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27 de agosto de 2009

O avanço da tecnologia fez com que os jogos ficassem mais atraentes, prendendo a atenção do aluno
Os jogos, por exemplo, existem desde o final do séc. XVIII e já desempenhavam um importante papel no processo da educação, principalmente na aplicação em treinamentos militares.
A psicologia já averiguava o trabalho com jogos e Piaget veio para reafirmar a ideia. O filósofo propunha a estruturação dos jogos em formas de exercício, símbolo e regra. Por meio do jogo é possível observar o desenvolvimento do indivíduo e também o desenvolvimento cognitivo.
Com o avanço da tecnologia, os jogos foram ficando cada vez mais atraentes, prendendo a atenção do aluno. Na educação a distância (EAD), diversas ferramentas são utilizadas para tornar o ambiente virtual de aprendizagem interativo e dinâmico.
Os jogos educacionais na EAD não são considerados ferramentas de aprendizagem e sim, produtos. A mestre e doutora em Educação, Paula Carolei, explica que cada jogo tem a sua lógica própria e que há jogos de todos os tipos e modalidades.
“Há jogos produzidos com o objetivo educacional, evidentemente. Por outro lado, há os que são criados para o entretenimento, que trabalham valores e simulações da realidade e por isso podem ser usados educacionalmente se mediados por uma estratégia adequada do professor”, ressalta Carolei.
É possível ainda encontrar jogos que trabalham habilidades muito simples como memorização, e os estratégicos que podem ajudar a desenvolver a capacidade de solução de problemas. Existem também os jogos multiplayer e colaborativos que desenvolvem habilidades de socialização.
Os jogos com base narrativa exigem do usuário habilidades de exploração e de “dedução”. “Esses jogos são muito imersivos e desenvolvem uma autonomia no usuário. Ao invés de ele consumir apenas, ele é quem escolhe e toma decisões”, esclarece Paula.
O RPG, para quem não sabe, é a sigla de Role Play Game, um jogo que o usuário assume papéis e identidades e também está sendo trabalhado como jogos educacionais. O RPG apresenta um problema “complexo” e vários tipos de interação possível com esse problema, dependendo da característica do personagem.
Para Daniele Navarro, artista visual e aluna de pós-graduação em Design Instrucional, a experiência com o RPG educacional foi muito interessante, pois ela pôde fazer o RPG via chat, twitter e Second Life.
“Nunca havia jogado RPG com fins educacionais. Foi muito interessante a experiência, principalmente com o Second Life. Nesta ferramenta, lançávamos diversas propostas que tinham de estar dentro das possibilidades e expectativas do cliente”, analisa Daniele ressaltando ainda que foi muito proveitoso ver a troca de experiências e as diversas possibilidades de adaptação de cursos, tudo graças a uma simples simulação em RPG.
A realização de um RPG como proposta educativa possibilita a utilização de qualquer ferramenta de comunicação on-line. Paula Carolei diz que já usou diversas práticas para a realização de atividades. “Já fiz RPG por e-mail, fórum, chat, videoconferência, SMS, twitter, entre outros”, declara.
O Second Life é um ambiente propício para experimentar exercícios de RPG, pois cenários em 3D facilitam a imersão dos personagens e ambientes gráficos. Merece destaque o profissional de Design Instrucional que atua na produção de RPGs orientando o designer gráfico para construir objetos, bem como sugerir as ações que cada um venha a apresentar.
O designer instrucional, Jurandir Rafael, lembra que no RPG existem diversos outros fatores além dos objetos interativos como a caracterização dos personagens, vestimentas, elementos não interativos do cenário, entre outros.
“Para que tudo isto tenha resultado prático, é necessário que os participantes do RPG possuam conhecimento prévio do assunto, tornando o ‘jogo’ contextualizado. O participante sente-se imerso naquele ambiente e os objetivos educacionais são alcançados com mais facilidade”, explica o designer instrucional.
No entanto, tanta tecnologia e inovação, às vezes, não são corretamente utilizadas, como é o caso das escolas e instituições de ensino. “Infelizmente, as instituições compram mais a tecnologia da moda do que a estratégia de uso educacional da tecnologia. Há vários grupos que estudam RPG na educação e fazem iniciativas isoladas”, lamenta Carolei.
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