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2 de junho de 2008
As principais indicações para o exame sonográfico do baço são:
· Massa abdominal na região esplênica, palpável e/ou vista em radiografias;
· Avaliação do parênquima em esplenomegalias generalizadas;
· Hemoperitônio;
· Detecção de metástases esplênicas;
A contribuição da ultra-sonografia nas situações acima mencionadas não é primariamente fornecer um diagnóstico e sim orientar o clínico com relação ao próximo passo na abordagem diagnóstica ou terapêutica do problema em questão. Os achados ultra-sonográficos associados ao histórico e sinais clínicos auxiliam a tomada de decisões; a escolha entre possibilidades como: cirurgias emergenciais, abordagem cirúrgica não-emergencial, tratamento médico conservativo, controle sonográfico de um achado inesperado e realização de outros procedimentos como punções aspirativas e biópsias por fragmento sob orientação sonográfica. Estão relacionadas abaixo situações clínicas que indicam o exame sonográfico do baço e sua contribuição relativa:
Paciente com massa abdominal na região esplênica, palpável e/ou vista em radiografias
A avaliação sonográfica visa a confirmação ou não de massa no baço e avaliação de suas características (sólida x cavitária) que servirão de orientação ao atendimento ao paciente. As principais causas de massas esplênicas são: hemangiossarcoma, hematoma, hemangioma e abscesso esplênico. O hemangiossarcoma esplênico é a neoplasia esplênica com mais incidência em cães, especialmente de grande porte. Os sinais clínicos são fraqueza, letargia, perda de peso, mucosa pálida e, quando há ruptura, sinais de colapso circulatório devido a hemoperitônio. Sonograficamente são massas grandes, complexas e heterogêneas, com múltiplas e grandes cavitações em seu interior. A presença de hemoperitônio pode auxiliar o diagnóstico, entretanto, em muitos casos, não há ruptura do tumor. Metástases hepáticas e cardíacas podem estar presentes. Lembrem-se que nem todas as lesões esplênicas são neoplásicas e nem toda neoplasia esplênica é maligna. Infelizmente, hemangiomas e hematomas esplênicos não podem ser precisamente diferenciados de hemangiossarcomas através da ultra-sonografia.
Os hematomas esplênicos podem ter origem traumática, neoclássica ou espontânea.
Abscessos esplênicos são considerados raros em cães e gatos.
A ultra-sonografia tem 96% de sensibilidade na sua detecção e 99% de especificidade na sua exclusão. Eles apresentam-se como massas relativamente grandes, focais, complexas e muitas vezes observa-se ar em seu interior. Essas mesmas características clínicas e sonográficas foram descritas em abscessos esplênicos de cães.
Em pacientes com suspeita de massa esplênica, a palpação deverá ser cuidadosa devido ao risco de ruptura de cavitações, como as existentes em hemangiossarcomas, hematomas, hemangiomas e abscessos. Da mesma forma, recomenda-se que não sejam realizadas punções cegas se o exame sonográfico estiver ao alcance do clínico.
Massas cavitárias grandes e complexas não devem ser puncionadas, mesmo sob orientação sonográfica.
A torção esplênica também é causa de esplenomegalia difusa, entretanto, a história e os sintomas clínicos característicos raramente causam dificuldade diagnóstica. A torção pode ser confirmada sonograficamente pela grande dilatação de vasos esplênicos que, ao contrário da congestão passiva, terminam abruptamente no hilo esplênico.
O trauma abdominal fechado – decorrente de atropelamento, acidentes automobilísticos e quedas – é causa freqüente de trauma esplênico em humanos, levando a contusões, lacerações e ruptura do parênquima. A conduta imediata (abordagem cirúrgica) ou mediata (acompanhamento sonográfico e tratamento conservativo) em pacientes humanos depende dos achados sonográficos (severidade e extensão da lesão, volume e evolução do derrame sangüíneo para a cavidade) e das complicações hemodinâmicas presentes.
Em cães, trauma esplênico com hemoperitônio decorrente de atropelamentos ou trauma direto (chutes, quedas) são considerados infreqüentes. Entretanto dois aspectos precisam ser lembrados: (a) raramente cães atropelados ou com história de trauma direto que morrem devido a hemorragias abdominais são submetidos a necropsia, pois temos a tendência de considerar o trauma, especialmente atropelamentos, como causa do óbito. Um paciente não "morre atropelado". Ele morre devido a alterações decorrentes do atropelamento, tais como: trauma craniano, pulmonar, ruptura de órgãos, etc; (b) hematomas esplênicos não são infreqüentes e podem decorrer de traumas antigos naturalmente resolvidos pelo organismo.
A recomendação é que o exame ultra-sonográfico seja realizado em pacientes que: (1) tenham sinais clínicos de colapso circulatório agudo devido a hemorragias abdominais, com o objetivo de identificar massas esplênicas que se romperam; (2) tenham sofrido trauma abdominal, independente da presença ou não de sintomas de hemorragia. Pode parecer excesso de cautela submetermos todos os pacientes com trauma abdominal ao exame sonográfico, entretanto, a espera até que sinais clínicos de depressão, taquicardia e hipotensão se desenvolvam de forma a "justificar" o exame pode transformar um quadro clínico potencialmente reversível em óbito. Quando o exame ultra-sonográfico está ao nosso alcance, deve ser realizado.
(Por: Janis R M Gonzáles)*
* Professora assistente de Radiologia Animal, da Universidade Estadual de Londrina, e doutoranda pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP)
FONTE:
Revista Cães & Gatos – Número 82 – Ano 14 – Mai/Jun/1999
Gessulli Agribusiness
Para mais informações acesse o link: http://www.portaleducacao.com.br/veterinaria/cursos/cursos_detalhes.asp?id=193
Curso de Ultra-sonografia em pequenos animais
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