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30 de junho de 2009
João Wanderley Geraldi
Na relação entre linguagem e cultura, um aspecto essencial diz respeito às diferentes funções da escrita e às formas de sua apropriação social em sociedades letradas. Tomando como inspiração a forma de um uso específico da escrita pelo povo indígena Jarawara e narrativas de ribeirinhos do rio Madeira do mito amazônico Cobra Norato, são discutidas as diferentes relações entre oralidade e escrita que, atravessadas pelas relações de poder, transformam o alfabeto, de artefato histórico construído para o registro da oralidade, em espaço social de construção de distinções, clivagens e exclusões.
Dentre as múltiplas facetas da correlação entre linguagem, cultura e ideologia, significativamente é a questão da aquisição da modalidade escrita da linguagem e seus percalços que é aqui focalizada. O foco, seguramente, é conseqüência do espaço social e cultural por que transitamos, espaço em que a própria correlação é discutida, pois dificilmente em grupos sociais ditos não letrados ¾ por exemplo, num roda de causos, lendas e histórias ¾ a cultura e a ideologia são tematizadas, o que não significa que nos causos, lendas e histórias não circulem cultura e ideologia.
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