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29 de agosto de 2008
Considerações Finais
No presente trabalho, procuramos esclarecer e sintetizar o que é a Psicologia da Saúde e a Psicologia Hospitalar. Aprofundando o estudo e os fundamentos dessas áreas, chegamos à conclusão que a Psicologia Hospitalar brasileira, tal como é descrita, estaria incluída na área mais abrangente da Psicologia da Saúde. Para justificar nosso posicionamento, construímos uma tabela em que se resumem as principais semelhanças e diferenças entre Psicologia da Saúde e Psicologia Hospitalar a partir do material já apresentado.
Como se verifica na tabela, a Psicologia da Saúde amplia a atuação do psicólogo hospitalar. Contudo, é possível que, em muitos hospitais do Brasil, os psicólogos realizem seus trabalhos em distintos setores de acordo com a definição da Psicologia da Saúde. No Brasil, entretanto, oficialmente, essa definição não existe como especialização oficial definida pelo CRP, ao contrário da Psicologia Hospitalar, que é uma especialidade.
Nós nos perguntamos: essa definição exclusivamente brasileira de “Psicologia Hospitalar” é adequada? Pensamos que, como essa denominação já está consolidada na linguagem dos psicólogos e de outros profissionais da saúde brasileiros, parece óbvio que permaneça. No entanto, estamos de acordo com Chiattone (2000), Yanamoto e Cunha (1998) e Yanamoto, Trindade e Oliveira (2002) quando declaram que seria mais adequado referir-nos à Psicologia no contexto hospitalar como um trabalho que faz parte da Psicologia da Saúde. Além disso, consideramos importante ressaltar que essa denominação pode ser inadequada se tratarmos a Psicologia da Saúde como sinônimo de Psicologia Hospitalar, pois intervenções em saúde que necessitariam ser realizadas fora do hospital poderiam não ser supridas, principalmente aquelas relativas à prevenção primária. Todas essas questões estão diretamente associadas às reais necessidades e demandas da população brasileira.
A polêmica sobre a existência de uma área única abrangente ou de duas áreas distintas, Psicologia Clínica ou Psicologia da Saúde, é tema de debate internacional (Yanamoto, Trindade & Oliveira, 2002), e claro, deve ser prioritariamente nacional. Nossa inquietude frente às mencionadas contradições das áreas de especialização e ainda da existência de uma Psicologia Hospitalar brasileira foi a mola propulsora para a presente reflexão. Estando fora do Brasil, vimos “de longe”, e assim, de maneira distinta, nossa realidade, tanto de país quanto de profissão. Justamente por acreditarmos no desenvolvimento do Brasil e da Psicologia propomos este questionamento. Mais que respostas, temos perguntas. Mais que certezas, temos inquietações. Mais que conformismo, temos a esperança neste país, dito em desenvolvimento, em que existem realidades de primeiro e terceiro mundo que se chocam constantemente.
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Endereço para correspondência
Elisa Kern de Castro
E-mail: michelekamers@yahoo.com.br
Ellen Bornholdt
E-mail: ellenb@terra.com.br
Recebido em 27/03/02
Aprovado em 08/08/04
* Psicóloga (PUC-RS). Mestre em Psicologia do Desenvolvimento (UFRGS/CAPES). doutoranda em Psicologia Clínica e da Saúde na Universidad Autónoma de Madrid, Espanha (bolsista de doutorado pleno CAPES Processo 1129 01/5).
** Psicóloga (PUC-RS). terapeuta em formação pelo Instituto de Ensino e Pesquisa em Psicoterapia (IEPP).Mestre em Psicologia Clínica (PUC-RS/CNPq) e doutoranda em Psicologia Clínica pela Universidad Del Salvador, Buenos Aires, Argentina.
1 Prevenção primária: relativo à promoção e educação para a saúde quando não existe problemas de saúde instalados. Ex: trabalho com a população em geral na comunidade sobre os riscos do contágio do vírus da AIDS.
Prevenção secundária: já existe uma demanda e o profissional atua prevenindo seus possíveis efeitos adversos. Ex: trabalho com pessoas que recorrem ao exame do HIV durante o período da espera pelo resultado.
Pervenção terciária: diz respeito ao trabalho com pessoas com problemas de saúde instalados, atuando para minimizar seu sofrimento. Ex: trabalho (de grupo, psicoterápico, de apoio, etc.) com pessoas infectadas pelo vírus HIV.
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