Tilápia Nilótica e suas características

Artigo por Vagne de Melo Oliveira - domingo, 23 de setembro de 2012

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A tilápia é a espécie de água doce mais utilizada para cultivo comercial
A tilápia é a espécie de água doce mais utilizada para cultivo comercial
A tilápia foi um dos primeiros peixes criados em aquicultura pelos antigos egípcios, há aproximadamente 4.000 anos e, embora a distribuição mundial significativa de tilápias - principalmente a de Moçambique Oreochromis mossambicus - tenha ocorrido entre as décadas de 1940 e 1950, a difusão maior deste peixe ocorreu a partir da década de 1960 até a de 1980.

A tilápia-do-Nilo, Oreochromis niloticus, foi introduzida do Japão para a Tailândia, em 1965, deste último, enviados para outros países asiáticos e africanos (KUBITZA, 2006). Da Costa do Marfim, foi introduzida no Brasil em 1971, sendo enviados na mesma década para os Estados Unidos e a China, que hoje é líder mundial na produção de tilápia e produziu mais da metade da produção global nos anos de 1992 a 2003 (FAO, 2010). Segundo Kubitza (2000), mais de setenta espécies de tilápias já foram identificadas e catalogadas, dentre as quais, quatro conquistaram o mercado mundial: a tilápia-do-Nilo ou tilapia cinza (O. niloticus), a tilápia azul ou áurea (O. aureus), a tilápia-de-Moçambique ou vermelha (O. mossambicus) e a tilápia Zanzinbar (O. urolepis hornorum). No Brasil são cultivadas diversas linhagens de tilápias, dentre as quais a de cor cinza e a de cor vermelha merecem destaque pela produção e consumo nacional (KUBITZA, 2006).

A O. niloticus é uma espécie tropical e subtropical, que prefere viver em águas doce e rasa (IGARASHI, 2008), alimentando-se de fitoplâncton, plantas aquáticas, pequenos invertebrados, fauna bentônica e detritos (ROTTA, 2003). Sistematicamente, são peixes teleósteos (Teleostei), possuindo uma das três infraclasses da classe Actinopterygii (do grego aktis, raio + pteryx, nadadeira; asa) de peixes ósseos (RODRIGUES, 2009). A característica biológica da O. niloticus inclui: corpo compacto; espessura do pedúnculo caudal igual ao comprimento, escamas ciclóides, protuberância similar a um botão, ausente na superfície superior do focinho. O comprimento da mandíbula superior não apresenta dimorfismo sexual (não diferindo entre os sexos) e o primeiro arco branquial apresenta de 27 a 33 trilhas/rastros. Peixes desta espécie apresentam ainda linha lateral interrompida, partes espinhosas e partes moles de raios da nadadeira dorsal contínuas, nadadeira dorsal com 16 a 17 espinhos, sendo a anal com 3 e a caudal é truncada. Atinge maturidade sexual em torno de seis meses, além de serem altamente prolíferas (podem gerar 4 desovas/ano) (KUBITZA, 2005; FAO, 2010). A maioria das espécies protege sua cria na boca, onde são chocados. Isso ajuda os ovos a ficarem oxigenados e os previne de serem atacados por bactérias, fungos e demais predadores (KUBITZA, 2000).

A tilápia é a espécie mais utilizada, entre os peixes de água doce, para cultivo comercial, por apresentar melhor desempenho entre os peixes, sobretudo os machos, além de possuir boas características zootécnicas, organolépticas, ser de boa aceitação pelo público; de seu valor nutricional em termos de proteínas (IGARASHI, 2008). Com relação ao filé, o mesmo é desprovido de espinhas intramusculares, e possui bom rendimento (KUBITZA et al., 2007). Somado a isso, está o amplo conhecimento técnico - tais como cultivo, alimentação, manejo -, e biológico acerca da espécie, o que viabiliza sua utilização econômica, potencializando-a para industrialização (ISHIKAWA et al., 2008).

REFERÊNCIAS

FAO. Cultured Aquatic Species Information Programme: Oreochromis niloticus (Linnaeus, 1758, Cichlidae). Disponível em: . Acesso em 25 de abril de 2010.

KUBITZA, F. Questões Tilápias: qualidade das águas, sistemas de cultivo, planejamento de produção, manejo nutricional e alimentar e sanidade. Panorama da Aqüicultura, Rio de Janeiro, v. 10, n. 59, p. 44-53, 2000.
_____. Tilápia em água salobra e salgada. Panorama da Aquicultura, Rio de Janeiro, v. 15, n. 88, p. 14-18, 2005.
_____. Questões mais frequentes dos produtores sobre a qualidade dos alevinos de tilápia. Panorama da Aqüicultura, Rio de Janeiro, v. 16, n. 97, p. 14-23, 2006.

_____. Tilápias na bola de cristal. Panorama da Aquicultura, Rio de Janeiro, v. 17, n. 99, p. 14-21, 2007.

KUBITZA, F.; ONO, E.A.; CAMPOS, J.L. Os caminhos da produção de peixes nativos no Brasil: uma análise da produção e obstáculos da piscicultura. Panorama da Aquicultura, Rio de Janeiro, v. 17, n. 102, p. 14-23, 2007.

IGARASHI, M.A. Característica do agronegócio da tilápia cultivada no Brasil: uma força ascendente. PUBvet, v. 2, n. 25, 18 p., 2008. ISHIKAWA, N.M.; RANZANI-PAIVA, M.J.T.; LOMBARDI, J.V. Metodologia para quantificação de leucócitos totais em peixe, Oreochromis niloticus. Archives on Vetrinary Science, v. 13, n. 1, p. 54-53, 2008.

RODRIGUES, A.C.F. Estudo de variações bioquímicas e morfológicas induzidas por pesticidas organofosforado e carbamato em tilápia (Oreochromis niloticus) e cascudo (Pterygoplichthys anisitsi), como biomarcadores de contaminação ambiental. 2009. 109 p. Dissertação (Mestrado em Biologia Animal) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, São José do Rio Preto, SP. ROTTA, M.A. Aspectos gerais da fisiologia e estrutura do sistema digestivo de teleósteos relacionados à piscicultura. Corumbá, Embrapa pantanal, 48 p., 2003.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

colunista

Vagne de Melo Oliveira

Mestrado em Ciências Biológicas pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Biotecnologia - Biologia Celular e Molecular) da Universidade Federal de Pernambuco. Especialização em Microbiologia pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia da Faculdade Frassinetti do Recife (Morfologia e Biologia Molecular de Microrganismos). Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade

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