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29 de maio de 2009
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Em relação às intervenções psicofarmacológicas, serão discutidos apenas os aspectos gerais. Para uma revisão mais aprofundada do tema, sugerimos a revisão de Spencer38 et al. (1996). Os estimulantes são o grupo de medicações de primeira escolha para o TDAH. Existem mais de 150 estudos controlados, bem conduzidos metodologicamente, demonstrando a eficácia destes fármacos.38 No entanto, a grande maioria desses estudos enfocou meninos em idade escolar, embora Smith39 et al. (1998) tenham demonstrado uma efetividade semelhante para crianças e adolescentes. Do mesmo modo, Sharp40 et al. (1999) encontraram resposta similar aos estimulantes em meninas com diagnóstico de TDAH. No Brasil, o único estimulante encontrado no mercado é o metilfenidato. A dose terapêutica normalmente se situa na faixa entre 20 a 60 mg/dia (0,3 a 1mg/kg/dia).Como a meia-vida do metilfenidato é curta, geralmente utiliza-se o esquema de administração de duas doses por dia, uma de manhã e outra ao meio dia.26 Cerca de 70% dos pacientes com TDAH respondem adequadamente aos estimulantes e os toleram bem.38 Essa medicação parece ser a primeira escolha nos casos de TDAH "puro" (sem comorbidades) e em pacientes que também tenham diagnósticos de transtornos disruptivos, depressivos, de ansiedade, da aprendizagem e retardo mental leve.41-43 Estudos mais recentes indicam que o uso de metilfenidato parece não alterar significativamente o crescimento44 e, em adolescentes com TDAH que o utilizam, há menor prevalência de uso abusivo e dependência a drogas do que em adolescente com TDAH que não utilizam essa medicação.45 Em relação à manutenção do tratamento, não existe consenso sobre as indicações para os chamados "feriados terapêuticos" (fins de semana sem a medicação) ou para a suspensão da medicação durante as férias escolares. A pausa no uso de metilfenidato nos finais de semana talvez possa ter indicação nos adolescentes em que o controle do uso de álcool ou de outras drogas ilícitas é difícil nesse período ou naqueles em que os sintomas causam prejuízos mais intensos apenas na escola. A indicação para a suspensão da medicação nas férias pode se dar quando há melhora importante da sintomatologia ou quando o paciente apresenta um período de cerca de um ano assintomático. Suspende-se então a medicação para a avaliação da necessidade de continuidade ou não do seu uso.26 Antidepressivos tricíclicos (ADT) e outras medicações, principalmente a bupropiona, também têm sido apontados como eficazes para o tratamento do TDAH.26 A maioria dos estudos com ADT restringe-se a crianças em idade escolar.35 Clinicamente, os ADT são indicados nos casos em que não há resposta aos estimulantes ou na presença de comorbidade com transtornos de tique ou enurese.41 A dosagem adequada de imipramina situa-se na faixa entre 2 a 5 mg/kg/dia. Como há relatos de morte súbita com o uso de desimipramina em crianças pré-púberes, deve ser solicitado eletrocardiograma antes e durante o uso de ADT.46 Recentemente, um estudo de meta-análise sobre uso da clonidina no TDAH encontrou um efeito positivo sobre os sintomas, com efetividade comparável a dos ADT.47 Na prática clínica, no entanto, ela tem sido associada aos estimulantes, principalmente nos pacientes em que esses provocam alterações do sono ou rebote sintomatológico no final do dia.26
Conclusão Nas últimas décadas foram desenvolvidos inúmeros estudos epidemiológicos, clínicos e genéticos enfocando o TDAH, sendo hoje, de acordo com a Associação Médica Americana, "um transtorno extremamente bem pesquisado, com validade superior à maioria dos transtornos mentais e até mesmo em relação a muitas condições médicas."48 Portanto, os pais devem estar atentos a comportamentos dos adolescentes sinalizadores do transtorno e os profissionais de saúde mental têm o dever de diagnosticar e tratar tal patologia o mais precocemente possível, evitando seqüelas no desenvolvimento dos pacientes.
ABSTRACT
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* Médico formado pela UFRGS. Assistente de Pesquisa do Programa de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (PRODAH), Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Hospital de Clínicas de Porto Alegre. ** Bolsistas de Iniciação Científica pelo CNPq ou FAPERGS. Assistentes de Pesquisa do Programa de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (PRODAH), Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Hospital de Clínicas de Porto Alegre. *** Psiquiatra da Infância e Adolescência. Doutor em Medicina: Clínica Médica, UFRGS. Professor do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal – UFRGS. Coordenador do Programa de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (PRODAH), Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Correspondência: Dr. Luis Augusto Rohde. Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Rua Ramiro Barcelos, 2350. Porto Alegre - RS, Brasil. CEP 90035-003. Email: lrohde@terra.com.br |
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