves em intervenções cirúrgicas na cavidade abdominal, porém, em face de novos tratamentos, o prognóstico tornou-se mais favorável, embora muitos casos ainda evoluam para choque séptico e morte. A peritonite consiste em inflamação do peritônio, com classificação variável em relação à origem (primária, secundária), ao grau de contaminação (asséptica, séptica, mista) e à extensão, segundo a qual pode ser localizada (limitada a uma área anatômica específica) ou difusa (comprometendo de forma generalizada a membrana peritoneal).

Na peritonite primária, que representa menos de 1% dos casos, microorganismos migram para a cavidade abdominal por via hematógena ou linfática (CROWE Jr & BJORLING, 1998; SWANN & HUGHES, 2000; BEAL, 2005; FERRAZ & FERRAZ, 2005). Pode haver, também, contaminação retrógrada através da bolsa ovariana (por contaminação ascendente a partir de útero com infecção), desde a cavidade torácica (pelo arco lombocostal) e por migração transmural de bactérias intestinais endógenas em casos de isquemia ou de choque sistêmico (CROWE Jr & BJORLING, 1998; SWANN & HUGHES, 2000).

A peritonite secundária decorre de ferida penetrante na cavidade abdominal, podendo ainda estar associada a procedimento cirúrgico, a traumatismos (ruptura no trato urinário - uroperitônio) ou a enfermidades da cavidade abdominal, como ruptura de útero com piometra (Figura 1b) ou de abscessos (hepático e prostático), à perfuração de víscera oca por corpo estranho, que migra a partir de seu lume, ou por projétil de arma de fogo, dentre outras. O paciente com peritonite secundária sempre requer intervenção cirúrgica na cavidade abdominal (BRAY, 1996; CROWE Jr & BJORLING, 1998; SWANN & HUGHES, 2000; FERRAZ & FERRAZ, 2005; JUTKOWITZ, 2005; RIESER, 2005), pois ocorre alta taxa de mortalidade se não for tratada adequadamente, podendo evoluir com formação de abscessos, sepse e insuficiência múltipla de órgãos (WONG, 2005).

A peritonite asséptica pode ser química ou mecânica. Irritantes químicos como bile (Figura 1a), secreção gástrica ou pancreática, urina ou contraste a base de bário, usado em radiologia, extravasados na serosa abdominal determinam peritonite química (BRAY, 1996; STAATZ, 2002). A presença de drenos ou cateteres, talco de luvas, fio de sutura, fios de gaze ou compressa causam peritonite mecânica (BRAY, 1996; SWANN & HUGHES, 2000; PLUNKETT, 2001). Os autores desta revisão consideram que o uso inadequado de gaze, de compressa (que friccionem a serosa) ou de instrumental cirúrgico durante abordagem abdominal também determina inflamação do peritônio em grau variável. Por essa razão, recomendam dar preferência ao uso de aspiradores para enxugar a área operatória.

BRAY (1996) cita que mais de 50% das peritonites sépticas decorrem de deiscência em intervenções cirúrgicas em órgãos ocos. A peritonite bacteriana tem desenvolvimento rápido e com alto risco de vida, associado a microorganismos virulentos, principalmente bactérias entéricas, tanto anaeróbicas quanto aeróbicas (BRAY, 1996; CROWE Jr & BJORLING, 1998). O trato gastrintestinal é colonizado
por mais de 400 espécies de bactérias, sendo que a microbiota dominante é composta por Bacteróides, Eubacterium, Clostridium, Streptococos, Escherichia coli, Klebsiella e Pseudomonas (BOURGOIN et al., 2004). SWANN & HUGHES (2000) relatam que a Escherichia coli, o Clostridium sp e o Streptococcus faecalis são os microorganismos mais observados na peritonite bacteriana, o que reflete alta prevalência de complicações gastrintestinais. Para PLUNKETT (2001), a peritonite bacteriana, envolve um agrupamento de microorganismos anaeróbicos (Clostridium spp, Peptostreptococcus spp, e Bacteroides spp) e aeróbicos (Escherichia coli, Klebsiella spp e Proteus spp).

Obstruções, estrangulamentos, dilatações mecânicas ou até mesmo alterações em que se observem as alças intestinais macroscopicamente intactas provocam alteração na sua permeabilidade, facilitando a migração de bactérias para a cavidade abdominal. Pode haver disseminação desses microorganismos através da corrente circulatória gerando um quadro de septicemia, o qual pode levar o animal a óbito se não for instituído tratamento apropriado (CROWE Jr & BJORLING, 1998).

A peritonite mista decorre da evolução de uma peritonite mecânica ou química complicada pela presença de bactérias por contaminação ascendente (drenos ou ruptura de trato urinário, por exemplo) ou por migração transmural, especialmente a partir do trato gastrintestinal.
Considerando a multiplicidade de fatores causadores de peritonite e a dificuldade em tratá-la, tem-se por objetivo apresentar informações recentes sobre essa enfermidade, visando a estabelecer padrões de conduta que ofereçam maior possibilidade de sucesso em sua terapia.

Texto retirado do artigo: Peritonite em cães. Zimmermann et al., 2006

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