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30 de abril de 2009
História, filosofia e sociologia da educação matemática na formação do professor: um programa de pesquisa
Falar-se, porém, em história, filosofia e sociologia da matemática é, a nosso ver, bastante diferente de se falar em história, filosofia e sociologia da educação matemática. Embora a matemática, desde a Antigüidade, tenha se constituído em objeto de estudos históricos, e embora tenhamos conhecimento do fato de que histórias da matemática começaram a ser escritas desde essa época, foi somente no final do século XX que começaram a surgir os primeiros estudos relativos à história da educação matemática.
Sabemos que, desde a Antigüidade, a matemática tem sido objeto de reflexões e de estudos filosóficos isolados. Segundo Fang & Takayama (1975, p. 33), a denominação Philosophia mathematica foi o título dado por Erhard Weigel a um livro de sua autoria publicado em 1693. Para esses autores, os conteúdos desse livro, dotados de uma certa conotação teológica, discorriam muito pouco sobre "matemática filosofizada ou sobre filosofia matematizada". Ainda segundo eles, o dúbio título da obra de Weigel poderia ser traduzido de dois modos: por matemática filosófica ou por filosofia matemática, denominações estas que, atualmente, seriam representativas de duas disciplinas ou campos de investigação distintos. A primeira delas - matemática filosófica - constituiria um domínio dos matemáticos propriamente dito, uma vez que tal campo é geralmente visto por essa comunidade como sendo aquele que tomaria como objeto de investigação teorias potencialmente "matema-tizáveis" ou "formalizáveis", no sentido de serem eventualmente capazes de integrarem o campo da matemática propriamente dito. É com esse sentido que muitos lógicos, ainda hoje, utilizam a denominação filosofia da matemática, isto é, como matemática filosófica. Representativa dessa concepção é a obra intitulada The Philosophy of Mathematics, publicada em 1969, na qual o seu editor, J. Hintikka, compila vários antigos artigos sobre lógica simbólica. Por sua vez, para Fang & Takayama (1975, p. 33), a filosofia matemática poderia ser encarada manifestamente como a região para filósofos, e teria como objeto de investigação certas teorias matemáticas de cunho especulativo que teriam sido introduzidas por matemáticos, mas que permaneceram ou permanecem pouco desenvolvidas.
Já a filosofia da educação matemática é bem mais recente, e parece que foi apenas na década de 80 do século XX que ela começou a se constituir como campo autônomo de investigação. Segundo Bicudo (1999, p. 22), o primeiro trabalho com o título filosofia da educação matemática foi a tese de doutorado de Eric Blaire, defendida no Instituto de Educação da Universidade de Londres, em dezembro de 1981. Mas tem sido, sobretudo, graças aos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos por Paul Ernest, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Exeter, no Reino Unido, que esse campo mantém-se atualmente em franco desenvolvimento. De fato, Ernest é o editor da revista internacional eletrônica denominada Philosophy of Mathematics Education Journal que, desde 1990, vem publicando e divulgando estudos e investigações nesse terreno.
Até onde conseguimos investigar, foi apenas no ano de 1998 que surgiu uma obra que traz explicitamente em seu título o nome Sociologia da Educação Matemática. Trata-se do livro denominado The Sociology of Mathematics Education: mathematical myts/pedagogic texts, de autoria de Paul Dowling, sociólogo e professor do Instituto de Educação da Universidade de Londres.
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