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28 de agosto de 2008
Considerações finais
Segundo dados quantificados nesta pesquisa, foi possível traçar o perfil dos psicanalistas: sexo feminino, casamento estável, realizado sexualmente, entre 41 e 50 anos de idade, com dois filhos, provedor parcial das despesas domésticas, com casa, automóvel e consultório quitados, com mais de 16 anos de graduação, trabalhando de 8 a 9 horas por dia, na condição de autônomo.
Apesar da sobrecarga de trabalho e do cansaço, os psicanalistas têm disposição para investir na participação em grupos de estudos, a maioria tem especialização e raramente sentem-se obsoletos e ultrapassados.
Entre eles, 22% mantêm comportamento sexual de risco, sem uso de preservativos em relações sexuais casuais; a maioria apresenta instabilidade afetiva e muitos são infiéis.
A maioria mantém o hábito saudável das práticas de atividades físicas sistemáticas; sofre de dores de cabeça e tem alterações da pressão arterial.
Na análise dos resultados percebe-se que em alguns casos a sobrecarga de trabalho com exaustão física, as cefaléias, insônia, alterações de humor, aliados a determinada expressões psicopatológicas, psicológicas e comportamentais – tais como o uso abusivo do álcool, estados depressivos, fobias, ideações suicidas – podem estar associados a um sofrimento mental. Este, muitas vezes, é promovido pelo grande desconforto diante da desagradável sensação de desamparo que as frustrações, a dor e o sofrimento imprimem no seu cotidiano (Freud, 1929).
A psicanálise favorece uma compreensão sobre a conduta humana e seus inter-relacionamentos. Trabalha-se no campo das singularidades mesmo quando os sujeitos são confrontados com questões universais. Trata-se de um ofício que visa atingir o inconsciente. A análise de um psicanalista continua infinitamente com cada analisando, uma vez que a manutenção do desejo de saber o remete permanentemente à sua própria história e à sua condição de singular. O lugar ocupado pelo psicanalista não o protege do efeito das mazelas do cotidiano e do social ou daquilo que é dito pelo analisando, e muitas vezes atinge sua própria história edípica, reativando conflitos residuais, angústias e defesas. O exercício profissional de um psicanalista se registra na continuação de sua própria análise, que é essencialmente interminável.
Faz-se necessário lembrar que a análise não tem o objetivo de fazer com que o psicanalista não tenha pontos cegos ou que não faça sintomas. Não se pode pensar que com a análise as resistências desapareçam, que ele não sofra e não adoeça.
O psicanalista reconhece o lugar da falta como essencial a constituição do sujeito. O analista reconhece esse elemento, exatamente quando sua análise foi “bem feita”. Reconhece e se assujeita a esse irredutível. O analista continua resistindo, só que agora sabe que está resistindo e administra melhor sua vida e seus sintomas.
Esta pesquisa é só um alerta: psicanalistas são demasiadamente humanos2.
Referências Bibliográficas
BATISTA, Anne Aires Vieira. A remuneração e outros fatores que influenciam a motivação no trabalho do enfermeiro. 68p. Monografia (Graduação em Enfermagem). Universidade Federal de Sergipe. Aracaju, 2003.
FERREIRA SANTOS, Célia Almeida. A enfermagem como profissão. São Paulo: Pioneira, 1973.
FREUD, S. (1926). A questão da análise leiga. In: ___. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1980. vol. XX.
________. (1930). O mal-estar da civilização. In: ___. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1980. vol. XXI.
________. (1937). Análise terminável e interminável. In: ___. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1980. vol. XXIII.
MARQUES, Ana Cecília P.R.; ALVES, Hamer N.P.A. O uso de álcool e outras substâncias com potencial de abuso. In: SINDICATO DOS MÉDICOS DE SÃO PAULO. Desgaste físico e mental do cotidiano médico. São Paulo: 2002.
NIETZSCHE, Friedrich. Ecce Homo: como alguém se torna o que é. São Paulo : Companhia das Letras, 1995.
PIMENTEL, D. Saúde mental dos profissionais de saúde. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde). Universidade Federal de Sergipe. Aracaju, 2004.
PITTA, Ana Maria F. Hospital: dor e morte como ofício. 3. ed. São Paulo : Hucitec, 1999.
VEJA. Vidão em perigo. São Paulo : Abril. 42(1825): 63, 22/10/2003.
Endereço para correspondência
Déborah Pimentel
Praça Tobias Barreto, 510 / 1212–49015-130 – Bairro S. José
Aracaju/SE
tel: (79) 214-1948
e-mail:deborah@infonet.com.br
Maria Jésia Vieira
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Aracaju/SE
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Notas
I Médica; Psicanalista; Membro Fundador do Círculo Psicanalítico de Sergipe (Unidade Federada do Círculo Brasileiro de Psicanálise).
II Enfermeira; Professora Adjunta Doutora da UFS; Orientadora.
1. Este trabalho faz parte da dissertação de mestrado de Déborah Pimentel no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
2. Expressão cunhada pelo filósofo Nietzsche, e título de uma de suas obras, publicada em 1878: Humano, demasiadamente humano.
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