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Homeopatia e a Medicina Veterinária


13 de novembro de 2008


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A Homeopatia, genial terapêutica descoberta e desenvolvida pelo médico alemão Samuel Hahnemann no final do século XVIII, primeiramente utilizada no tratamento de moléstias em seres humanos, tem sua eficiência comprovada no tratamento das mais diversas espécies animais.

Para entender a utilização da Homeopatia na Medicina Veterinária, reporta-se à história da Homeopatia, que se inicia quando Hahnemannn, decepcionado com a medicina agressiva e pouco eficiente de sua época, abandona-a e dedica-se a traduzir livros e trabalhos científicos. Trabalhando na tradução de uma Matéria Médica sobre a utilização de China officinalis no tratamento de malária, algo fez com que Hahnemann, de forma inusitada, experimentasse China em sí mesmo, resultando em que todos os sintomas da malária produziram-se de forma branda em seu organismo. A partir desse auto- experimento, Hahnemann constatou a Lei da Semelhança, enunciada por Hipócrates há vários séculos ( Similia similibus curentur). Sendo assim, seguindo em experimentações de outras substâncias e anotando as observações, Hahnemann desenvolveu de forma brilhante a Homeopatia.

Essa nova " Arte de Curar " como era chamada a Homeopatia por Hahnemann, apresenta quatro princípios fundamentais:

1. Princípio da Semelhança: Quando um paciente relata os sintomas de sua doença é ministrado a ele o remédio feito a partir daquela substância que produziu os mesmos sintomas na experimentação ou na "doença artificial" .
Em outras palavras, toda substância que produz certos sintomas é capaz de curá-los.

2. Experimentação no Homem São : Se o indivíduo que experimenta uma substância estiver acometido de algum mal, então os resultados não serão confiáveis, pois não se saberá se os sintomas colhidos são do mal anterior ou produzidos pela ingestão da substância experimentada.
Alguns sintomas também eram colhidos através da observação de intoxicações acidentais com venenos.

3. Medicamento diluído e dinamizado: Esse procedimento, base da farmacotécnica homeopática, é o que confere o poder curativo do medicamento homeopático. Foi descoberto por Hahnemann quando este, no intuito de minimizar os efeitos tóxicos de algumas substâncias letais, onde os sintomas do doente eram semelhantes aos da intoxicação por essa substância, diluiu-as e agitou-as. Observou, então, que ao administrar esse medicamento aos seus pacientes, a melhora ocorria de maneira mais rápida e efetiva. As doses infinitesimais da Homeopatia ainda causam muita polêmica; porque quando se admite que não existe mais substância em sua forma ponderal nos medicamentos, ocorre uma reação de mal estar na comunidade científica tradicional. Segundo Kent, notável homeopata inglês, que antes de se convencer da eficácia da Homeopatia era um severo crítico dessa ciência, "É impossível às nossas faculdades cognitivas entender a realidade do além dos sentidos". Essa assertiva é explicada pelo Vitalismo, corrente que prega que o que rege e plasma a nossa matéria, ou seja o nosso organismo, é a Energia Vital, e quando essa está desequilibrada, o corpo material também se desequilibra.

4. Medicamento Único: A escola Hahnemaniana indica que toda a gama de sintomas apresentados pelo doente deve ser analisada, e após montar o "mosaico" de todos esses sintomas, apenas um medicamento deve ser prescrito, pois apenas esse corrigirá o desequilíbrio do paciente, levando-se em conta a sua maior semelhança com a doença.
A utilização da Homeopatia em animais data da época em que foi testada pelo próprio Hahnemann, que medicava seus cavalos com essa terapêutica. Além dele, Guilherme Lux (1773 - 1849), trabalhou com medicamentos dinamizados em animais doentes de mormo com sucesso, através de conhecimentos obtidos com Hahnemann.

A Prática da Homeopatia na Medicina Veterinária
A Homeopatia prioriza o tratamento de cada organismo como único, respeitando as suas particularidades. Com base nessa premissa, a conduta do médico veterinário homeopata é a de individualizar o paciente, buscando ao máximo todos aqueles sintomas raros, estranhos e peculiares apresentados na moléstia, entendendo que o que é digno de curar é o doente e não a patologia propriamente dita.
Em decorrência desse fato é que a maioria dos médicos veterinários homeopatas atuam na clínica de pequenos animais. Historicamente, quando um proprietário vem procurar o atendimento por Homeopatia para o seu animal, o faz por ter esgotado todos os recursos em alopatia. São, geralmente, casos crônicos como dermatites, otites resistentes a antibióticos e convulsões. Recentemente, os casos de distúrbios comportamentais são preferencialmente encaminhados para tratamento homeopático, obtendo-se êxito na maioria das vezes.
No tratamento de rebanhos, a particularização é feita entendendo que o rebanho pode ser considerado um organismo único; cada grupo tem características próprias: raça, temperamento, ocorrência geográfica e outros. Todos são fatores que devem levados em conta e que caraterizam aquele rebanho como único e suas moléstias como particulares. Foi a partir dessa conduta que Hahnemann tratou uma epidemia de escarlatina em seu tempo com Mercurius, que era o medicamento com cobertura sintomática daquela epidemia em particular. Hahnemann chamou de Medicamento do Gênio Epidêmico aquele utilizado para tratar uma moléstia que acomete toda uma população.
Tendo em vista a experiência de vários profissionais médicos veterinários homeopatas, é que se sabe que a Homeopatia pode ser utilizada em animais das mais diversas espécies. Também por experiência depreende-se que algumas espécies, especialmente os eqüinos, respondem muito bem e rapidamente à Homeopatia.

Texto retirado do link: http://www.cpap.embrapa.br/agencia/congressovirtual/pdf/portugues/02pt02.pdf

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