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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A TC está baseada na noção de que sentimentos, pensamentos e comportamentos são inter-relacionados. Isso é, eles influenciam um ao outro. Em TC, os pacientes são ensinados a reconhecer os padrões afetivos, cognitivos e comportamentais que pioram os seus sintomas. Uma vez que o padrão seja reconhecido, técnicas da TC podem ser usadas para "quebrar o ciclo" por meio de modificação de respostas cognitivas ou comportamentais. Esses sintomas podem também servir como sinais para procurar seu melhor controle farmacológico.
A segunda suposição subjacente da TC para transtorno bipolar é a de que pacientes que entendem o que significa ter o transtorno bipolar estarão aptos a desenvolver papéis mais ativos e chegar a decisões mais informadas sobre seus tratamentos. Portanto, a educação do paciente é introduzida antes que as técnicas TC sejam ensinadas. A terceira é a de que a identificação dos sinais precoces de aviso de mania ou depressão fornece uma oportunidade para intervenção precoce e contenção dos sintomas. Educação ligada com tarefas de monitoramento de sintomas provê um veículo para identificação precoce dos sintomas. A quarta é a de que a a adição de intervenções cognitivas expande o arsenal do paciente contra as recaídas. Sintomas precoces mais leves podem não requerer medicações adicionais se eles puderem ser controlados com intervenções psicoterapêuticas (Tabela 2). A quinta é a de que a aderência ao medicamento aumentada permite que os pacientes recebam benefício máximo do tratamento. A TC é de pouco uso para pacientes bipolares quando a farmacoterapia falha. A sexta é a de que o melhor manejo dos problemas psicossociais que estressam os pacientes com transtorno bipolar e exacerbam sintomas pode ajudar na prevenção de recaídas ou recorrências de mania ou depressão. A sétima é a de que a abordagem da TC enfatiza o ensinamento da habilidade para dar conta dos sintomas e das conseqüências do transtorno bipolar. Isto é, supõe-se que nem todos os problemas serão solucionados durante as sessões de terapia. Em vez disso, os problemas apresentados são usados para facilitar o ensinamento de técnicas de TC. Isso aumenta a capacidade de o paciente enfrentar os sintomas e os problemas entre as sessões. Desse modo, a terapia passa a ser mais que uma série de visitas para intervenções de crises (Tabela 3).
A TC para transtorno bipolar difere das formas mais tradicionais de terapia cognitiva de muitas maneiras: (1) os pacientes normalmente não são doentes agudos durante as sessões educacionais e treinamento de habilidades; (2) habilidades serão ensinadas de maneira didática; (3) somente poucas técnicas cognitivo-comportamentais serão ensinadas; (4) a agenda para cada sessão é um protocolo conduzido em oposição à conduta do paciente.
As características psicoeducativas da TC proporcionam, tanto para o paciente como para seus familiares e seus relacionamentos, o aprendizado sobre o que é o transtorno afetivo bipolar, proporcionando e enfatizando o reconhecimento dos sintomas precoces, instruindo sobre o curso longitudinal e os fatores de risco de recaídas e explicando e exemplificando sobre a importância e as características do tratamento e o uso dos medicamentos e da psicoterapia (Glick et al., 1994; Clarkin et al., 1998).
A TC aumenta efetividade da aceitação pelo paciente e pela família do diagnóstico e do tratamento farmacológico, melhorando significativamente a adesão terapêutica. Especificamente a TC pode ser útil no aumento da adesão ao tratamento, melhorando a qualidade de vida e o funcionamento psicossocial do paciente bipolar, ajudando na detecção precoce dos sintomas maníacos, hipomaníacos e depressivos (Tabela 4). Prevenindo o alto índice de recaídas e recorrências com perdas afetivas, psicossociais e profissionais, modificando o padrão de pensamento e o comportamento do paciente com TAB.
Terapia cognitiva (TC) para transtorno afetivo bipolar (TAB) reduz fatores de risco para oscilação do humor, através de: a) redução do nível subjetivo de estresse, reduzindo probabilidade de reativações; b) aprender a romper com os ciclos, reconhecendo o bom humor normal e diferenciando de sintomas iniciais de mania; c) aprender a pensar e agir, sistemática e metodologicamente, para conter distratibilidade e impulsividade maníaca (Tabela 5).