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Porco clonado pode produzir bacon saudável


1 de janeiro de 2008


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Andrew Pollack

O esterco daquele porquinho é menos poluente. Aquela porquinha produz mais leite para seus leitõezinhos. E o terceiro porquinho produz ácidos gordurosos normalmente encontrados em peixes, de modo que comer bacon produzido com sua carne pode fazer bem aos seres humanos.

Os três porquinhos, todos os quais vivem em diferentes fazendas experimentais, estão entre os animais criados por engenharia genética que podem um dia fazer parte das refeições norte-americanas. A bioengenharia também desenvolveu salmões que se desenvolvem ao seu peso comercial na metade do tempo, vacas resistentes a doenças e cabras cujo leite pode ajudar a evitar infecções nas crianças que o consumirem.

 

Mas só agora as autoridades federais norte-americanas estão começando a considerar seriamente a criação de regras que determinem se e quando os produtos derivados podem ser vendidos.

Alguns cientistas e executivos do setor de biotecnologia dizem que, caso a Food and Drug Administration (FDA, a agência federal norte-americana que regulamenta e fiscaliza alimentos e remédios), determine as regras do jogo, os grandes investidores talvez enfim se disponham a colocar seu dinheiro na criação de um mercado para os chamados animais transgênicos.

"No momento, é difícil atrair investimento empresarial", disse James Murray, professor da Universidade da Califórnia em Davis que está envolvido na criação das cabras com leite que combate infecções. "Que estudos são necessários? O que eles desejam saber?", ele disse, em referência às autoridades públicas. "Não existem referências".

Mas alguns especialistas acautelam que, mesmo que a FDA abra caminho em termos regulatórios, nos próximos meses, os investidores e as empresas do setor agrícola podem continuar hesitantes. Muitos temem que os consumidores venham a rejeitar alimentos derivados de animais transgênicos, também conhecidos como organismos geneticamente modificados (OGM).

"As empresas com as quais conversamos optaram pelo caminho orgânico, e estão preocupadas, pelo menos no momento, em que seus nomes sejam associados ao rótulo OGM", disse Cecil Forsberg, professor da Universidade de Guelph, em Ontário, Canadá, que ajudou a desenvolver o "enviropig", o porco com esterco menos poluente. A Smithfield Foods, por exemplo, uma das maiores criadoras de porcos e produtoras de alimentos de base suína no mundo, diz que não pesquisa com animais geneticamente modificados.

Os críticos dizem que alterar os genes dos animais pode conduzir a mudanças potencialmente perigosas na composição do leite ou da carne, como a introdução de uma proteína capaz de causar reações alérgicas. Eles dizem que também pode haver riscos ambientais, caso, por exemplo, os salmões extragrandes criados via modificações genéticas consigam escapar para o oceano e comecem a disputar comida ou parceiros sexuais com os salmões selvagens. Alguns observadores alegam, igualmente, que alguns dos processos usados para criar animais transgênicos podem prejudicar os animais mesmos.

As diretrizes federais talvez venham a surgir depois de mais de 15 anos de conversações e de largadas falsas na FDA, um atraso que irrita não só os cientistas que estão envolvidos na criação de animais transgênicos mas também os críticos da biotecnologia.

"O fato de que a agência tenha ficado imóvel por anos diante desse problema e não tenha proposta uma maneira clara de regulamentar o setor representa uma abdicação de suas responsabilidades", disse Joseph Mendelson, diretor jurídico do Centro pela Segurança Alimentar, uma organização não governamental de Washington. A FDA até agora não informou quando as regras devem estar concluídas.

"Queremos promulgar regras, mas só se forem as regras certas", diz Julie Zawisza, porta-voz da agência, a única representante da organização que está autorizada a se pronunciar sobre o assunto.

Alguns executivos do setor e ex-funcionários do governo dizem que um dos motivos para o atraso era o fato de que alguns funcionários do governo federal, em parte devido a uma preferência por menos regulamentação, desejarem normas menos abrangentes do que as que a FDA pretendia propor.

Enquanto isso, o setor de biotecnologia está pressionando por normas mais severas.

"Nosso objetivo soberano é conquistar a confiança do público para os nossos produtos", disse Barbara Glenn, diretora executiva de questões animais na Organização da Indústria da Biotecnologia, a associação setorial do ramo. "E não a teremos caso o processo de fiscalização não seja forte".

A FDA está agora tratando dos animais transgênicos, depois de divulgar em dezembro uma conclusão provisória de que leite e carne de animais clonados ¿mas sem outras manipulações genéticas - podem ser consumidos por seres humanos de maneira segura.

A FDA considera que os clones sejam menos geneticamente radicais do que os animais criados por engenharia genética - os quais, em lugar de serem apenas réplicas de animais que ocorrem naturalmente, recebem porções de ADN que lhes são estranhas, algumas oriundas de outras espécies.

Larisa Rudenko, assessora sênior de biotecnologia na divisão de medicamentos veterinários da FDA, diz que cada tipo novo de animal criado por engenharia genética requereria aprovação separada antes que pudesse ser usado como fonte de alimentos. A aprovação, segundo ela, deve ser concedida com base nas normas vigentes para medicamentos usados no tratamento de doenças de animais.

Embora os genes implantados tenham alguma semelhança com medicamentos, as regras existentes teriam de ser consideravelmente adaptadas a fim de enquadrar os novos casos.

Fonte: The New York Times

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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