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28 de agosto de 2008
Déborah Pimentel*1; Maria Jésia Vieira2**
*Círculo Psicanalítico de Sergipe
**Universidade Federal de Sergipe
RESUMO
Trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva, utilizando um questionário com 69 questões abrangendo: características sócio-econômicas; investimento profissional; condições de trabalho; sexualidade, vida familiar e social; uso abusivo de álcool e drogas; estado geral de saúde; stress e sofrimento psíquico. Verificou-se, entre outros dados, predominância de mulheres entre 41 a 50 anos, satisfeitas com suas conquistas pessoais e profissionais, e investindo em estudos. Entretanto, foi evidenciada sobrecarga de trabalho, com exaustão física e indícios de sofrimento psíquico, revelados por meio de expressões psicopatológicas, psicológicas e comportamentais. Infere-se que estes profissionais necessitam atentar para os problemas que afetam sua qualidade de vida, investindo mais no cuidado consigo, uma vez que a condição de psicanalistas não os protege da dor e sofrimento.
Introdução
Estudando a saúde mental dos profissionais de saúde, em uma amostra composta aleatoriamente de 1020 sujeitos, este artigo faz um destaque para o grupo de psicanalistas, considerando-o diferenciado pela singularidade de sua prática.
Acredita-se que seja relevante, para isto, contextualizar o panorama mundial de extrema violência e insegurança, no qual a vida confunde-se com a morte, sem espaço para as crenças e em que predomina o hedonismo, promovendo novas formas de subjetivação. Diante da imensa proliferação de terapias alternativas, em um sistema “self-service”, que prometem, a curto prazo, a felicidade, em detrimento da velha psicanálise, o psicanalista da atualidade sente-se e é percebido como um profissional liberal decadente. Sua situação agrava-se ao se somar à condição de crescente desvantagem financeira com relação aos colegas médicos de outras especialidades, embora sofrendo das mesmas dificuldades de outros profissionais da área de saúde, e que como todos os outros, tem que se submeter às mesmas leis econômicas, dependendo, inclusive, dos questionáveis planos de saúde.
O objetivo deste artigo é revelar o perfil de saúde mental dos psicanalistas, reconhecendo-o como elemento exposto à engrenagem da vida moderna, ao capitalismo e ao consumo desenfreado, que cobra dos cidadãos um estilo de vida competitivo; pretende identificar as condições de trabalho capazes de influenciar sua saúde mental, e ainda verificar a existência de desconforto e mal-estar.
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