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Cotidiano, mediação pedagógica e formação de conceitos


30 de setembro de 2009


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Cotidiano, mediação pedagógica e formação de conceitos: uma contribuição de Vygotsky ao ensino de geografia

 
Lana de Souza Cavalcanti

Doutora em geografia pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do Instituto de Estudos Sócio-Ambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG).

 

Este texto faz uma síntese da teoria vygotskyana sobre o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores, destacando alguns conceitos dessa teoria, tais como internalização, mediação semiótica, Zona de Desenvolvimento Proximal, conceitos cotidianos e conceitos científicos, que são especialmente instrumentalizadores da análise dos processos educativos e de sua relação com o desenvolvimento dos processos psicológicos. A partir de uma síntese do pensamento de Vygotsky, o texto busca especificar possíveis contribuições dessa teoria para o ensino de geografia, particularmente para a formação de conceitos geográficos.

Quero iniciar este texto expondo de forma breve o sentimento de impotência que me invadiu diante do desafio de escrever sobre a contribuição de Vygotsky para o ensino de geografia. Nos últimos anos, desde a finalização da minha tese de doutorado (Cavalcanti, 1998), na qual fiz um estudo sistemático de algumas obras desse autor, tenho procurado seguir suas orientações para uma compreensão dos processos didáticos necessários ao ensino de geografia voltado para a construção de conhecimentos pelos alunos. A obra de Vygotsky é muito vasta e densa em si mesma, além disso é de extrema fecundidade no sentido de permitir sua exploração e aprofundamento por inúmeros seguidores (Leontiev, Luria, Davidov e outros) e estudiosos como Ricardo Baquero (1996), Harry Daniels (2002, 2003), James V. Wertsch e outros (1998), Wertsch & Tulviste (2002) e, entre os brasileiros, Oliveira (1995), Castorina (1995, 1998), Rego (1995), Góes (1991, 2001) Souza (1994), Freitas(1994) ), tornando-a atual e referência importante para práticas educativas. A tranqüilidade para aceitar o desafio que me foi colocado somente surgiu ao entender que a minha tarefa não seria a de analisar a obra de Vygotsky, como muitos de seus estudiosos e especialistas têm feito, mas a de destacar dessa obra alguns elementos que podem ajudar a refletir sobre práticas educativas de geografia, valendo-me dos textos de Vygotsky, de alguns especialistas em sua teoria e de meus próprios.



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