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Hiperatividade: doença ou essência um enfoque da gestalt-terapia


30 de janeiro de 2009


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Sheila Antony* Jorge Ponciano Ribeiro**

Universidade de Brasilia


RESUMO

Este trabalho discute a hiperatividade considerando a metáfora do corpo da criança e o seu funcionamento psicológico, de forma a esclarecer se a sua expressão constitui doença ou um modo próprio de ser. O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) tem sido extensivamente investigado em pesquisas que visam aprimorar os critérios diagnósticos e conhecer sua etiologia. Poucos estudos são orientados para elucidar a dimensão psíquica da criança hiperativa. A Gestalt-Terapia é uma abordagem fenomenológico-existencial assentada em teorias holísticas que reconhecem a multidimensionalidade do humano, enfocando a relação (o contato) como ontológica à existência humana.


A tendência do pensamento científico moderno começa a sinalizar uma mudança na concepção de saúde e doença. A nova noção de doença apresenta uma perspectiva de múltipla causalidade, renunciando à idéia antiga de que há apenas um único fator etiológico. Salienta a influência ambiental nas ações e no comportamento do indivíduo e a importância da subjetividade nas formas de manifestação da patologia.

A Gestalt-Terapia (GT) é uma abordagem fenomenológico-existencial com uma visão holística de doença. Compreende o adoecer como resultante de uma desarmonia relacional entre pessoa e ambiente, que formam uma unidade indivisível. Ribeiro (1997, p. 36) pronuncia: "A doença é relacional. Não existe doença em si. Doença é fenômeno como processo; como dado, existe em alguém, e não como realidade em si mesma". Tellegen (1984) expressa que é necessário detectar a configuração específica com que se articulam as partes de um todo em cada situação concreta, de modo que o terapeuta possa apreender a forma encontrada por esse indivíduo de estar-no-mundo e o seu modo próprio de adoecer. O enfoque gestáltico, assim, visa ir além da descrição dos sintomas, busca o sentido da patologia e as vivências subjetivas da pessoa adoecida.

A hiperatividade tem sido extensivamente investigada do ponto de vista daquilo que é o transtorno, com um interesse específico direcionado para os critérios diagnósticos e a etiologia, onde, muitas vezes, os pesquisadores se referem à criança como o transtorno. Inúmeras pesquisas têm sido guiadas para encontrar uma causa biológica específica que explique o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH); contudo, evidências conclusivas de lesão ou disfunção neurofisiológica são pouco substanciais e continuam incertas. Conforme dito por Debroitner e Hart (1997, p.2 ):

"Aqueles que ainda hoje investem na idéia de que o TDAH é uma doença (invisível) do cérebro estão buscando uma explicação simples para um distúrbio que é complexo e multidimensional. Acreditamos que a nossa obsessão nacional pela genética como fator para explicar as disfunções sociais e psicológicas encontrou seus limites com o TDAH".

A enorme controvérsia quanto à etiologia e aos aspectos primários dessa síndrome apontam para a não obtenção da essência verdadeira daquilo que define esse quadro comportamental como entidade nosológica. Sabemos que as descrições nosográficas revelam apenas um conhecimento empírico da doença, faltando a compreensão daquilo que está além da forma, da aparência. Nesse intuito, a realização de minha dissertação de mestrado visou buscar o significado e o sentido da hiperatividade através do conhecimento dos processos psicológicos e relacionais das experiências subjetivas vividas por essa criança.

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