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24 de setembro de 2008
Transtornos do déficit de atenção com hiperatividade: aspectos neurológicos
Attention deficit and hyperactivity disorder: neusopsychological aspects
Faculdade Ruy Barbosa
INTRODUÇÃO
Segundo a American Psychiatric Association (1994) o TDAH é um dos transtornos mais bem estudados na medicina e os dados gerais sobre sua validade são muito mais convincentes que a maioria dos transtornos mentais e até mesmo que muitas condições médicas.
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome comum, mas controversa. Essa doença, que pode continuar por toda a vida (Barkley, Fischer, Edelbrock & Smallish, 1990), usualmente se inicia na infância e se caracteriza por atividade excessiva, muito superior a esperada para a faixa etária, associada a dificuldade de seguir ordens e atender aos limites impostos pelos pais e professores. A criança gravemente afetada, na qual não existe controle do comportamento, é exaustiva para os seus cuidadores.
TDAH é controversa apesar da aceitação dos critérios diagnósticos específicos. É uma forma extrema de tipos de comportamentos comuns mais que uma doença. Contudo, quando esse comportamento se encontra no extremo irá interferir com a funcionalidade acadêmica, social e/ou familiar (Manzza, Klein, Bessler, Malloy & LaPadula, 1993).
O TDAH se associa a outras morbidades, como o distúrbio de conduta, o comportamento desafiante-opositor e distúrbios de aprendizado, além de problemas emocionais em etapas subseqüentes na vida (Organização Mundial de Saúde, 1993).
Prevalência
Os estudos nacionais e internacionais situam a prevalência do TDAH em uma variação tão grande quanto 1,7% a 17,8%. Essa ampla variação pode ser explicada pelas diferenças em informantes (pais ou professores), cultura e critérios para o diagnóstico.Os critérios atuais, com a inclusão de subtipos em que pode existir a predominância de desatenção ou de hiperatividade-impulsividade, têm resultado em um previsível aumento da taxa de diagnóstico (Rohde, Barbosa, Tramontina & Polanczyk, 2000).
A prevalência por sexo varia. Entre as crianças que são encaminhadas para psiquiatras ou psicólogos, a taxa masculina/feminina é de 3:1 a 9:1, enquanto estudos realizados diretamente na comunidade com crianças em idade escolar esta taxa é de 2:1. Em contraste, entre adolescentes a taxa é de 1:1. E, entre adultos jovens, há predominância em mulheres, com taxa de 2:1. A diferença entre as taxas realizadas em estudos clínicos e comunitários, pode estar associada à predominância de hiperatividade em meninos, o que conduz a uma maior queixa comportamental e encaminhamento ao atendimento (Biederman, Faraone, Spencer, Wilens, Mick & Lapcy, 1996). Estudos nacionais situam a prevalência entre 3% e 6% (Rohde, Barbosa, Tramontina & Polanczyk, 2000). É difícil comparar prevalência entre os estudos nacionais e internacionais por causa dos diferentes critérios diagnósticos utilizados, métodos de avaliação e diferença cultural de interpretar comportamento. Contudo, nenhuma grande diferença cultural tem sido relatada (Rohde & cols., 2000).
Genética
O TDAH tem um forte componente genético, com taxa de hereditariedade de 0,75 a 0,91. Estudos genéticos têm sido dirigidos para genes que são envolvidos na transmissão dopaminérgica, uma vez que os circuitos dopaminérgicos fronto-estriatal estão envolvidos na fisiopatologia do transtorno (Gill, Daly, Heros, Hawi & Fitzgerald, 1997).
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