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Conceitos para formulação de ração: Ingredientes e Nutrientes

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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    1. Introdução

      A domesticação animal para consumo alimentar iniciou-se no início da era neolítica, por volta de 7000 a . C. [1]. A partir de então, além de preocupar-se com a alimentação da família, o homem passou a preocupar-se com a alimentação de seu rebanho. Naquele tempo a criação dependia da abundância da Natureza para garantir a sobrevivência de seus animais.

      Hoje sabemos que os alimentos são fontes de nutrientes para as funções fisiológicas que garantam a vida, saúde e produção dos animais. Com este conhecimento, podemos agir ativamente, plantando, comprando, armazenando e transformando os alimentos, de acordo com o necessário para produzir as rações para a criação.

      Os conceitos de ingrediente e nutriente são importantes e devem estar claros para entendermos a formulação de rações. Ingrediente é o próprio alimento que fornece os vários nutrientes. São alguns exemplos de ingredientes: milho, soja, farelo de soja, trigo, fosfato bicálcio e sal. Os nutrientes são os componentes ativos dos ingredientes, e participam no processo bioquímico de formação dos tecidos animais (Tabela 1). São exemplos de nutrientes: energia, proteína, aminoácidos, vitaminas, minerais e compostos bioativos.

      Assim o objetivo de formularmos as rações animais é combinar os alimentos de forma a fornecer as quantidades corretas de nutrientes que o animal necessita para crescer, manter-se saudável, produzir tecido ou reproduzir-se.

      Este é o primeiro em uma série de artigos onde discutimos os aspectos técnicos da formulação da ração. O objetivo é que o leitor, ao final, entenda quais são as etapas que o nutricionista percorre desde a escolha dos alimentos até a redação da etiqueta de garantia do produto.

       

      TABELA 1. Principais Nutrientes

    MACRONUTRIENTES

    AMINOÁCIDOS

    VITAMINAS

    MINERAIS

    Proteína bruta

    Alanina

    A

    Cálcio

    Extrato etéreo

    Arginina

    D

    Fósforo

    Carboidratos

    Asparagina

    E

    Potássio

    Água

    Acido aspartico

    K

    Cloro

     

    Cistina

    Tiamina B1

    Magnésio

     

    Glutamina

    Riboflavina B2

    Ferro

     

    Acido glutâmico

    Piridoxina B6

    Cobre

     

    Glicina

    Cianocobalamina B12

    Zinco

     

    Histidina

    Ac Nicotínico

    Manganês

     

    Isoleucina

    Ac Pantotênico

    Cobalto

     

    Leucina

    Ac fólico

    Iodo

     

    Lisina

    Ac lipóico

    Selênio

     

    Metionina

    Ac Ascórbico C

    Fluor

     

    Fenilalanina

    Biotina

    Molibdênio

     

    Prolina

    Mioinositol

    Cromo

     

    Serina

    Colina

     
     

    Treonina

       
     

    Triptofano

       
     

    Tirosina

       
     

    Valina

       

     

     

  1. Classificação dos ingredientes

    A grande maioria dos ingredientes fornecem todos os nutrientes necessários aos animais. São exceção alguns ingredientes especiais que fornecem apenas 1 ou 2 nutrientes importantes, como é o caso do fosfato bicálcio que fornece os nutrientes fósforo e cálcio, ou os aminoácidos sintéticos, como o ingrediente lisina-HCl que fornece apenas lisina e energia.

    Ingredientes como milho, soja, sorgo e outros fornecem praticamente todos os nutrientes. Assim no soja, por exemplo, Você encontra energia, proteína, todos os aminoácidos, todas as vitaminas, e todos os minerais que os animais utilizam. Assim, a pergunta lógica é: posso fornecer um único ingrediente para o rebanho? A resposta é: não! O problema não é a presença ou ausência do nutriente, mas sim a relação dos nutrientes entre si.

    Os animais apresentam exigências de níveis determinados para cada nutriente, como veremos a seguir. Normalmente um único alimento não é capaz de atender todas as exigências do animal ao mesmo tempo. Assim, um alimento pode ter muita proteína, mas pouca energia. Ou muita vitamina e pouco aminoácido. Para completar as necessidades dos animais é necessário combinar vários alimentos para que o resultado final seja um composto mais balanceado e eficiente do ponto de vista nutricional.

    Em função da maior concentração de determinado nutriente, o ingrediente pode ser classificado da seguinte maneira:

    Ingredientes protéicos ¿ maior concentração de aminoácidos.

    Ingredientes energéticos ¿ maior concentração de carboidratos ou óleo.

    Ingredientes fibrosos ¿ grande quantidade de fibras.

    Vitaminas ¿ vitaminas industriais

    Minerais ¿ minerais industriais

     

    TABELA 2. Exemplos de ingredientes

    PROTÈICOS

    ENERGÈTICOS

    FIBROSOS

    Farelo de soja

    Milho

    Pasto

    Farelo de algodão

    Sorgo

    Fenos

    Farelo de girassol

    Trigo

    Silagens

    Soja extrusada

    Triticale

    Farelo de trigo

    Farinha de carne

    Cevada

    Casca de soja

    Farinha de pena

    Centeio

    Casca de arroz

    Farinha de peixe

    Arroz

    Polpa de citrus

    Aminoácidos sintéticos

    Gordura animal

     

    Sucedâneos do leite

    Óleo vegetal

     

    Sucedâneos sangüíneos

       

     

    Assim, para atender as necessidades dos animais para os diversos nutrientes, é necessário combinar os diferentes ingredientes de cada grupo de forma que energia, aminoácidos, fibra, vitaminas e minerais sejam equilibrados na dieta.

     

     

  2. Exigências nutricionais

Os organismos vivos necessitam nutrientes para manter suas funções metabólicas. Assim, a formação de tecido para crescimento e reprodução depende do aporte de nutrientes em quantidades determinadas. Ainda mais importante que a quantidade de cada nutriente, é a relação entre eles. Como exemplo, não adianta fornecer excesso de vitamina se a ração é pobre em energia, pois o animal necessita de todos os nutrientes em doses equilibradas, de acordo com as suas exigências.

Tais exigências podem ser determinadas em experimentos que indicam indiretamente o nível ótimo para cada nutriente. Assim, se queremos descobrir o nível ótimo de energia para um frango em crescimento, o pesquisador escolhe aleatoriamente 3 ou 4 níveis de energia da ração a ser fornecido a 3 ou 4 grupos diferentes de frangos, mantendo os demais nutrientes fixos (Figura 1 abaixo). Basta então medir a variável de interesse, como ganho de peso, produção de leite ou número de ovos. O melhor resultado indica o nível ótimo a ser fornecido.

Outro ponto importante a observar é que as exigências nutricionais variam de acordo com a espécie, idade, estado fisiológico, clima e sexo. Assim, uma vaca produzindo leite tem exigência muito diferente do bezerro ou do touro. Em frangos de corte com crescimento acelerado, o ideal seria modificar a ração para cada dia de vida, pois a medida que cresce, a exigência dos nutrientes muda. Sabemos que na prática, a divisão da ração em fases é o mais factível de ser feito.

 

 

 

 

 

Por este método, podemos determinar o nível ótimo de qualquer nutriente que desejarmos.

Quando falamos em nível nutricional, uma idéia vem logo a mente: ´Quanto mais nutriente fornecido, melhor!`. Este é um erro muito comum observado nas criações. Na verdade, como dissemos acima, mais importante que a quantidade do nutriente, é a sua relação com os demais. Além disto, os animais continuam produzindo até um limite, que é determinado pela sua condição de saúde, meio-ambiente e genética. Então uma vaca meio sangue que tem capacidade para produzir até 20 kg de leite por dia, saudável e criada sem problemas de calor, não produzirá mais se aumentarmos os níveis de lisina, vitamina A ou qualquer outro nutriente da ração além do valor já estudado.

As exigências nutricionais são fáceis de serem acessadas, e normalmente estão disponíveis em tabelas publicadas por centros de pesquisa ou universidades que trabalham com produção animal.

 

Tabela 3. Exemplo de exigência de nutrientes para suínos e frangos de corte [2]

 

Suínos

 

Frangos

 

Pré

Inicial

Cresc

Abate

 

Inicial

Cresc

Abate

Energia Dig kcal/kg

3500

3400

3400

3400

Energia Met kcal/kg

3000

3100

3200

Proteína %

21

19

17,5

16,5

Proteína %

21,40

19,30

18,00

Cálcio %

0,90

0,83

0,76

0,65

Cálcio %

0,96

0,87

0,80

Fósforo disponível %

0,50

0,43

0,36

0,32

Fósforo disponível %

0,45

0,41

0,37

Sódio %

0,22

0,18

0,17

0,16

Sódio %

0,22

0,19

0,19

Lisina dig %

1,20

0,93

0,83

0,74

Lisina dig %

1,14

1,05

0,94

Metionina+Cist dig %

0,72

0,56

0,54

0,49

Metionina+Cis dig %

0,81

0,74

0,67

Triptofano dig %

0,22

0,17

0,16

0,15

Triptofano dig %

0,18

0,18

0,16

Treonina dig %

0,78

0,60

0,55

0,52

Treonina dig %

0,68

0,60

0,54

Arginina dig %

0,51

0,39

0,29

0,22

Arginina dig %

1,20

1,13

1,02

Valina dig %

0,82

0,64

0,56

0,50

Valina dig %

0,88

0,84

0,75

 

Em nosso próximo artigo, vamos entender as diferentes unidades utilizadas para expressar os nutrientes, discutir o que é nutriente digestível aparente e verdadeiro, diferença entre energia bruta e metabolizável, de modo a estarmos aptos a avaliar as informações dos fabricantes.

 

     

  1. Perlès, Catherine As estratégias alimentares nos tempos pré-historicos. In: Flandrin J.L, Montanari, M. (Ed.). História da Alimentação, [tradução: Luciano Vieira Machado e Guilherme J.F. Teixeira]; São Paulo: Estação Liberdade, 1998, p. 36-53.

     

  2. Rostagno H. S et al., Tabelas brasileiras para aves e suínos, composição de alimentos e exigências nutricionais, Viçosa:Imprensa Universitária, 2000, 141p.

Fonte: Bünge Alimentos

CreativeCommons

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