Mais de 800 cursos online com certificado em diversas áreas

esqueci minha senha
Sala de aula
Confira o regulamento Promoção do Mês

Artigos de Pedagogia


Educação e a Econômia - O assalto à educação pelos economistas


30 de maio de 2009


definir tamanho aA aA


Ana Maria F. Almeida

A idéia de que a desigualdade de renda está no coração do "problema brasileiro" se difundiu amplamente e em meios muito diversos a partir dos anos de 1990. Nós a encontramos no discurso jornalístico certamente, mas também no discurso de políticos e intelectuais. É preciso reconhecer, no entanto, que as discussões sobre as desigualdades no Brasil não nasceram nesse momento e têm sido na verdade uma questão recorrente em inúmeras análises sobre o país. Num certo sentido, o fato de que o "problema da desigualdade" seja hoje enunciado como causa de inúmeras mazelas brasileiras, inclusive a violência (cf. Fajnzylber e Araújo, 2001), por exemplo, indica que ele tenha passado progressivamente a retraduzir problemáticas como as da industrialização e do desenvolvimento na década de 1950. Discutidas com base no problema da desigualdade, essas questões têm sido, assim, tratadas num vocabulário se não novo, pelo menos renovado.

Trata-se de uma mudança histórica, ao mesmo tempo lingüística e conceitual, que não é gratuita nem sem efeitos e que marcou uma inflexão no jogo político para que se permitisse a participação de uma nova geração de economistas profissionais ostentando diplomas e conhecimentos técnicos que procuram valorizar nas arenas de produção e negociação de políticas públicas.

O artigo examina o processo pelo qual a educação passou, a partir dos anos de 1970, a ser considerada variável explicativa central da desigualdade de renda brasileira e instrumento de política pública a cargo dos economistas. Esse processo foi tributário: (1) da luta, entre os anos de 1930 e 1950, dos educadores profissionais para produzir um saber de Estado sobre a educação; e (2) do sucesso obtido pelos economistas em impor seus modelos de interpretação da realidade nacional nos anos de 1960, alijando os educadores. Em ambos os períodos, a circulação internacional de pessoas e idéias facilitada por governos e agências transnacionais foi um recurso manipulado pelos envolvidos nessa competição.



Some Rights Reserved

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

Comentários



artigos de Pedagogia
Top 10 Notícias

Voltar para Pedagogia

Escolha sua área do conhecimento