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quarta-feira, 15 de agosto de 2012 - 15:20

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O Homem e o Trabalho

por: Colunista Portal - Educação

O Homem e o Trabalho
O Homem e o Trabalho

Ao iniciar o estudo da Psicologia Organizacional é importante entendermos um pouco sobre as concepções do trabalho, e o papel que ele desempenha na vida do homem.


Quando pensamos no trabalho vários questionamentos nos vem à mente, de modo a tentarmos compreender qual o significado dele em nossa existência. A relação que se pode estabelecer entre o trabalho e a existência está centralizada nas constantes necessidades de verificar os diversos significados atribuídos pelo homem ao espaço social ocupado no contexto do trabalho (KANAANE, 2009).


Kanaane (2009) coloca que o trabalho sempre ocupou lugar central na vida das pessoas, nas mais diferentes comunidades, onde gradativamente foi sendo limitado pelas condições socialmente estabelecidas.

Ao investigarmos os distintos significados atribuídos ao trabalho, encontramos a contribuição de concepções originárias não somente das ciências sociais, como a antropologia, sociologia, economia e psicologia; e ao nos referirmos a tais concepções, devemos destacar outras que alteram e definem essa relação: as concepções políticas, religiosas, econômicas, ideológicas, históricas, biológicas, culturais e etc.


Segundo Lacombe (2006), em relação ao conceito do trabalho, muitos adotam o ponto de vista de que ele é um fardo, de que o homem trabalha para sobreviver, ou, se for afortunado, a fim de conseguir dinheiro suficiente para poder fazer as coisas de que realmente gosta.


Para este autor é preciso considerar que:
• O trabalho é parte essencial da vida humana, uma vez que constitui aquele aspecto de sua vida que lhe dá status e o liga a vida em sociedade;

• As pessoas tendem a gostar de seu trabalho, ou procurar um trabalho que lhe traga verdadeira satisfação profissional e pessoal;

• O trabalho é uma atividade social;

• A moral do trabalhador não tem relação com as condições materiais do trabalho. A temperatura, iluminação, barulhos e umidade afetam a saúde física e o conforto, e não a motivação;

• Sob condições normais, o dinheiro é um dos incentivos motivacionais menos importantes;

• O desemprego é um poderoso incentivo negativo, porque acaba por eliminar o homem da sociedade.


Muitos são os estudiosos e teóricos do trabalho com visões e definições diferentes, mas todos de certa forma colocam o trabalho como algo essencial ao homem. Vejamos alguns deles:
Para Benetto Croce (apud Labombe, 2006 p. 4):

O trabalho isento de coeficientes ideológicos, é a mais fecunda afirmação da vida humana. O trabalho não é pena e dor, pelo contrário, é essencialmente a alegria de viver, sendo trabalho penoso aquele que não conseguimos fazer nosso, que não se funde com nossas disposições e tendências, ou que não se torna nossas disposições e tendências, ou que não nos empenha inteiramente. (Croce apud Labombe, 2006, p. 4).


Outro que coloca uma definição sobre a importância do trabalho é Auguste Rodin (apud Lacombe, 2006, p. 4), para ele “o mundo não será feliz senão quando todas as pessoas tiverem a alma de artista, isto é quando todos sentirem prazer no seu trabalho”.


Analisando esses comentários, podemos ver o quanto é grandioso ao homem uma atividade profissional que lhe traga satisfação e realização, além de ser extremamente necessário para sua subsistência.

Mas podemos ver muitas vezes que ocorre certa desvalorização do trabalho que é parte própria da divisão do trabalho, que embora existindo desde os tempos pré-históricos, foi grandemente acentuada na Revolução industrial, especialmente pela aplicação do taylorismo.

A valorização do trabalho, principalmente o manual não é exclusivamente brasileira, suas origens remontam à Idade Antiga, aos romanos e à maioria das civilizações orientais. Somente no século XX, a valorização do trabalho começou a evoluir positivamente.

O regime da escravidão, que durou mais de quatro séculos no Brasil, certamente contribui pra desvalorizar a natureza do trabalho no país (LACOMBE, 2006).


Friedmann (1983, apud Kanaane, 2009 p. 17) coloca que o trabalho assume as seguintes facetas:
• Aspecto técnico, que implica questões referentes ao local de trabalho e adaptação fisiológica e social;

• Aspecto fisiológico, cuja questão fundamental se refere ao nível de adaptação homem/lugar de trabalho/meio físico e ao problema da fadiga;

• Aspecto moral, como atividade social humana, considerando especialmente as aptidões, motivações, o grau de consciência, as satisfações e a relação íntima entre a atividade de trabalho e a personalidade;

• Aspecto Social que considera as questões do ambiente e os fatores externos (família, sindicato, partido político, classe social). Precisa-se se considerar sob tal perspectiva a interdependência entre o trabalho e papel social e as motivações subjacentes;

• Aspecto econômico, como fator de geração de riqueza, geralmente contraposto ao capital, e unido em sua função a outros fatores: organização, propriedade, terra.


Das disposições assinaladas, pode-se concluir que o trabalho é uma ação humana exercida num contexto social, que sofre influências de diferentes fontes, o que resulta numa ação recíproca entre o trabalhador e os meios de produção.

Do ponto de vista psicológico, o trabalho provoca diferentes níveis de motivação e de satisfação no trabalhador, principalmente quanto à forma e à maneira na qual desempenha sua tarefa. As diferentes abordagens sobre motivação humana destacam o conceito de necessidade e o conceito de expectativa.

Não basta apenas levarmos em consideração as necessidades como determinantes do comportamento do trabalhador; é preciso considerar também em que grau o mesmo percebe as condições existentes no ambiente organizacional, como facilitadoras ou não, para atingir seus objetivos e suas necessidades (KANAANE, 2009).


Podemos dizer que de certa forma, ao sentir-se integrado em um processo de trabalho, o homem tende a responsabilizar-se pelo mesmo. Tal participação proporciona-lhe consciência mais ampla de si mesmo e dos meios de produção e possibilita-lhe desenvolver sua habilidade de opção diante do trabalho e, por extensão, da sociedade de maneira geral.


Consequentemente, esse caminho lhe dá a possibilidade de apropriar-se de sua cidadania, que lhe proporciona condições de desenvolvimento e equilíbrio psicológico. É possível considerar, que tirando as condições de sobrevivência e subsistência, o trabalho possibilita ao indivíduo exercer sua criatividade, desde que as condições ambientais e profissionais sejam facilitadoras, levando-o à plena realização (KANAANE, 2009).


Segundo Kanaane (2009, p. 22) “as energias individuais e grupais, se canalizadas efetivamente para a concretização de objetivos pessoais e/ou profissionais, possibilitam ao ser humano condições de dar vazão a suas potencialidades, resultando em realização pessoal”. Isso mostra a importância do trabalho como fonte que mobiliza as capacidades humanas.

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