Bactérias interferem na qualidade do leite de cabra
As infecções por bactérias do gênero Mycoplasma têm chamado atenção das propriedades de criação de ovinos e caprinos no mundo. Em especial, na região Nordeste do Brasil, a Agalaxia Contagiosa dos Ovinos e Caprinos (ACOC) pelo Mycoplasma agalactiae desde os anos de 2001-2002 vêm sendo estudada após um surto na Paraíba e a primeira descrição completa da doença no país, causando mastite, agalaxia e artrite. (AZEVEDO et al., 2006).
No setor agrícola é notória a evolução da ovinocaprinocultura em níveis mundiais. O leite de cabra está se tornando um produto comum no mercado brasileiro e vem conquistando cada vez mais os consumidores, por possuir alto valor nutritivo e elementos necessários à nutrição humana. Além disso, os pequenos ruminantes têm papel importante na nutrição e na renda da população brasileira e mundial, com produção de milhões de toneladas de leite e carne por ano, mas também fornecendo pele e adubo. (SANTOS, 2009).
As infecções por Mycoplasma spp em ovinos e caprinos ocasionaram impacto econômico significativo nos rebanhos leiteiros do Nordeste brasileiro e do mundo, (AZEVEDO, 2005; McAULIFFE et al., 2008) possivelmente devido à falta de programas sanitários para prevenir a introdução e disseminação de agentes infecciosos, como por exemplo, o M. agalactiae principal agente da ACOC, que se disseminou no Brasil, em rebanhos nos estados da Paraíba, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte (AZEVEDO et al., 2006) chamando a atenção para o problema dos criadores de pequenos ruminantes do Nordeste brasileiro. (MARINHO, 2008). O diagnóstico da ACOC nos rebanhos do semiárido brasileiro completou uma década, desde então vem sendo estudada pela preocupação dos pesquisadores e produtores com as perdas econômicas relevantes em consequência da mortalidade, perda progressiva de peso, queda na produção de leite, agalaxia, poliartrite, ceratoconjuntivite, raramente pneumonia, e a necessidade do sacrifício precoce de animais com artrite crônica e recidiva da enfermidade. (ALCÂNTARA, 2010; MACUM et al., 2010).
O impacto econômico mais acentuado advém da queda na produção de leite ou quando o animal desenvolve um quadro de agalaxia, dependendo da imunidade do rebanho acometido, pode se instalar rapidamente e atingir todos os animais em uma semana. Este prejuízo na economia paraibana é notório, devido a grande importância dos pequenos produtores de leite caprino. (AZEVEDO, 2005; BANDEIRA et al., 2008).
Pesquisas alternativas de tratamento que auxiliem na redução ou eliminação da infecção pelo M. agalactiae mostrou-se viável através da bioterapia, medicamento homeopático feito de acordo com a Farmacopeia Brasileira de Homeopatia, não oferecendo riscos a saúde humana e produção de leite e derivados, por não utilizar antibióticos. O protocolo terapêutico com o bioterápico de M. agalactiae na D30 para ACOC se comportou compatível com o manejo da pecuária orgânica, reduziu custos com o medicamento (MARINHO, 2008) e não proporcionou efeitos significativos nas variáveis do eritrograma e leucograma (LUCENA, 2011). O desenvolvimento e padronização do Elisa, método de diagnóstico rápido e barato, permite em algumas horas a identificação sorológica para acompanhamento do trânsito de animais, principalmente em eventos de grande aglomeração, de forma que evite a disseminação da infecção e contribuindo para a sustentabilidade da atividade, em especial na região semiárida (CAMPOS, 2008).
No Estado da Paraíba a soroprevalência em rebanhos de caprinos leiteiros do Cariri Ocidental foi 56,43% (307/544das amostras) e a prevalência entre propriedades variou de 10% a 100%. Estes percentuais permitem concluir que a presença de anticorpos nas amostras analisadas indica que a infecção por M. agalactiae está disseminada na microrregião do Cariri Ocidental (ALCÂNTARA, 2010). A partir desses dados pode-se sugerir que alguns animais possuem resistência ou anticorpos suficiente para não desenvolverem a doença, ou ainda, são portadores assintomáticos contribuindo para a disseminação.
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Graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Campina Grande (2007) e Especialização em Gestão Ambiental - IFRN (2010). Atualmente é mestrando em Medicina Veterinária.