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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Este estudo revisa a terapia cognitiva (TC) para o transtorno afetivo bipolar (TAB). O transtorno bipolar é uma doença mental grave, crônica, recorrente e incapacitante. Enquanto alguns raros indivíduos podem experimentar somente um único episódio de mania e depressão em suas vidas, mais de 95% das pessoas com transtorno bipolar têm episódios recorrentes de depressão e mania ao longo de suas vidas (Goodwin & Jamison, 1990). A probabilidade de experimentar novos episódios de depressão ou mania realmente aumenta com cada episódio subseqüente (Gelenberg et al., 1989) apesar do tratamento. Há também evidências que o tempo entre os episódios diminui durante o curso da doença (Angst, 1981). Isso significa que indivíduos passarão mais tempo doentes e menos tempo bem enquanto o transtorno progride. Aproximadamente 25% das pessoas com transtorno bipolar tipo I (Weissman et al., 1988) e até 60% dos bipolares tipo II tentam suicídio durante a evolução da doença (Juruena et al., 2000). Na tentativa de controlar o curso dessa doença, o tratamento farmacológico ao longo da vida ou de manutenção é geralmente indicado. Farmacoterapia de manutenção pode não eliminar completamente recorrências de mania ou depressão. Mas pode, no entanto, diminuir a freqüência, a duração e a gravidade dos episódios de mania e depressão (Baastrup e Schou, 1967), diminuindo o sofrimento do paciente, a hospitalização e o custo e melhorando seu funcionamento psicossocial.
Dados referentes à resposta terapêutica em somente 50% dos pacientes diagnosticados com TAB sustentam a associação de uma intervenção psicossocial para o tratamento desse transtorno afetivo recorrente (Patelis-Siotis, 2001). Os avanços dos sintomas podem ser precipitados pelo ambiente, pelos fatores orgânicos ou idiopáticos. Disfunção do sono, por exemplo, causada por eventos somáticos, como uma doença clínica, ou por viagem ou por mudanças de fuso horário ou ciclo sono–vigília, é um dos muitos mecanismos que podem relacionar-se com a piora dos sintomas (Wehr, 1987). Estressores psicossociais também podem precipitar o início de episódios da doença em transtorno bipolar (Kraepelin, 1921), embora talvez mais comumente em episódios precoces de depressão e mania que em episódios tardios (Post, 1992). Ambiente e outros fatores podem interagir. Por exemplo, preocupação com problemas psicossociais pode levar os pacientes a esquecerem de tomar a medicação, podendo causar disfunção do sono, ou grave e prolongada disfunção emocional com recaídas ou recorrências da depressão ou mania. Relacionando, uma identificação precoce pode permitir uma intervenção precoce e, talvez, prevenção de um episódio afetivo ou contenção rápida da evolução dos sintomas (Cochran, 1984).
No TAB, apesar das raízes biológicas, as oscilações no afeto, o comportamento e o temperamento manifestam-se principalmente no pensamento, na percepção, na linguagem e na cognição. As fortes mudanças no humor, na personalidade, no pensamento, e no comportamento inerentes ao transtorno bipolar freqüentemente aprofundam efeitos nos relacionamentos interpessoais. A fragilidade afetiva (Goodwin e Jamison,1990), a extravagância financeira, as flutuações nos níveis de sociabilidade, as indiscrições sexuais e os comportamentos violentos (Akiskal et al., 1977) são todos claramente fonte de desordem, confusão e conflito e se refletem naqueles que sofrem dessa doença e em seus relacionamentos. Nos relacionamentos interpessoais observamos desajustes com familiares e amigos, no trabalho e na comunidade.
Objetivos da tc para transtorno bipolar
Os objetivos principais da TC no tratamento do transtorno bipolar são os seguintes:
1. Educar pacientes relacionados ao transtorno bipolar sobre abordagem do tratamento e dificuldades comuns associadas com a doença.
2. Ensinar para os pacientes um método para monitorar a ocorrência, a severidade e o curso de sintomas maníacos e depressivos.
3. Facilitar a aderência aos regimes medicamentosos prescritos.
4. Fornecer estratégias não-farmacológicas, especialmente habilidades cognitivas, para dar conta de problemas cognitivos, afetivos e comportamentais associados com sintomas maníacos e depressivos.
A abordagem da TC ao tratamento do transtorno bipolar está baseada em muitas suposições subjacentes. A primeira suposição é que os pensamentos, os sentimentos e os comportamentos das pessoas estão fortemente conectados, cada um influenciando o outro. Mudanças no humor e alterações no processo cognitivo, com início de depressão e mania, inevitavelmente influenciam o comportamento. As respostas comportamentais podem reforçar o defeituoso processo de informações e estados afetivos que estimularam o comportamento – um tipo de profecia de auto-realização (Tabela 1).
Esse ciclo vicioso, se deixado descontrolado, pode grandemente exacerbar os sintomas. Mesmo quando os tratamentos medicamentosos não estão sendo otimamente efetivos, intervenções que quebram esse ciclo ascendente podem ajudar a reduzir a sintomatologia (Figura 1).