A vida moderna trouxe o carro elétrico, o iPod, a TV a cabo, o videogame, o celular e a capacidade de falar com seus amigos a todo momento, em qualquer lugar.
Estamos recebendo informações 24 horas por dia.
Mas com ela vieram também tensão, pressão no trabalho, trânsito, insônia, depressão e a viciante possibilidade de nunca se desligar. Estamos consumindo mais remédios contra a ansiedade. Estamos recebendo informações 24 horas por dia. Está na hora de desacelerar.
Veja bem se a vida do jornalista indiano Om Malik não parece um pouquinho com a sua. Ele trabalha com dezenas de revistas e alguns livros abertos ao mesmo tempo. Seu celular não para de tocar. Quando liga o computador, costuma abrir uma infinidade de janelas enquanto navega na internet. Os dedos gostam de clicar freneticamente o mouse para descobrir se um novo e-mail, um novo post no Facebook e um novo recado no MSN chegaram.
O tempo todo, o escritor passa migrando seus olhos da revista para a tela, da tela para o livro, do livro para outra janela, da janela do computador para a telinha do celular. E não deve ser difícil imaginar que ele faça tudo isso com fone nos ouvidos.
Malik é um sofredor. Alguém que se define como portador da "desordem de ansiedade de internet". E é o resultado direto de um mundo veloz e conectado. "Esse fluxo constante de informação injetado no meu cérebro vai acabar tendo um efeito negativo", escreveu no blog de
tecnologia GigaOM. Irritabilidade e o desejo de acompanhar o que está acontecendo em todo lugar estão entre os males que uma rotina plugada pode trazer à saúde. O jornalista - e você, por que não? - não deixa de se perguntar: "O que estou perdendo?", "O que está acontecendo no mundo lá fora?", "Será que alguém me escreveu?". E, quando o dia acaba, ele simplesmente não consegue se desligar.
Isso sem contar que, como todos nós, Malik deve encarar o trânsito das grandes cidades, a competitividade do mercado de trabalho, a violência urbana, o temor de que o mundo está prestes a acabar por causa do aquecimento global... Temos coisas demais na cabeça.
Esse pacote de problemas da vida moderna acaba filtrado pelo corpo e pela mente. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA estima que, em média, 7% da população mundial sofra de algum tipo de transtorno de ansiedade. No país, o índice chega a 18% dos adultos. Essas desordens estão entre os problemas mentais e emocionais mais comuns da infância e adolescência. Treze entre 100 crianças e adolescentes de 9 a 17 anos sofrem do problema nos EUA. Metade deles desenvolve algum distúrbio de ansiedade (por exemplo, uma síndrome do pânico pode favorecer o aparecimento de uma fobia social) ou outro transtorno mental, como depressão.
Fonte: revistagalileu.globo.com
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