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terça-feira, 1 de janeiro de 2008 - 00:00

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Reprodução animal - Introdução

por: Colunista Portal - Educação

A exploração pecuária nacional nos últimos anos vem enfrentando enormes dificuldades econômico-financeiras. Apesar dos notórios avanços tecnológicos alcançados com novos conhecimentos científicos, e aprimoramento das técnicas de criação animal, o gerenciamento inadequado, associado à falta de organização administrativa das propriedades, vem contribuindo decisivamente para a ineficiência operacional da atividade rural.

A reprodução de bovinos tem como finalidade a produção de bezerros e bezerras, utilizando matrizes, a partir da maturidade sexual até o momento de descarte e conseqüente substituição por novilhas (reposição), sendo que o ciclo se repete de geração em geração.

O
que se pretende por intermédio do maior e melhor conhecimento é a aplicação das técnicas pecuárias avançadas e intensificar as parições, de forma que cada vaca, em idade reprodutiva, produza um bezerro por ano e este deva ser criado de forma sadia e desmamado com bom peso.

A reprodução pode ser definida como o período entre a concepção da mãe e subseqüente concepção da filha. Conseqüentemente, os desafios reprodutivos incluem uma multiplicidade de fatores, variando da fertilidade dos gametas, mortalidade pós-natal até a infertilidade da cria.

Assim, a baixa eficiência reprodutiva é um reflexo de distúrbios que afetam negativamente a função fisiológica das fêmeas e dos machos bovinos, por intermédio da apresentação de síndromes tais como: anestro, repetição de cio, mortalidade embrionária precoce ou tardia, aborto, retenção de placenta, retardamento da puberdade e maturidade sexual. Esses distúrbios têm como conseqüência: o aumento do período de serviço, a elevação do numero de serviço/concepção, o aumento do intervalo entre partos, a redução da vida útil da fêmea e descartes precoces de reprodutores (Vale, 2002).

Eficiência reprodutiva

A baixa produtividade do rebanho deve-se, essencialmente, aos seguintes fatores:

• Baixo desempenho reprodutivo.

• Potencial genético inferior dos animais.

• Alimentação inadequada.

A maioria dos produtores desconhece a validade e a maneira de realizar-se um efetivo controle sanitário, bem como as técnicas de manejo e os cuidados com a alimentação, procedimentos indispensáveis à melhoria da eficiência reprodutiva na pecuária nacional. Até o momento, os produtores são os menos responsáveis pela situação atual, cabendo aos técnicos a grande responsabilidade de reverter esse quadro, levando ao conhecimento dos mesmos as técnicas mais avançadas, capazes de melhorar os atuais índices zootécnicos do rebanho. Ciente das novas tecnologias, mais impossibilitado ou não-disposto a adotá-las, a manutenção desses índices passa a ser responsabilidade dos próprios produtores.

O longo intervalo entre partos, verificado em nosso rebanho (acima de 18 meses), caracteriza a baixa eficiência reprodutiva dos sistemas de criação tradicional, onde os animais, além de apresentar baixo potencial genético, o longo intervalo entre partos não permite que esse potencial seja totalmente explorado.

A subnutrição as doenças debilitantes e infecto-contagiosas e o manejo inadequado são as causas principais da má performance reprodutiva que, por sua vez, contribui para uma acentuada redução na produção, retardando, também, o progresso genético e provocando grandes prejuízos “invisíveis” ao produtor (Ferreira, 1991).

A estruturação de uma fazenda exige, inicialmente, um levantamento sanitário, com eliminação dos animais portadores de doenças infecto-contagiosas e, posteriormente, um efetivo controle sanitário. Em um rebanho livre de doenças, a alimentação passa a ser o principal fator determinante da melhoria na eficiência reprodutiva. Isso porque não adianta a vaca bem nutrida manifestar cio precocemente pós-parto e, depois, repetir sucessivos serviços, por causa de infecções uterinas, ou então apresentar curto período de serviço e, posteriormente, ocorrer morte embrionária ou abortos, em conseqüência de
alguma doença infecto-contagiosa. Nesses casos, o intervalo entre partos continua longo.

Fatores que afetam a eficiência reprodutiva

Um período de serviço variando entre 65 a 87 dias, com intervalos de parto de 345 a 365 dias, permite que o animal obtenha o máximo de produtividade durante sua vida útil. O ideal seria uma vaca parir a cada 12 meses e ter uma longa vida reprodutiva.

A idade avançada ao primeiro parto, próximo aos 4 anos e o longo intervalo entre partos, que ultrapassa 18 meses, são responsáveis pela baixa eficiência reprodutiva dos rebanhos.

Idade a primeira cria

Todos os fatores que prejudicam o crescimento e desenvolvimento do animal jovem aumentam a idade ao primeiro parto. A boa criação dos animais jovens é essencial, pois bezerras e novilhas de hoje serão as vacas de amanhã.


Manejo alimentar

As causas nutricionais são de maior relevância por afetar, primeiramente, as funções fisiológicas gerais do organismo animal e, secundariamente, se refletindo em distúrbios no sistema reprodutivo. Esses são mais freqüentes em decorrência de falta (subnutrição), do que pelo excesso de nutrientes.

Para atender às exigências de mantença e desenvolvimento, os bovinos precisam de quantidades adequadas de nutrientes, água, energia, proteína e minerais. Os alimentos volumosos constituem a principal e mais econômica fonte de nutrientes. As pastagens que os animais consomem devem ser de boa qualidade e digestibilidade, com uma taxa de proteína bruta (PB) de cerca de 10%, nutrientes digestíveis totais (NDT) de 60% e teor mineral de 2%, em quantidade suficiente e em equilíbrio. Com esses teores nutricionais, os animais consomem grandes quantidades de alimentos e apresentam bons índices zootécnicos (Carvalho et al. 2003).

Energia

O excesso de energia (gordura), na fase que antecede a maturidade sexual em novilhas, pode acarretar distúrbios reprodutivos pelo acúmulo indesejado de tecidos gordurosos no sistema reprodutor. Na rotina, entretanto, o que ocorre com maior freqüência é a deficiência de energia sendo, portanto, o problema mais sério e limitante na exploração bovina. Nos rebanhos de corte, essa situação é mais relevante ainda, uma vez que, geralmente, não se tem um manejo racional de suplementação energética e volumosa nos períodos secos (principalmente lotes de vacas com cria ao pé e vacas gestantes), chegando os animais extremamente debilitados ao parto ou as estações de monta, comprometendo tanto a espermatogênese nos machos como o aumento da incidência de anestros nas vacas.

Proteína

A deficiência protéica geralmente está associada à escassez de volumoso de boa qualidade nas pastagens, não permitindo o consumo de alimento em quantidades necessárias. Essa deficiência prolongada no período de crescimento provoca o retardamento da puberdade e da maturidade sexual de machos e fêmeas e em animais gestantes, se for severa, pode induzir ao abortamento. No entanto, esse problema pode ser resolvido com o uso mais racional das pastagens, por meio de adubações periódicas, uso de pastejo rotacionado, vedação de pastagens para posterior uso na época seca, além de
suplementação alimentar a pasto.

Minerais

Cálcio e fósforo - a redução nos níveis de cálcio sanguíneo pode retardar a involução uterina, aumentar a incidência de partos distórcicos e de retenção de placenta. A deficiência de fósforo está relacionada com distúrbios reprodutivos,
manifestações como anestro, cios irregulares e redução na taxa de concepção. Sódio, cloro e potássio - o sódio e cloro são geralmente apresentados na forma de cloreto de sódio. O excesso de potássio, acompanhado de deficiência de sódio, acarreta o aparecimento de cios irregulares, prolongados, cistos, mortalidade embrionária e, às vezes, aborto. Essa síndrome aparece freqüentemente em animais mantidos em pastagens queimadas, uma vez que as pastagens apresentam níveis elevados de potássio e baixos de sódio.

Manejo Sanitário

A natalidade dos bovinos pode ser influenciada pela seleção de reprodutores e matrizes com boa capacidade reprodutiva e pelo estado sanitário dos animais. As doenças infecciosas, de origem bacteriana, viral ou parasitária, são importantes, pois afetam o aparelho reprodutivo de machos e fêmeas, impedindo a fecundação, causando abortos, repetições de cios, o nascimento de animais com porte inferior à média, disfunção hormonal, entre outros, inclusive a perda da função reprodutiva.

A maioria das disfunções passa desapercebida. Sendo assim, o controle preventivo de doenças em machos e fêmeas é de fundamental importância para se obter maior taxa de nascimento de bezerros e, conseqüentemente, maior rentabilidade na produção.

Cuidados com os machos

Os machos destinados a “touros” (inclusive os de compra) devem passar por criterioso exame de seleção no qual se observa a condição corporal, aparelho locomotor, parâmetros genéticos favoráveis (o ideal seria o teste de progênie) e aparência fenotípica (externa), além de exames laboratoriais. Ao exame físico, devemos observar o aparelho genital completo, procurando anomalias, defeitos, processos inflamatórios e observando medidas e condições estabelecidas para cada raça. O exame andrológico completo deve ser realizado antes de cada estação reprodutiva. Casos de falha na reprodução normalmente são atribuídos às fêmeas, quando na verdade, os machos ocupam o maior destaque em razão da transmissão de doenças pela monta.

Cuidados com as fêmeas

Fêmeas destinadas à estação reprodutiva devem apresentar boa condição corporal e ciclo normal. As fêmeas devem ser selecionadas antes do início da estação reprodutiva, para a formação dos lotes.


Enfermidades de interesse reprodutivo

As doenças da reprodução possuem peso importante nos índices de natalidade, taxa de prenhes, retorno ao cio, natimortos, entre outros, ou seja, inúmeros prejuízos. Várias são as enfermidades reprodutivas que acometem os bovinos. O aborto causa maior impacto, mas não é a enfermidade que causa maior perda.

O aborto em bovinos ocorre nos diversos estádios gestacionais e possui diversas causas, de modo que é fundamental o seu diagnóstico. As causas principais são a brucelose, leptospirose, campilobacteriose, complexo herpes vírus, trichomonose, diarréia viral bovina, intoxicações nutricionais, de manejo e outras desconhecidas (Fraser, 1991).

Aspecto reprodutivo

A reprodução de bovinos tem como finalidade a produção de bezerros e bezerras utilizando matrizes, a partir da maturidade sexual até o momento de descarte e conseqüente substituição por novilhas (reposição), repetindo-se o ciclo de geração em geração. O que se quer, por intermédio do maior e melhor conhecimento, é a aplicação das técnicas pecuárias avançadas e intensificar as parições, de forma que cada vaca, em idade reprodutiva, produza um bezerro por ano bem criado, o que demonstra a boa habilidade maternal.

A inseminação artificial é apenas um, porém importante e econômico argumento para atingir tal objetivo. A pecuária de corte usa a inseminação artificial para produção de carne, touros “melhoradores”, novilhas para a reposição e o aproveitamento de vacas que serão descartadas. Os rebanhos manejados intensivamente têm por finalidade reduzir ou manter o intervalo entre partos próximo dos 12 meses.

Monta natural

Em regiões onde há a predominância dos sistemas de criação extensiva e/ou semi-intensiva, a monta natural tem sido utilizada em larga escala, mesmo nos sistemas mais racionais, entretanto, alguns criadores, sobretudo os selecionadores, já utilizam inseminação artificial e transferência de embrião.

Essas tecnologias têm mostrado respostas extraordinárias no melhoramento genético do rebanho, num tempo muito reduzido. Também, em virtude dos altos investimentos, houve melhor atenção com alimentação, manejo e sanidade do rebanho.

Estação de monta

A estação de monta deve ser realizada no período de maior disponibilidade de pasto para garantir o bom estado geral das vacas e programar o nascimento dos bezerros na época menos chuvosa, com a finalidade de diminuir a mortalidade do recém-nascido. Portanto, deve ser adotado um programa de controle sanitário do rebanho, preparatório para a estação de monta. Essa, por sua vez, deve ser a mais curta possível, de no máximo 120 dias, podendo ser ajustada de acordo com o planejamento da propriedade.

Estação reprodutiva de novilhas

Com o uso estratégico de pastagens cultivadas de maior disponibilidade e qualidade durante a estação seca, uma melhor condição nutricional é proporcionada às novilhas que serão enxertadas e às novilhas de primeira cria.

Assim sendo, as novilhas paridas (primíparas) têm menor desgaste orgânico, favorecendo o aparecimento do primeiro cio fértil e as novilhas a serem enxertadas atingem mais rapidamente a condição corporal desejada.

O peso ideal para serem selecionadas ao programa reprodutivo, de novilhas Nelores está em torno dos 290-300 kg/vivo, atingindo esse peso em criações extensivas, por volta dos 26-30 meses. No entanto, em condições de pastagens melhoradas, pode ser reduzida para 28-24 meses. Já para as novilhas com sangue europeu, por volta dos 300-320 kg/vivo, dependendo da alimentação fornecida, a partir dos 12-18 meses.

Assim sendo, cada raça tem seu peso ideal à primeira concepção e deve ser respeitado, se o criador desejar que o animal atinja seu total desenvolvimento. Mesmo que essas novilhas entrem em cio antes de tal condição, elas não devem ser cobertas, pois se corre o risco de não conseguir manter as exigências nutritivas ao seu bom desenvolvimento. Fornecer boa alimentação às futuras vacas é, portanto, condição indispensável ao perfeito desenvolvimento e à obtenção de bons resultados.

Estação reprodutiva de vacas

O início da estação reprodutiva vai depender de qual época se deseja que aconteçam os nascimentos e a desmama. Uma vez que a gestação leva aproximadamente nove meses e meio, ela deve ter seu início programado por igual período, antes da primeira parição. A estação reprodutiva deve-se concentrar nos períodos de melhor fornecimento de alimentos, pois como as exigências nutritivas para reprodução são altas, o nascimento ocorre nos períodos secos, onde a incidência de doenças é menor.

Com uma “pressão de seleção” maior (eliminação de animais pelos mais variados motivos), pode-se melhorar esse tempo, sem ocorrer perdas, pois o valor econômico do descarte, adquire e repõe novas matrizes (novilhas, vacas paridas e/ou prenhes). Normalmente, quando a estação reprodutiva é muito longa, isso nos indica que não só esse fator deve ser corrigido, na determinada propriedade, pois sempre está associado a várias outras formas de manejo não tão adequadas.

A implantação da técnica de inseminação artificial, em fazendas sem estação reprodutiva definida, pode ser feita de forma rápida, pela seleção de matrizes e formação dos lotes, pastos reservados, treinamento de mão-de-obra (formação de inseminadores), preparação de rufionas e aquisição de materiais. As demais condições, a maioria das propriedades possui, mas não devemos esquecer que cabe ao veterinário (após observar e analisar a propriedade como um todo), a palavra técnica final, assumir, assim, posição decisiva para o sucesso ou o fracasso da implantação da técnica de inseminação artificial (Mies Filhos, 1970).

Diagnóstico de gestação

O diagnóstico feito precocemente identifica fêmeas não-gestantes e é ferramenta importante em procedimentos futuros, pois viabiliza a tomada de providências, tais como a redução do período parto-concepção, descarte de animais improdutivos, impedindo gastos desnecessários com alimentação dos mesmos, além da viabilização da avaliação da eficiência de programas reprodutivos (sincronização de cio, inseminação artificial (IA), transferência de embriões (TE), fertilização in vitro de embriões (FIV), entre outros), minimizando, assim, as perdas econômicas.;

Esse exame pode ser realizado por meio de palpação retal, uso de aparelho de ultra-som+ e dosagens hormonais, sendo mais utilizada a palpação retal, que é realizada por um médico veterinário qualificado, que poderá diagnosticar desde uma possível gestação até graves problemas reprodutivos.

Habilidade materna

A habilidade materna (capacidade de criar bezerros sadios e desmamá-los pesados), embora muitas vezes não levadas em consideração, traz grandes prejuízos. Matrizes que não desmamam bezerros pesados apresentam baixa habilidade materna, não sendo consideradas boas mães. Os motivos geralmente são: por defeitos de úbere como o de possuir peitos muito grossos (onde o recém-nascido tem dificuldade de “pegar”); ou peitos secos por inúmeras causas; não produzir leite suficiente; além da natural diminuição de produção de leite pela idade avançada; mães que enjeitam (rejeitam) bezerros, dentre outras causas.

Fonte: Embrapa

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