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Sexualidade na Velhice

Artigo por Colunista Portal - Educação - sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

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A doença pode reduzir o interesse pela sexualidade
A doença pode reduzir o interesse pela sexualidade

A pirâmide das idades mostra um envelhecimento progressivo da população nos países ocidentais. Esta camada da população é atualmente um fenômeno presente em todos os países que conseguiram aumentar a esperança de vida através dos progressos combinados da medicina e do meio ambiente.

Na França e em Portugal, cerca de 30% da população tem mais de 50 anos. Se no Brasil, em média, apenas 16% dos indivíduos atinge atualmente esta idade, nas aglomerações urbanas esta população está muito mais concentrada.

Não somente os seres humanos vivem mais tempo, mas também as condições de saúde e o potencial de integração social são prolongados. Entretanto, os estereótipos ligados à degradação biológica, a qual serviu durante séculos para caracterizar o processo do envelhecimento, continuam a impregnara ideia das pessoas. As repercussões do processo de envelhecimento sobre a sexualidade constituem um assunto particularmente contaminado por preconceitos.

Até recentemente, ainda se acreditava que por volta dos cinquenta anos o declínio da função sexual era inevitável face à menopausa feminina e à instalação progressiva das disfunções da ereção masculina. Além disto, a atividade sexual perdia fatalmente seu objetivo de procriação e, portanto, sua justificativa social.

A concepção pioneira de Freud (1905/1969) afirmando o prazer como objetivo da sexualidade humana desvinculou-a da reprodução. A tese de Freud veio a ser confirmada com a recente emergência do conceito de saúde sexual e com a sua dissociação progressiva do conceito de reprodução, o que coloca em evidência a autonomia da vida sexual e sua importância para a realização e o bem-estar dos indivíduos durante toda a vida.

Mas esta liberdade ideológica só pôde tornar-se realidade com a conquista tecnológica dos hormônios sintéticos. Tornou-se assim possível tanto a contracepção quanto a terapia de reposição hormonal que facilita manter a função sexual prazerosa após a menopausa. Mais recentemente, o sildenafil e o tadalafil vieram proteger os homens das perturbações da ereção cujo potencial patológico se revela provavelmente muito mais a nível psicológico que fisiológico. Assim, os progressos da medicina minimizam as barreiras biológicas que dificultavam a manutenção da atividade sexual na segunda metade da vida.

Espera-se que junto com a dilatação da esperança de vida e do progresso científico e técnico que homem tem sido capaz de pôr em marcha, haja uma evolução social e cultural e uma mudança das mentalidades capaz de integrar a sexualidade das pessoas idosas harmoniosamente em tais avanços.

Para compreender a problemática da sexualidade nos adultos maduros e idosos (após os 50 anos de idade), é preciso levar em conta os fatores básicos que afetam o comportamento e a resposta sexual em qualquer idade:

1. Saúde física. A doença pode reduzir ou impedir o interesse pela sexualidade em qualquer idade. Pesquisadores provaram que raramente o equipamento sexual se deteriora no envelhecimento normal, impedindo os adultos maduros de permanecer sexualmente ativos enquanto tiverem saúde. A sexualidade está entre os últimos "processos biológicos provedores de prazer" a deteriorar-se.

2. Preconceitos sociais. Do ponto de vista do ciclo vital, o envelhecimento é um processo bio-psico-social, ou seja: caracterizado por mudanças fisiológicas, psicológicas e nos papéis sociais. Independentemente da especificidade e da heterogeneidade do envelhecimento individual, a psicogerontologia tem assinalado que a experiência subjetiva do envelhecimento é amplamente influenciada pela ideologia cultural.

A vivência subjetiva é marcada pela inevitabilidade das modificações corporais e das competências físicas, pelas modificações em nível dos recursos cognitivos e adaptativos, pelas alterações de papéis e da posição nas hierarquias sociais, assim como pelo impacto negativo de atitudes e estereótipos relativos ao envelhecimento. A crença na progressiva e generalizada incompetência assim como na impotência sexual dos idosos faz parte intrínseca destes estereótipos. Acuados entre as múltiplas exigências adaptativas que as alterações do envelhecimento comportam, os indivíduos enfrentam dificuldades para preservar a identidade pessoal e a integridade de alguns papéis e funções, sobretudo aqueles relativos à sexualidade que a sociedade atentamente vigia. 
     

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