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O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade na adolescência


29 de maio de 2009


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O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade na adolescência

 

Guilherme V. Polanczyk*, Daniel Denardin**, Tatiana Laufer**, Tiago Pianca**,Luis Augusto Rohde***

 

 

Resumo
Durante a adolescência os jovens são tomados por intensos sentimentos, passam por mudanças significativas e assumem novos comportamentos. Entretanto, se apresentam uma constelação de sintomas de desatenção e impulsividade que causam prejuízo, esses não podem ser vistos como normais ou temporários, devendo ser avaliados clinicamente. O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é uma entidade clínica com início primeiramente na infância, mas que pode ser reconhecido durante a adolescência. Esse transtorno pode continuar durante a idade adulta, provocando crescente prejuízo acadêmico, emocional e familiar. Portanto, o diagnóstico e o tratamento adequado são fundamentais.

Unitermos:
Adoles Latinoam 2002; 3 (2) déficit de atenção e Hiperatividade na Adolescência como sinal de patologia

 

Sumario
En
el periodo de adolescencia los jovenes sufren sentimientos muy intensos, además de modificaciones físicas y en la conducta. Todavia si la desatención y la impulsividad empiezan a ocasionar problemas no pueden ser considerados normales o temporarios necesitadose avalialos clinicamente. El transtorno del déficit de atención y hiperactividad és uns entidad clínica que se inicia en la infancia y que puede ser reconocida durante la adolescencia. Este transtorno puede seguirse a la vida adulta produciendo poco redimiento academico , problemas emocionales y familiares. Por lo tanto és necesario el diagnostico y el tratamiento apropiados.

Palabras clave:
Adolesc Latinoam 2002; 3 (2) deficit de atencion y hiperactividad como señal de patologia

 

 

Introdução

A adolescência é uma etapa do ciclo vital caracterizada por intensas transformações físicas e emocionais. O adolescente, saindo da puberdade, depara-se com um novo corpo, com novas pulsões e novas exigências da realidade externa, o que faz com que mergulhe em um profundo processo de revisão de seu mundo interno. O jovem sadio volta-se para si mesmo, realizando uma revisão radical das suas relações com seus objetos internos, abandonando seu corpo, sua identidade e seus pais infantis e alcançando uma identidade adulta estável, tarefa fundamental dessa etapa da vida.1-3 O recolhimento ao mundo interno expressa-se através dos devaneios, dos momentos de isolamento no quarto ouvindo música, dos sentimentos de irrealidade, dos diários, das longas conversas com os amigos.2

Esse intenso processo de transformação é acompanhado por uma instabilidade emocional, caracterizada por mudanças abruptas de comportamentos e sentimentos, alternando períodos de euforia, de audácia, agitação e urgência, com momentos de introversão, de timidez, desinteresse e apatia. Concomitantemente, há conflitos afetivos, intelectualizações, ascetismos e condutas sexuais dirigidas para o heteroerotismo e até para a homossexualidade ocasional.1 A desorganização emocional dos adolescentes e a intensidade com que os sentimentos os invadem é, em certa medida, esperada, sendo o conjunto de sentimentos, manifestações comportamentais e conflitos internos que enfrentam nesse momento denominado de "síndrome normal da adolescência".1 Reconhecer, portanto, anormalidades nessa etapa do ciclo vital é uma árdua tarefa que exige dos profissionais de saúde mental que os atendem recursos pessoais consolidados e uma formação acadêmica consistente.

 

Conceito

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é um transtorno mental que consiste em um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade mais freqüente e grave do que aquele observado em indivíduos em nível equivalente de desenvolvimento.4 Freqüentemente os profissionais que lidam com adolescentes relacionam o TDAH com uma patologia apenas de crianças pré-escolares e escolares, ignorando que esse transtorno pode continuar na adolescência5 e na idade adulta,6-10 provocando um prejuízo significativo no funcionamento global dessas pessoas.6,7

Durante o crescimento parece haver um "amadurecimento" parcial de vias neuronais envolvidas no TDAH, podendo haver uma diminuição do número de sintomas na adolescência e na idade adulta que, no entanto, persistem causando prejuízo.11

 

Prevalência

As pesquisas transversais demonstram uma prevalência do TDAH na adolescência entre 0,5 a 18%, que varia de acordo com as características dos estudos, como fonte de informação, critérios diagnósticos utilizados, tipo de amostra e idade dos sujeitos pesquisados.12 Em nosso meio, um estudo realizado por Rohde13 et al. com 1013 jovens entre 12 e 14 anos de idade mostrou uma prevalência estimada de 5,8% (3,2 – 10,6%). Os estudos de coorte que seguiram crianças com TDAH mostram uma persistência do diagnóstico em até cerca de 70% dos casos na adolescência inicial a intermediária.14-17 A proporção entre adolescentes masculinos e femininos observada em Porto Alegre foi de aproximadamente 1:1 (47.8 %:52.2 %).13 Há relatos internacionais de uma proporção de até 4:1.18

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