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1 de janeiro de 2008
Inseminação artificial
A inseminação artificial é uma das técnicas mais simples e de baixo custo empregada na área de reprodução animal e a que apresenta melhor resultado, quando se pretende realizar a seleção e o melhoramento genético de um rebanho como um todo (Vale, 2002). O melhoramento genético é realizado por meio do uso de sêmem de reprodutores de comprovado valor zootécnico e da sua utilização em rebanhos selecionados, pelo processo de inseminação artificial. Apesar de sua simplicidade, a inseminação artificial requer um criterioso e rígido controle de suas diferentes etapas, que vai desde a seleção do reprodutor doador de sêmem, passando pelo processamento tecnológico deste, seleção e controle do rebanho, chegando até o treinamento do inseminador (Ohashi, 2002).
A detecção de cio é citada como a principal limitação para a implantação de um programa de inseminação artificial. Dessa forma, a eficiência da detecção de cio é um objetivo que nem sempre é alcançado de forma satisfatória, apresentando grande influência sobre a performance e produção de um rebanho (Martinez et al. 2001).
Vantagens
• Permitir maior aproveitamento de reprodutores que apresentam características melhoradoras. Em condições de monta natural, um touro produz até 50 bezerros/ano, enquanto que com a inseminação artificial, pode produzir 5.000 ou mais bezerros/ano.
• Facilitar a seleção genética do rebanho, possibilitando ao criador trabalhar com várias linhagens de reprodutores.
• Evitar a consangüinidade do rebanho por meio da utilização facilitada de sêmen de diversos reprodutores de outros criatórios.
• Diminuir a quantidade de touros na fazenda, facilitando o manejo e evitando brigas, reduzindo também os gastos com a aquisição e a manutenção de reprodutores.
• Assegurar ao proprietário a possibilidade de estocar e utilizar o sêmen de um reprodutor, mesmo depois de morto.
• Possibilitar aos criadores com condições financeiras limitadas, a utilização de reprodutores de alto valor zootécnico, graças ao baixo custo e facilidade de transporte do sêmen.
• Contribuir para um maior controle sanitário e reprodutivo do rebanho, eliminando as doenças da reprodução como campilobacteriose, brucelose e outras.
• Colaborar, por meio da assistência médica veterinária contínua e da organização detalhada do rebanho, na detecção de possíveis problemas.
• Controlar todo o rebanho e determinar os índices de fecundação, natalidade, eficiência reprodutiva, número de serviços por concepção, entre outros, e eliminar animais com fertilidade inferior à do rebanho.
Limitações
• Exige pessoal habilitado, para realizar a correta observação do cio, além de equipamentos especiais.
• Necessita de um inseminador capacitado, honesto e responsável.
• Pode disseminar rapidamente características indesejáveis quando não se conhece o reprodutor utilizado.
• Pode propagar algumas doenças, causar lesões e infecções no aparelho reprodutivo da fêmea quando o método não é utilizado corretamente.
• É necessário um manejo adequado, com boa alimentação, mineralização correta, assistência médica veterinária e responsabilidade.
• Conforme a localização da propriedade, o fornecimento periódico de nitrogênio líquido pode ser dificultado.
Transferência de embriões
A transferência de embriões (TE), é uma biotécnica que permite recolher embriões de uma fêmea doadora e transferi-las para fêmeas receptoras, com a finalidade de completarem o período de gestação. Apesar dos procedimentos sofisticados necessários para sua implantação, a TE é uma técnica mundialmente difundida. Sua importância básica para a produção animal consiste na possibilidade de uma fêmea produzir um numero de descendentes muito superiores ao que seria possível obter fisiologicamente, durante sua vida reprodutiva (Reichenbach et al. 2002).
Além de equacionar problemas relativos à questão de ordem genética e sanitária, a TE fornece a base técnica para viabilizar a implementação de biotécnicas afins, como a produção de clones e de animais transgênicos.
Vantagens
• Controla a transmissão de doenças infecto-contagiosas.
• Acelera o melhoramento genético do rebanho.
• Possibilita a maior disseminação de material genético das fêmeas de alto valor zootécnico.
Limitações
• Necessita de pessoal altamente qualificado.
• Ainda é uma técnica com elevados custos, sendo utilizada apenas por poucos criadores.
Sincronização de cio
A sincronização de cios como biotécnica reprodutiva associada à inseminação artificial permite a otimização da fertilidade nos rebanhos pela redução da temporada reprodutiva. A sincronização da ovulação por métodos hormonais em bovinos tem apresentado resultados animadores. Essa técnica permite realizar a inseminação artificial em tempo fixo, sem a necessidade de observação de cio, facilitando o manejo do rebanho e otimizando o emprego dessa biotecnologia a campo. Assim, observa-se grande economia de mão-deobra, além da possibilidade de agrupar e programar as inseminações,
otimizando os trabalhos em dias determinados (Ribeiro et al. 2001).
A sincronização de cios tem como principal vantagem a eliminação da necessidade de observação de cio e, consequentemente, a diminuição da estação reprodutiva, facilitando o manejo e concentrando os partos em uma época mais favorável do ano.
Porém, essa é uma técnica ainda bastante cara, pois necessita de mão-de-obra qualificada e uso de drogas com preço relativamente elevado por animal.
Produção in vitro de embriões
As técnicas de PIV (produção in vitro de embriões) têm sido utilizadas nos diferentes segmentos da reprodução assistida das áreas humana e animal. Adicionalmente, ela tem respaldado o desenvolvimento de biotécnicas clonagem, transgênese, sexagem, etc.
Na produção animal, particularmente nos bovinos, a utilização da PIV ainda é limitada em virtude da inconsistência dos resultados referentes às taxas e qualidades das mórulas e blástulas, do custo inicial para a construção da infraestrutura e do tempo consumido para executar a rotina de produção de embriões, que vai desde a punção folicular in vitro até o desenvolvimento in vitro de embriões.
Considerações finais
Outras técnicas extremamente importantes que as propriedades devem adotar, visando à melhoria da eficiência reprodutiva são: determinar uma estação de monta mais curta possível e conciliar os interesses de todos os segmentos da cadeia produtiva, tais como, criadores, invernistas, frigoríficos e consumidores, no tocante ao nascimento e desenvolvimento da cria, taxa de desmama, intervalo entre partos, crescimento pós-desmame, rendimento, cobertura de gordura, maciez da carne, categoria e tipo de animal, bem como custo/beneficio com bom retorno econômico favorável ao pecuarista.
A obtenção da máxima eficiência só é possível por meio de planejamento e execução de um bom programa de reprodução e melhoramento genético utilizando as biotécnicas com eficácia, além de treinamento e valorização do homem.
Fonte: Embrapa
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