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terça-feira, 1 de janeiro de 2008 - 00:00

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Usos da casca de soja na nutrição de animal

por: Colunista Portal - Educação

  • INTRODUÇÃO

    A soja nos dia atuais é um dos principais produtos utilizados na alimentação animal e humana, no que tange a nutrição animal o produto é representado pelo farelo de soja, sendo classificado como principal fonte de proteína para monogástricos e poligástricos.

     

    Além da proteína, a fibra também é nutriente essencial para os animais, principalmente os ruminantes, pois é responsável pelos processos de mastigação, motilidade ruminal, manutenção do PH ruminal, saúde animal, consumo de matéria seca, fornecimento de energia, entre outros. Ela é definida nutricionalmente como a fração do alimento lentamente digestível e fração indigestível, que ocupa espaço no sistema digestivo dos animais.

     

    Toda vez que se adicionar grande quantidade de fibra na ração animal e esta fonte for de forragem de baixa qualidade o resultado será redução do consumo do alimento e por conseqüência menor resultado zootécnico. Ao contrario, quando a ingestão de fibra for menor que a desejada ou exigida, problemas metabólicos poderão ser ocasionados, que também causarão menor desempenho animal.

     

    Outro aspecto é a qualidade da fibra, onde os pesquisadores Van Soest & Wine, desenvolveram um teste que classificou a fibra em fibra detergente neutro (FDN), uso de sulfito de sódio (para eliminar o nitrogênio ligado a FDN) e a -amilase (para remover o amido), e fibra detergente ácido. A FDN é toda fração composta de hemicelulose, celulose e lignina, sem considerar características físicas, como, tamanho e densidade, que influenciam diretamente na fermentação, produção de gordura do leite, mastigação,...

     

    Frente aos aspectos expostos fica determinado a importância da fibra na dieta dos ruminantes. Para ocupar esta lacuna aparece a casca de soja, produto de excelente qualidade e baixo custo que pode ser uma alternativa frente aos ingredientes tradicionais, gerando a redução dos custos da cadeia produtora de proteínas animais.

     

       

    • PORQUE USAR

       

      A casca de soja é o envoltório do grão separado do embrião no processo industrial de preparação, sendo retirada após a quebra dos mesmos. Durante o processo de obtenção da casca é necessário que esta seja tostada a fim de destruir metabólicos antinutricionais. A cada 100 Kg de farelo de soja "hipro"(alta proteína) produzido resulta em 8 kg de casca de soja.

       

      Com relação as características nutricionais a casca de soja possui alto teor de FDN (74%) e FDA, porém baixa quantidade de lignina (2%), obtendo-se digestibilidade em torno de 90%. Segundo NRC, 1984 a casca apresenta 2,82 Mcal de energia digestível por kg de MS, sendo considerada uma fonte de energia. Muitos pesquisadores a classificam como produto intermediário entre concentrado e volumoso, semelhante ao que ocorre a polpa cítrica e resíduo de cervejaria, desempenhando papel fisiológico de fibra vegetal e funcionando como um grão de cereal em termos de energia. (TABELA 1)

       

      A casca de soja pode chegar a 80% do valor energético do milho, além de proporcionar aos animais um valor de fibra bem acima do milho. Por esses motivos a casca pode tranqüilamente substituir volumosos de alta qualidade, sem interferir nas concentrações de acetato ruminal e teor de gordura do leite.

       

      A alta palatabilidade unida as características nutritivas deste produto gera um ingrediente que pode ser adicionado em dietas de vacas em lactação e bovinos de corte, controlando a acidose ruminal em dietas com altos níveis de concentrados.

       

      A inclusão de casca em dietas a base de forragem (como suplemento) gera efeitos benéficos associativos positivos, promovendo o equilíbrio da microflora ruminal, efeito não observado quando é utilizado o milho(alto teor de amido).

       

      Em 1997, Hsu et al. verificaram que taxas de inclusão de 50 a 70% de casca de soja em dietas de cordeiros (140 e 220 g/dia) aumentaram o ganho de peso em substituição de feno de gramínea.

       

      Em novilhos de corte, Ludden et al. (1995), substituíram milho por valores crescentes de casca de soja (0; 20; 40 e 60% da MS da dieta), concluindo que 20% ou menos de substituição não afeta no desempenho animal e proporciona menores efeitos metabólicos, além de aumentar a disponibilidade energética de outros nutrientes da dieta.

       

      Muitos outro autores relatam que a casca pode ser substituto de alimentos ricos em amido, principalmente em dietas de vacas em lactação, devido ao efeito benéfico sobre a digestibilidade da matéria seca da dieta e na produção de leite.

       

      Em suínos o uso da casca de soja também já é uma realidade, onde pequenas taxas de inclusão nas categorias de reprodução e terminação tem gerado resultados positivos, principalmente no desempenho e menores níveis de poluição ambiental(redução das emissões de nitrogênio).

       

       

         

      • RECOMENDAÇÕES DE INCLUSÕES:

         

      • Ruminantes

         

      • Corte: 15 a 20%

         

      • Leite: até 8%

       

         

       

         

      • Suínos

         

      • Crescimento e engorda: 3%

         

      • Reprodução: 12 a 15%

       

         

      • Poedeiras

         

      • Crescimento e maturidade: 5%

         

      • Produção: 2%

      - Composição bromatológica e energética da casca de soja em base de matéria natural:

         

      • TABELA 1

       

       

      Área de Produtos de Nurição Animal

      Nutriente

      Valores Médios Observados

      Matéria seca (%)

      87,94

      Energia bruta (Kcal / Kg)

      3632

      Proteína bruta (%)

      13,17

      Extrato etéreo (%)

      2,49

      Fibra bruta (%)

      34,50

      Cinzas (%)

      3,76

      Cálcio (%)

      0,44

      Fósforo (%)

      0,14

      Magnésio (%)

      0,19

      Cobre (mg/kg)

      13,09

      Ferro (mg/kg)

      864,96

      Manganês (mg/kg)

      30,96

      Zinco (mg/kg)

      53,20

      Atividade ureática (dif. De PH)

      0,35

      Luciano Souza - Vendedor Técnico

Fonte: Bünge Alimentos

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