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17 de julho de 2009
Impulso sexual excessivo: um relato de caso
Cleane Souza de Oliveira1, Hermano Tavares2
RESUMO
Os autores relatam um caso de impulso sexual excessivo em comorbidade com ciclotimia e transtorno alimentar sem outra especificação. Ressalta-se a importância do diagnóstico desse transtorno sexual na evolução do caso por meio de uma breve revisão sobre o tema e de uma comparação com as descrições e propostas terapêuticas da literatura.
Unitermos: Disfunções sexuais; Disfunções sexuais sem outra especificação; Impulso sexual excessivo.
ABSTRACT
Impulsive sexual behavior: Case report
The authors present a case report of impulsive sexual behavior with comorbity with cyclotimia and eating disorder, not otherwise specified. They stress the importance of such diagnosis on the patients outcome. A brief review on the subject is offered in the introduction and a comparison with previous descriptions and therapeutic proposals found in the literature.
Keywords: Sexual disorders; Sexual disorders not otherwise specified; Excessive sexual drive.
INTRODUÇÃO
Cerca de 5% da população sofre de impulso sexual excessivo, uma prevalência maior que a esperada, segundo estatísticas americanas (Coleman, 1992). Essa prevalência pode estar, ainda, subestimada, devido às limitações impostas à indagação epidemiológica desses comportamentos por embaraço, vergonha e sigilo dos envolvidos (Black et al., 1997). Há discreta preponderância do sexo masculino (Goodman, 1992), o que também é questionável, levando-se em consideração possíveis interferências de cunho moral e cultural.
Mesmo sendo um tema antigo na literatura leiga e científica (por exemplo, os trabalhos do psiquiatra alemão Krafft-Ebbing (1927) sobre "sexualidade patológica", escritos há mais de cem anos), essa entidade carece ainda de critérios diagnósticos bem definidos, se tomarmos por base os atuais instrumentos de classificação em nosologia psiquiátrica.
A "ninfomania", termo descritivo que significa um desejo excessivo ou patológico pelo coito, em uma mulher, e o "Don Juanismo", o equivalente para o homem, são citados, no DSM-III, no capítulo das "disfunções psicossexuais". Trata-se de uma condição na qual há "sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes, sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas". No DSM-III-R, aparece a expressão "adição não-parafílica", como parte das "disfunções sexuais sem outra especificação", e a descrição é a mesma que a citada no DSM-III. O
CID-10 classifica o distúrbio como "impulso sexual excessivo", incluindo nele a ninfomania. Considera ainda que nenhum critério diagnóstico foi tentado para essa categoria e recomenda aos pesquisadores que a estudam, que proponham seus próprios critérios.
Pode-se, ainda, delinear diversos subtipos, que seriam, segundo Coleman (1992): a) sexo compulsivo e múltiplos parceiros; b) fixação compulsiva na obtenção de um parceiro inatingível; c) masturbação compulsiva, d) compulsão por múltiplos relacionamentos afetivos; e) sexo compulsivo com um único parceiro. As dependências de formas anônimas de sexo, como o sexo por telefone e a pornografia, também entrariam no rol das dependências sexuais não-parafílicas na visão de outros autores (Kafka, 1991). Porém, para Stoller (1975) e Money (1986) trata-se, inclusive, de um subtipo de parafilia. Kafka (1991) propõe um critério no qual a performance sexual total individual conste de sete ou mais orgasmos por semana, por um período mínimo de doze semanas consecutivas, após os quinze anos de idade.
Os paradigmas etiopatológicos na literatura são muitos. Alguns autores enfatizam a redução de ansiedade como verdadeiro fator motivador do comportamento sexual compulsivo (Coleman, 1992). Outros acreditam que eles fariam parte do espectro dos transtornos obsessivo-compulsivos e transtornos correlatos (síndrome de Gilles de la Tourette, tricotilomania e transtornos dismórficos corporais) (Stein e Hollander, 1992). Compartilhariam de embasamento neurobiológico e fenomenológico, sendo "atos sexuais repetitivos decorrentes de pensamentos eróticos intrusivos" (Anthony e Hollander, 1992).
Quadland (1985) os descreve como "um lapso de controle individual sobre o próprio comportamento sexual", mais próximo, portanto, dos transtornos do controle do impulso. Goodman (1992) propõe critérios operacionais para a "adição sexual" similares àqueles empregados na caracterização diagnóstica do uso abusivo de álcool e drogas e da dependência deles.
Os programas baseados em doze passos evolutivos também já fazem parte das possibilidades terapêuticas, nas entidades do tipo "Dependentes de Sexo Anônimos" (Stein et al., 1992), embora nem todos concordem que as pessoas se tornam dependentes de sexo da mesma forma que do álcool ou de outras drogas (Levine e Troiden, 1988).
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