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30 de maio de 2009
MARTA MARIA CHAGAS DE CARVALHO
Professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política, Sociedade da PUC-SP e Pesquisadora do Centro de Memória da Educação da USP
A partir da segunda metade da década de 20, são evidentes os sinais de que os modelos pedagógicos que vinham balizando as iniciativas de institucionalização da escola no Brasil, desde o final do século XIX, haviam esgotado a sua capacidade de normatizar as práticas docentes. Esse processo de corrosão foi marcado pelas motivações políticas, sociais e econômicas que constituíram as plataformas políticas e pedagógicas dos movimentos que Jorge Nagle chamou, em seus estudos sobre os anos 20, de entusiasmo pela educação e otimismo pedagógico. Dar conta desse processo implica, por isso, relacionar as mutações teóricas e doutrinárias produzidas no campo normativo da pedagogia às questões técnicas e políticas postas no processo de institucionalização da escola. Compreender esse processo de esgotamento de um modelo pedagógico é questão instigante que exige o concerto de uma pluralidade de perspectivas de análise. Sem pretender enveredar, neste texto, pela complexidade das questões que o tema suscita, procura-se recortar nele alguns tópicos, levantando hipóteses que permitam mapear esse processo e rastreando o impacto gradativo e nem sempre convergente de deslocamentos teóricos e doutrinários que determinaram o solapamento de cânones pedagógicos até então representados como portadores do novo em matéria pedagógica, assim como a sua substituição por um outro modelo. Toma-se, para tanto, o caso paulista.
O artigo objetiva discernir, na proliferação dos discursos que, no Brasil, a partir do final do século XIX e nas primeiras quatro décadas do século XX, buscaram legitimar-se como saber pedagógico de tipo novo, moderno, experimental e científico, estilos distintos de organização do campo dos saberes representados como necessários à prática docente. Compreendendo o impresso destinado ao uso de professores como dispositivo de constituição desse campo, distingue dois modelos de formação docente inscritos na configuração material de revistas, livros e coleções que circularam no período: a "Caixa de Utensílios" e a "Biblioteca".
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