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terça-feira, 1 de janeiro de 2008 - 00:00

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Programa nutricional para confinamento de bovinos de corte: Influência na qualidade

por: Colunista Portal - Educação

A primeira grande pergunta sobre o tema acima descrito é: por que confinamos?

Muitas respostas aparecerão, tais como evitar perda de peso na estação de baixa oferta/qualidade de forragem, encurtar o ciclo de produção promovendo antecipação do capital aplicado, intensificação de área destinada a recria/engorda visando aumentar rentabilidade da área explorada, melhorar a qualidade da carne produzida...pois é, até isto podemos fazer! Como a intensificação sabidamente levará a um melhor retorno sobre capital investido (principalmente na região sudeste/sul e muito provavelmente centro-oeste), focaremos o confinamento como meio de melhorar alguns atributos de qualidade de carcaça.

A qualidade da carne é medida por diversas características, tais como: maciez, suculência, sabor. Inadequação da maciez foi avaliada recentemente pela Auditoria Nacional de Qualidade de Carne (USA), naquele mercado, como o segundo maior problema, representando perdas comerciais da ordem de U$ 7,64/animal abatido. Pesquisas indicam que a característica maciez e seus cortes possuem uma variação excessiva, segundo raças e cruzamentos, grau de acabamento, idade e também, não menos importante o tratamento pós abate.

Um programa nutricional que busca maciez passa obrigatoriamente pela definição de ganhos superiores a 1,1 kg/animal dia (desmame/abate), este ritmo acelerado de crescimento levará a formação de feixes musculares com colágeno solúvel, sendo a solubilidade do colágeno responsável por boa parte da característica de maciez, outro fator curioso é que o colágeno também pode modificar sua solubilidade quando os animais passam por períodos de ganho compensatório, ou seja, em nossa condições onde boa parte dos animais provêem de pastagens com ganhos diários abaixo de 1,1 kg, ao ingressar em plano nutricional superior, um nível alimentar geralmente superior a 2 ( somatória da energia de manutenção + ganho, dividido pela energia de manutenção), o ganho compensatório certamente ocorrerá e trará um beneficio adicional pouco conhecido por quem produz animais confinados.

Outro componente essencial para a maciez é a quantidade de gordura na carcassa (quadro 01) e sua porção intramuscular. A gordura intramuscular é responsável por suculência, cheiro e maciez da carne, a cobertura de gordura na carcassa é fundamental para manutenção da qualidade, pois a quantidade mínima de 3 mm é requerida para que o resfriamento da carcassa ocorra de maneira lenda evitando escurecimento da carne e redução de sua maciez, conseqüência do encurtamento das fibras musculares. Uma das formas de se avaliar a quantidade de gordura intramuscular é através da medida da espessura da cobertura de gordura no músculo longissimus dorsi (contra-filé) tomado ente a 9 e 11A costela, quanto maior a espessura de gordura maior será o percentual de gordura intramuscular (marmoreio). Nos EUA as carnes mais premiadas são aquelas cujas carcassas apresentaram espessura de gordura superior a 14mm, no Brasil são aceitos valores entre 3 a 10 mm. Gordura intramuscular tem alterações segundo raças, peso de carcassa e plano nutricional. Quanto ao plano nutricional, temos que levar em conta que diferentes propostas de ganho de peso, produzem composição do ganho também diferentes. É comum tratarmos ganho de peso como uma coisa só, ou seja analisando ganho de peso vivo diário, ou ganho médio diário, entretanto a deposição de ossos, músculo e gordura são diferentes segundo planos nutricionais diferentes. Alta participação de concentrado na dieta geralmente proporcionam maiores ganhos de peso e consequentemente maiores quantidades de gordura na carcassa, pois a composição do ganho em planos nutricionais com objetivos superiores favorece a deposição de gordura. Isto explica em boa parte o tipo de dieta usada por confinamentos nos EUA, uma vez que os maiores prêmios (US$) são para carcassas mais "gordas".

Trabalho interessante foi conduzido por Pethich et al., 2001 (tabela 01), que analisou a quantidade de gordura intramuscular depositada em animais sob dois sistemas de terminação: a pasto com suplementação e confinados. Observa-se que o plano de alimentação dos animais confinados é mais eficiente para deposição de gordura intramuscular, e que a mesma sempre aumenta a medida que aumentamos o tamanho de carcassa abatida. Sendo assim mercados que pagam por este tipo de atributo, induzem a um sistema de terminação em confinamento fechado e uma plano nutricional menos conservador.

O peso inicial na entrada do confinamento, em nossas condições, terá muito a ver com a disponibilidade ou não para áreas de recria. De qualquer forma o desempenho, medido em ganho de peso, será sempre maior para os indivíduos que adentrarem dento de um confinamento com a estrutura esquelética formada e idade cronológica maior. Entretanto a qualidade da carne, medida segundo parâmetros de maciez e composição de gordura, tenderá sempre a favorecer os animais com ingresso antecipado, isto quando as diferenças de idade forem bastante distintas. No quadro 02 podemos notar o efeito do peso de ingresso sobre as diferenças de ganho de peso, de indivíduos terminados com a mesma qualidade de carcassa. Esta eficiência explica a recomendação de ingresso de peso vivo superior a 250 kg, para novilhos no sistema super precoce.

Atualmente varias pesquisas estão sendo desenvolvidas avaliando também a nutrição e seus efeitos na carcassa após o abate, entre estas linhas de pesquisa os estudo de altas doses de vitaminas D3 e vitamina E tem apresentado resultados bastante promissores quanto a incremento de maciez e preservação dos cortes de carne. No tocante a preservação das características de preservação, a descoloração da carne fresca é resultado da oxidação da gordura e pigmentos musculares (mioglobina e oximioglobina) devidos a exposição ao ambiente (O2), este processo é iniciado com 30 minutos de exposição, afetando drasticamente a coloração da carne quando 70% da mioglobina é oxidada, adquirindo um tom marrom. A Associação Nacional de Criadores de Bovinos de Corte (USA), estima que o uso da tecnologia de altas doses de vitamina E na dieta de terminação pode recuperar US$ 0,32/kg de carne nas vendas internacionais e até US$ 1,00/kg de carne vendida domesticamente. O quadro três dá mostra do resultado de uma das pesquisas avaliando doses de vitamina E na nutrição de bovinos de corte.

Conclusão: Em um mundo competitivo produtores e industria muito em breve darão as mãos para maximizar oportunidades. A compreensão de que qualidade será fator de permanência na atividade e não diferenciação, tocará a todos nós, e a compreensão dos meios e métodos para obte-la estará cada vez mais em nossa discussões.

Fonte: Bünge Alimentos

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