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quarta-feira, 16 de maio de 2012 - 09:58

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A teoria da sexualidade infantil

por: Colunista Portal - Educação

Sexualidade infantil
Sexualidade infantil
O tratamento de histéricos durante o início da década de 90 convenceu Freud de que a sedução sexual na infância desempenha um papel importante na etiologia das neuroses.

Muitos dos seus pacientes relatavam tais seduções por babás, pais e cuidadores, e Freud acreditava que as lembranças reprimidas de traumas sexuais reais criavam os sintomas neuróticos.

Na segunda metade dos anos 90, começou a reconsiderar este ponto de vista e finalmente fez uma mudança dramática em seu pensamento. Fantasias sobre sedução sexual por figuras parentais começaram a deslocar a sedução real como fator patogênico crucial nas neuroses.

Embora as razões do desvio não estejam inteiramente claras, diversas razões foram sugeridas:
(1) Trabalhando a partir da hipótese de que a sedução na infância é a causa da neurose, Freud fora incapaz de levar um único caso analítico a uma conclusão inteiramente satisfatória.
(2) Ele sempre fora cético em relação aos relatos de atos perversos por pais e a frequência da histeria tornou difícil para ele acreditar que tantos pais sexualmente abusadores pudessem existir na Viena dos seus dias.
(3) Alguns dos relatos de seus pacientes soavam tão fantásticos que se tornou difícil para Freud distinguir a diferença entre realidade e ficção em tais relatos. Ema Eckstein, por exemplo, relatou uma “lembrança” de encontrar o demônio e ser torturada enquanto ele inseria agulhas em seus dedos. Muitos outros pacientes relataram histórias de tortura e possessão ligadas à bruxaria.
(4) Tanto na sua autoanálise como em investigações clínicas posteriores, Freud convenceu-se da importância de processos psicológicos e do papel da fantasia em distorcer a realidade para adaptar-se a desejos.

Embora os escritos subsequentes de Freud indicassem que ele jamais abandonara inteiramente sua crença na existência de seduções sexuais generalizada por pais, no final dos anos de 1890 ele claramente passara para uma posição de enfatizar as fantasias sexuais infantis como o núcleo das neuroses.

Adotando uma teoria psicodinâmica da sexualidade infantil na qual a vida psicossexual da criança ocupa o palco central, a psicanálise tomara uma nova direção, tornando-se uma psicologia profunda.

A criança não era mais retratada como uma vítima inocente de adultos maldosos, mas era vista como um ser sexual com poderosas fantasias e desejos.
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