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Artigos de Psicologia


Desafios metodológicos da pesquisa em Psicologia Organizacional e do Trabalho


4 de outubro de 2008


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Assim, o GT decidiu discutir seus próprios métodos de pesquisa. Ao escolher como tema central a discussão metodológica, a preocupação do Grupo não era, vale ressaltar, a de reeditar velhas discussões e polêmicas, quase todas centradas em dicotomias que pouco refletiam a riqueza e complexidade do processo de produção científica (por exemplo, o tradicional dilema quantitativo - qualitativo). A discussão não pretendia, portanto, localizar-se em um plano epistemológico. Objetivava-se analisar e discutir experiências efetivas que estavam concretizando diferentes formas de apreensão dos processos individuais e coletivos na esfera de "organizações e trabalho". O prisma seria o de contemplar a diversidade existente, buscando destacar práticas bem sucedidas, embasadas em teoria e metodologicamente consistentes, de forma a gerar um painel amplo que pudesse vir a orientar futuros estudos e, de forma sinérgica, colaborar para imprimir novos rumos à pesquisa na subárea.

Face a tais considerações, foi proposto um GT com os seguintes objetivos:

1. realizar intercâmbio de informações, referentes aos métodos de pesquisa definidos;

2. discutir métodos de pesquisa em realização ou finalizados, de modo que cada membro do Grupo pudesse aprender com o que estava sendo realizado pelos demais;

3. discutir as estratégias implementadas de investigação, de forma a contribuir para o aperfeiçoamento e melhor adequação entre seus objetos de estudo, problemas e métodos de pesquisa;

4. organizar ou desenvolver parcerias entre programas de pós-graduação, para realizar trabalhos de pesquisa e ensino relativos aos métodos apresentados e discutidos;

5. discutir políticas e prioridades de pesquisa e ensino, relativas aos métodos definidos;

6. preparar a publicação de textos sobre aspectos relativos a métodos de pesquisa em "organizações e trabalho", os quais estão quase todos apresentados no presente número especial de "Estudos de Psicologia";

7. discutir avanços e problemas relativos à Revista "Psicologia: Organizações e Trabalho" (rPOT), que ainda estava em fase de planejamento;

8. definir estratégias para a preparação de um primeiro encontro científico sobre Psicologia Organizacional e do Trabalho, durante a XXXa Reunião Anual de Psicologia da SBP, ou pelo menos de preparação de uma grande presença de trabalhos científicos nesta Reunião e de discussão sobre a criação de uma Sociedade Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT).

Cada membro participante deveria escrever um texto que pudesse contribuir para o tema geral do GT no ano 2000: Desafios Metodológicos da Pesquisa em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Esses textos deveriam ter seu foco na descrição de problemas epistemológicos e/ou metodológicos (e suas alternativas de soluções, se houvesse esforço do autor nesse sentido) de pesquisas que os autores estivessem efetivamente fazendo ou que tivessem finalizado recentemente. Não deveriam centrar atenção em questões teóricas ou em resultados. Essas questões e esses resultados poderiam aparecer, como aspectos a considerar para montagem de um quadro referencial, ou como parâmetros ou critérios de decisão em pesquisa, ou como exemplos de soluções encontradas, mas sem tornarem-se o foco dos textos. A maioria desses textos, depois de discutida no VIII Simpósio da ANPEPP e submetida ao sistema de avaliação da presente revista, foi revisada e é aqui apresentada.

Conforme a seqüência em que foi composto o presente número especial, logo após a já mencionada visão histórica elaborada por Jairo E. Borges-Andrade, encontra-se o trabalho de Mirlene Maria Matias, uma síntese da evolução do comportamento organizacional, tendo como ênfase o impacto que a estruturação do campo em níveis de análises, a sua riqueza teórica e a ausência de normalização podem ter sobre as medidas das suas variáveis. No artigo de Gardênia Abbad e Cláudio Vaz Torres discutem-se algumas aplicações das técnicas de análise de regressão múltipla stepwise e hierárquica, muito utilizadas em pesquisas da área de Psicologia Organizacional. Jairo E. Borges-Andrade descreve um conjunto de esforços empreendidos para desenvolver medidas de avaliação de treinamento, organizado em torno de um modelo de cinco níveis de avaliação. Júlia Issy Abrahão e Diana Lúcia Moura Pinho utilizam o referencial norteador da Ergonomia, seus modelos de intervenção e seus limites, para contextualizar a evolução do trabalho, identificando as mudanças ocorridas e como elas transformaram a sua natureza. Livia de Oliveira Borges e José Q. Pinheiro apresentam uma proposta baseada na combinação de técnicas, face à constatação de que, nas pesquisas desenvolvidas no campo da Psicologia Organizacional e do Trabalho no Brasil, os pesquisadores optam por estudar categorias ocupacionais cujos trabalhadores são mais instruídos. Antonio Virgílio Bittencourt Bastos procura caracterizar os mapas cognitivos, especialmente no tocante às decisões metodológicas que configuram seus diferentes tipos, sob o argumento de que têm sido crescentemente utilizados como ferramentas para representar estruturas e processos cognitivos que ajudam a compreender decisões e ações que configuram uma organização. José Carlos Zanelli tem como objetivo o de suscitar o debate sobre os problemas e desafios metodológicos e epistemológicos que se colocam para a pesquisa qualitativa, mais especificamente, em estudos da gestão de pessoas, tendo como base uma síntese de quatorze pesquisas. Finalmente, Ana Magnólia Bezerra Mendes, também com base empírica em pesquisas que vêm sendo desenvolvidas com o referencial psicanalítico, busca fazer uma reflexão sobre alguns aspectos epistemológicos e metodológicos do uso deste referencial em pesquisas sobre organizações.

Originariamente os textos levados ao VIII Simpósio da ANPEPP foram produzidos e debatidos por professores da UnB, UFBA, UFPB, UFMG, UFSC, UFRN e UMESP. Além disso, participaram como ouvintes e debatedores dois professores, da FGV-SP e da UFRGS. Terminado o VIII Simpósio, foi proposto à Revista "Estudos de Psicologia" que apoiasse o GT com a publicação de um número especial, que agora é apresentado ao público leitor. A Revista utilizou, para este número especial, os mesmos procedimentos editoriais que adota para seus números regulares. Os dois autores do presente editorial funcionaram como editores para esse número especial, exceto nos casos dos dois artigos que assinam como autores, para os quais o editor regular da Revista contribuiu a fim de que fossem mantidos sigilo e isenção.

Em nome do GT, gostaríamos de agradecer o apoio recebido e a confiança em nós depositada.

 

Brasília e Florianópolis, outubro de 2001.

Jairo E. Borges-Andrade (Universidade de Brasília)
José Carlos Zanelli (Universidade Federal de Santa Catarina)

Editores convidados

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