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2 de setembro de 2008
O ultra-som tem sido estudado pelos cientistas desde 1793, mas foi introduzido na medicina veterinária somente em 1966. A partir de então, os aparelhos desenvolvidos apresentavam cada vez maior definição de imagem, possibilitando diagnósticos precisos e tornando-se um método de diagnóstico por imagem fundamental em associação a outros na rotina clínica de pequenos e grandes animais. A popularidade do uso do ultra-som advém das características do exame ultra-sonográfico, ou seja, trata-se de técnica não invasiva e que não requer o uso de procedimentos de contenção química e radiação ionizante. Além disso, o equipamento é de fácil manipulação e instalação.
Se denominam ultra-sons aquelas ondas de freqüência superior a audível pelo ouvido humano, ou seja, acima de 20.000 Hz e a propagação dessas ondas depende da existência de matéria. As ondas refletidas pelos órgãos são denominadas Ecos.
Os ecos são analisados por um computador e transformadas em imagem, em uma escala de cinza.
Existem três tipos de diagnósticos ultra-sonográficos em caninos, são eles: modo-A, Doppler e modo-B.
O modo-A ou ultra-som de amplitude profunda identifica a presença de fluido por meio da oscilação de traçados. Este exame não pode definir a origem do fluido e não permite a avaliação da viabilidade dos órgãos ou tecidos. O exame ultra-sonográfico de modo Doppler fornece um sinal audível. O modo-B ou ultra-som em tempo real convencional permite a avaliação do status fisiológico do organismo animal.
A base física da ultra-sonografia está diretamente ligada ao efeito piezelétrico. O efeito piezoelétrico foi descoberto por Pierre e Jacques Curie em 1880 e consiste na variação das dimensões físicas de certos materiais sujeitos a campos elétricos. O contrário também ocorre, ou seja, a aplicação de pressões. Por exemplo, pressões acústicas que causam variações nas dimensões de materiais piezoelétricos provocam o aparecimento de campos elétricos neles, ou seja, é definido como a capacidade que determinadas matérias, como cristais, têm de vibrarem em determinada freqüência quando submetidos a uma pressão mecânica, como o som, transformando-a em impulsos elétricos. Dessa forma, é responsável pela transformação de energia elétrica em som e vice e versa.
Existem algumas propriedades relevantes ao exame ultra-sonográfico, como a freqüência do som (número de ondas completas por unidades de tempo, geralmente utiliza-se freqüências de 1 a 10 MHz) e a impedância acústica (capacidade que os tecidos vivos possuem de resistir ou impedir a transmissão do som. A intensidade dos ecos é determinada pela diferença de impedância dos tecidos). A freqüência do som representa o número de oscilações sonoras em um determinado período, correspondendo ao número de ondas por segundo. A impedância acústica é definida como o produto da velocidade das ondas pela densidade do meio estudado, ou seja, é a qualidade do tecido em transmitir as ondas e se formar a imagem.
Outro detalhe a ser lembrado é a terminologia de ecogenicidade. Essa nomenclatura está relacionada com a intensidade do cinza na imagem avaliada. Se não tem cinza, ou seja, está escura a imagem chamamos de anecóica ou anecogênica (área preta devido a ausência de ecos. Representa líquidos homogêneos (urina, ascite, bile)). Quando avaliamos o padrão cinza, ecóico ou ecogênico, podemos fazer comparações entre tecidos e dentro do mesmo parênquima, ou seja, hipo ou hiper, dependendo da diminuição ou aumento da tonalidade de cinza, respectivamente.
Hipoecogênico (hipoecóico): cinza obscuro, produzido por ecos de baixa intensidade. Representa tecidos que produzem reflexão média (linfonodos, abscessos, sangue). Os órgãos parenquimatosos produzem reflexão maior, sendo um cinza mais claro.
Hiperecogênico (hiperecóico): imagem branca, produzida por grande reflexão de ecos. Aqui são enquadrados ossos, tecido conjuntivo denso e gás.
Texto retirado do curso de Ultra-sonografia em Pequenos Animais do Portal Educação
Para mais informações acesse o site: www.portaleducacao.com.br/veterinaria
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