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quinta-feira, 13 de setembro de 2012 - 08:59

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Agalaxia Contagiosa dos Ovinos e Caprinos (ACOC)

por: Leonardo Alves de Farias

Bactérias interferem na qualidade do leite de cabra
Bactérias interferem na qualidade do leite de cabra
As infecções por bactérias do gênero Mycoplasma têm chamado atenção das propriedades de criação de ovinos e caprinos no mundo. Em especial, na região Nordeste do Brasil, a Agalaxia Contagiosa dos Ovinos e Caprinos (ACOC) pelo Mycoplasma agalactiae desde os anos de 2001-2002 vêm sendo estudada após um surto na Paraíba e a primeira descrição completa da doença no país, causando mastite, agalaxia e artrite. (AZEVEDO et al., 2006).

No setor agrícola é notória a evolução da ovinocaprinocultura em níveis mundiais. O leite de cabra está se tornando um produto comum no mercado brasileiro e vem conquistando cada vez mais os consumidores, por possuir alto valor nutritivo e elementos necessários à nutrição humana. Além disso, os pequenos ruminantes têm papel importante na nutrição e na renda da população brasileira e mundial, com produção de milhões de toneladas de leite e carne por ano, mas também fornecendo pele e adubo. (SANTOS, 2009).

As infecções por Mycoplasma spp em ovinos e caprinos ocasionaram impacto econômico significativo nos rebanhos leiteiros do Nordeste brasileiro e do mundo, (AZEVEDO, 2005; McAULIFFE et al., 2008) possivelmente devido à falta de programas sanitários para prevenir a introdução e disseminação de agentes infecciosos, como por exemplo, o M. agalactiae principal agente da ACOC, que se disseminou no Brasil, em rebanhos nos estados da Paraíba, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte (AZEVEDO et al., 2006) chamando a atenção para o problema dos criadores de pequenos ruminantes do Nordeste brasileiro. (MARINHO, 2008). O diagnóstico da ACOC nos rebanhos do semiárido brasileiro completou uma década, desde então vem sendo estudada pela preocupação dos pesquisadores e produtores com as perdas econômicas relevantes em consequência da mortalidade, perda progressiva de peso, queda na produção de leite, agalaxia, poliartrite, ceratoconjuntivite, raramente pneumonia, e a necessidade do sacrifício precoce de animais com artrite crônica e recidiva da enfermidade. (ALCÂNTARA, 2010; MACUM et al., 2010).

O impacto econômico mais acentuado advém da queda na produção de leite ou quando o animal desenvolve um quadro de agalaxia, dependendo da imunidade do rebanho acometido, pode se instalar rapidamente e atingir todos os animais em uma semana. Este prejuízo na economia paraibana é notório, devido a grande importância dos pequenos produtores de leite caprino. (AZEVEDO, 2005; BANDEIRA et al., 2008).

Pesquisas alternativas de tratamento que auxiliem na redução ou eliminação da infecção pelo M. agalactiae mostrou-se viável através da bioterapia, medicamento homeopático feito de acordo com a Farmacopeia Brasileira de Homeopatia, não oferecendo riscos a saúde humana e produção de leite e derivados, por não utilizar antibióticos. O protocolo terapêutico com o bioterápico de M. agalactiae na D30 para ACOC se comportou compatível com o manejo da pecuária orgânica, reduziu custos com o medicamento (MARINHO, 2008) e não proporcionou efeitos significativos nas variáveis do eritrograma e leucograma (LUCENA, 2011). O desenvolvimento e padronização do Elisa, método de diagnóstico rápido e barato, permite em algumas horas a identificação sorológica para acompanhamento do trânsito de animais, principalmente em eventos de grande aglomeração, de forma que evite a disseminação da infecção e contribuindo para a sustentabilidade da atividade, em especial na região semiárida (CAMPOS, 2008).

No Estado da Paraíba a soroprevalência em rebanhos de caprinos leiteiros do Cariri Ocidental foi 56,43% (307/544das amostras) e a prevalência entre propriedades variou de 10% a 100%. Estes percentuais permitem concluir que a presença de anticorpos nas amostras analisadas indica que a infecção por M. agalactiae está disseminada na microrregião do Cariri Ocidental (ALCÂNTARA, 2010). A partir desses dados pode-se sugerir que alguns animais possuem resistência ou anticorpos suficiente para não desenvolverem a doença, ou ainda, são portadores assintomáticos contribuindo para a disseminação.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Leonardo Alves de Farias

Graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Campina Grande (2007) e Especialização em Gestão Ambiental - IFRN (2010). Atualmente é mestrando em Medicina Veterinária.

Veterinária