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Artigos de Turismo e Hotelaria


Agenciamento Turístico: sua origem


31 de julho de 2008


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Independente das atuais classificações, o Agenciamento Turístico tem um papel fundamental na atividade turística, uma vez que é o principal responsável por transformar o Produto Turístico em mercadoria. Pode-se dizer, assim, que o Agenciamento tem a responsabilidade de promover a relação sistêmica entre os componentes da Oferta Técnica.
Nesse sentido, Acerenza[1] afirma que “em relação aos organizadores e agentes de viagens, deve-se dizer que representam um papel preponderante no funcionamento do sistema turístico, devido ao seu caráter de intermediários entre os produtores, ou prestadores de serviços, como chamaremos indiscriminadamente, e os turistas, por meio do qual estimulam fortemente a atividade do sistema em seu conjunto”.
A respeito do início da atividade de agenciamento turístico, é relevante destacar, aqui, as considerações de Andrade[2]:
“Não se sabe quando surgiu a primeira manifestação da existência de entidades ou serviços assemelhados ou idênticos aos que as atuais agências de viagens e turismo exercem. Deve ter sido na mais remota antiguidade, quando as pessoas – por insegurança, desconhecimento pessoal e medo de ataques e extravios – deslocavam-se em caravanas através de desertos, de campos e montanhas pelas águas dos rios e mares. A literatura clássica dos gregos e dos romanos parece sugerir sua existência; a História Medieval e os relatos de descobrimentos mostram que existia o agenciamento de viajantes para beneficiar os proprietários dos navios que partiam dos portos de Veneza e Gênova, na Itália, para a capital imperial Constantinopla e vice-versa.
Também não há dúvida de que as viagens evangélicas que os apóstolos e seus sucessores realizavam em regiões diversas do Oriente e do Ocidente eram, de certo modo, organizadas e agenciadas, pois os pregadores sempre eram recomendados por cartas episcopais para serem hospedados com respeito e veneração pelas comunidades cristãs. O mesmo acontecia com os difusores de outras religiões.
Os mercadores, os menestréis, os cantadores, que conheciam as mais diversas rotas e caminhos, sempre viajavam acompanhados de outras pessoas que desejavam viajar, conhecer castelos e cidades, e visitar lugares afamados.
Os relatos de Marco Pólo e os conhecimentos que os portugueses adquiriram em seu “périplo africano” despertaram em muitos europeus o espírito de aventura, o desejo de visitar e mesmo de se transferir, em definitivo, para novas terras descobertas. Procuravam as companhias de navegação, efetuavam o devido pagamento e saíam pelos mares em busca de terras já conhecidas dos companheiros de Cristóvão Colombo, de Vasco da Gama e de Pedro Álvares Cabral, além de outros célebres navegadores.
Já na Idade Média, a Cúria Romana tornou-se a grande e primeira agência de viagens com organização, programação e meios para deslocamentos, pois enviava missões para terras e ilhas que consideravam merecedoras do conhecimento da mensagem de Cristo. Por isso, por autorização e com a bênção papal, a Ordem de Cristo – fundada pelo Infante Dom Henrique de Portugal –, já no século XV, se manifestava como autêntica agência de viagens e elemento seguro de ligação entre os portugueses residentes no continente e os que se mudavam, ou apenas viajavam às ilhas dos Açores, de Porto Santo, da Madeira e do Cabo Verde.”
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